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Bandidos selecionam seus alvos


Fonte: Edição 06
Data de Publicação: 24 de julho de 2005
 
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Alguns setores da sociedade são alvos preferidos dos marginais. Taxistas, ônibus, postos de gasolina, lotéricas e o comércio da área central da cidade são vítimas diárias dos bandidos. Confiantes na falta de uma ação enérgica do Governo do Estado, os criminosos atacam, matam pais de família e saem tranquilamente em busca de outra vítima.

A polícia caiu em completo descrédito e não se ver ações que inibam a atuação dos marginais.

Os taxistas lideram o ranking das maiores vítimas. Segundo o presidente do sindicato da categoria José Antônio Pereira, de janeiro a julho deste ano 29 assaltos foram registrados e dois taxistas foram assassinados. Uma vítima foi Evaristo Serra Pereira, que trabalhava na Forquilha, assassinado com três tiros no início do mês, na Vila Isabel Cafeteira.

Segundo Aluísio Lobo Almeida, 45 anos, esses dados estão fora da realidade. Na grande maioria dos casos as vítimas não fazem nenhum registro. "O fato só chega ao conhecimento das autoridades quando os bandidos levam o veículo, documentos pessoais ou quando há lesão. Do contrário, é pura perda de tempo, pois ninguém faz nada mesmo", disse.

Aluísio Lobo trabalha no posto da Vila Palmeira e revelou um dado surpreendente: dos 17 profissionais que trabalham com ele, 14 já foram assaltados, mas nenhum se deu o trabalho de procurar a polícia para relatar o caso.

Descrédito

Ninguém crê na ação da polícia. O taxista Djalma Marques de Sousa, 52 anos, foi assaltado 2 vezes e sequer procurou a polícia para registrar a ocorrência. Ele foi roubado pela primeira vez no centro de São Luís. O segundo assalto foi no Coroadinho. Ele perdeu o relógio e mais R$ 98,00.

"Segurança para nossa categoria não existe. A polícia poderia fazer blitz, mas não só para fiscalizar nossa documentação, como também a do passageiro. Dois de seus colegas foram assassinados e até hoje a polícia não conseguiu prender os autores. "José Maria foi executado a bala no São Raimundo. Outro colega, o "Hall", foi morto a paulada no Cohatrac".

O taxista João de Deus da Silva levanta forte suspeita: a da conivência. "Dá pra acreditar que alguns policiais fazem vista grossa para "comer algum" junto com os assaltantes, pois eles dificilmente são localizados e presos", disse. João contou que também foi alvo de bandidos.

Segundo o presidente do sindicato, Liberdade, Coroadinho, Cidade Operária e adjacências, além do eixo Itaqui-Bacanga, são áreas mais perigosas. "Muitos profissionais se recusam, depois de determinada hora, a entrar nessas áreas. Para frear a ação dos bandidos é necessário uma ação preventiva e ostensiva da Polícia Militar", finalizou Pereira.

Postos na mira

Outro setor alvo da ação dos bandidos é o de postos de combustível. Na manhã de segunda-feira (18), dois homens armados dominaram o gerente do posto Thaylla, localizado na estrada da Maioba, levando a "bagatela" de 40 mil reais. Agindo com violência, o obrigaram a entregar toda a renda do final de semana.
O presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustível do Maranhão, Márcio Libério, disse que os empresários do setor têm adotado medidas para evitar assaltos. Dentre elas, a de manter os frentistas com pouco dinheiro e cofres com boca-de-lobo para dificultar a ação dos meliantes. "Em sua maioria os assaltos não são registrados. Os empresários acreditam que a divulgação do assalto afugenta os clientes. As vítimas acabam arcando com o prejuízo", finalizou o presidente.

O frentista Antônio José, 27 anos, entretanto, que trabalha há um ano e seis meses na rede de postos Bacanga, diz, em tom de gozação, que já se tornou freguês dos bandidos que agem na área, pois já foi vítima de assalto três vezes.
"Em uma única semana, fomos assaltados num sábado, numa terça-feira e no sábado seguinte. O Djalma, que trabalha aqui há mais tempo que eu, já foi assaltado sete vezes", disse.

Nas paradas

Os usuários de transportes também estão entre as vítimas preferenciais dos bandidos, que agem nos veículos e nas paradas desertas. Exemplos disso são as quatro paradas próximas ao São Luís Shopping, na Avenida Carlos Cunha. Segundo o mototaxista Carlos Moreira, a ação dos bandidos é diária. "Todos os dias, dois ou três assaltos acontecem aqui. Mesmo assim, avistar a polícia por aqui é uma raridade", disse.

Segundo ele, os ladrões atacam em bando e os horários preferidos são às duas da tarde, quando acontece troca de turno nas empresas que funcionam na área, e depois das oito da noite. "A insegurança por aqui é tão grande, que só fico até às 18h. Depois disso é muito perigoso", conta.

Os taxistas que trabalham no posto no local concordam. Relatam que a Polícia Militar só é vista na localidade quando acontecem eventos no Sebrae. Fora disso o local fica desprovido de segurança. "No início do mês, quando é feito o pagamento dos funcionários, as ações são freqüentes e as mulheres são alvos preferidos. O roubo de bolsas, celulares e jóias já nem causam mais surpresa", afirma um taxista. O chefe de segurança do Colonial Shopping, Marcos Sá Barros informou que somente o espaço interno é resguardado. "Nossa responsabilidade com clientes e funcionários é dentro do shopping. A parte externa é de responsabilidade da Polícia Militar. Encaminhamos ofício solicitando um ponto fixo da PM na área, mas a solicitação nunca foi atendida", finalizou.

Outro ponto crítico é a parada na Avenida João Pessoa, no João Paulo. Ali também os pequenos furtos são freqüentes. Trabalhando na área há mais de dois anos, o ambulante Nonato dos Anjos disse que já nem se espanta com a ação dos meliantes. Assim como acontece no Jaracaty, o início do mês é período mais crítico. "Até o dia 10, toda hora passa um correndo levando uma bolsa, um cordão, um relógio ou um celular. Quando está no período escolar, as estudantes se tornam o alvo preferido", conclui.

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