Por abandonar a Universidade Estadual do Maranhão o governador José Reinaldo Tavares deveria ficar de castigo, como se fazia antigamente quando o aluno não cumpria os deveres de casa: ficar de joelho no milho, com a cara virada para a parede e de chapéu-cone com a palavra B____!
Obras paradas, biblioteca sem funcionar, alunos insatisfeitos, funcionários reclamando e falta de infra-estrutura nos Campus de Imperatriz, Bacabal e Santa Inês: esse é o cenário em que se encontra a UEMA.
A instituição está abandonada e falida. Na Biblioteca Central, por exemplo, as prateleiras amontoadas e a ausência de livros denunciam o descaso do governador José Reinaldo. Impedidos de utilizar os serviços de empréstimo e consulta da Biblioteca Central os estudantes acusam o governador de fazer politicalha com a instituição.
José Vicente Paixão, do curso de Matemática, dispara: “Disseram que a biblioteca estaria pronta em abril. Até hoje estamos esperando”. E, para ilustrar sua denúncia, revela: “Agora, por exemplo, eu tenho exercícios para fazer e precisaria de livros para isso. É uma vergonha!”.
A construção de um colégio para estágio na área de licenciatura está parada há anos. “Eu estou no 4º período. Desde que comecei as obras estavam como estão hoje.”
Falência
O laboratório de Matemática é exemplo da falência da UEMA. “É obsoleto. No início havia um computador, mas hoje ele não funciona mais”.
Apesar do protesto dos estudantes, a diretora da Biblioteca Central, Glória Maria Bayma, acha normal a crise e diz que toda melhoria requer sacrifícios. Uma licitação para a compra de livros já estaria encaminhada. Ainda segundo a diretora, 430 títulos (814 exemplares) e 141 periódicos foram doados à biblioteca.
Glória admite que os serviços estão parados desde fevereiro em função da reforma do prédio. Tentando amenizar a denúncia, a diretora informa que os livros foram retirados do local e transportados para salas muito quentes. “São 37.000 livros em 3 salas pequenas”, afirma.
Ela acredita que a obra está atrasada porque houve atraso no pagamento da construtora que faz a reforma, numa demonstração cabal que o governo não está honrando seus compromissos.
Protesto
Para Flávio Santos, estudante de Geografia e membro do Diretório Acadêmico do curso, o problema não é tão simples. “As relações dentro da UEMA parecem relações feudais. Um grupo de pessoas abastadas, que se beneficiam da infra-estrutura em detrimento de alunos que ficam prejudicados”, analisa.
Ele denuncia a apropriação de prédios dos cursos de licenciatura por alguns departamentos. Atribui o caos que a Universidade enfrenta a “uma série de maracutaias”. Onde estão sendo aplicados os recursos destinados à UEMA?”, questiona.
Ao descontentamento dos estudantes somam-se os dos funcionários que, no próximo dia 25, participam de uma passeata de servidores públicos protestando, entre outras coisas, contra o não pagamento do salário-mínimo por parte do Governo do Estado e exigindo a implantação do plano de cargos e carreiras de funcionários da UEMA.
Válber Tomé, presidente do Sindicato de Trabalhadores da Universidade Estadual do Maranhão diz que o plano “é uma questão de vida ou morte e que há servidores de nível superior ganhando salário mínimo. Tem muita gente na época de se aposentar e sem nenhuma perspectiva”.
Gestão viciada
Nos campus do interior a realidade é caótica. A UEMA de Bacabal funciona em um prédio alugado. Em Caxias as aulas só agora foram retomadas. Um professor da UEMA de Imperatriz, que pediu anonimato, disse que lá a situação também é complicada. Falta espaço físico. A ampliação dos cursos é só “para atender conveniências político-partidárias. A UEMA não tem infra-estrutura para suportar essa ampliação.
Para o professor, a situação é causada por “um processo de gestão completamente viciada. A atenção aos cursos regulares foi reduzida em relação aos cursos pagos (seqüenciais). Esses são “a menina-dos-olhos da UEMA, porque são pagos”, critica.
“É um curso superior, mas não é graduação. O pessoal termina o curso e não pode se graduar. É um curso superior que permite fazer especialização. Só até aí. Mas virou febre”, diz o professor.