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Zé Reinaldo e Tadeu tentam esconder suas maracutaias


Fonte: Edição 06
Data de Publicação: 24 de julho de 2005
 
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Calar a imprensa, amordaçar aqueles que querem contar o que se passa realmente na política maranhense e na administração pública. Manipular ou sonegar a informação para que o público não tome conhecimento das mazelas em que se encontram atolados os governos estadual e municipal. Assim são usadas as assessorias de Comunicação de órgãos da Prefeitura e do Governo do Estado.

Com estruturas caras e pessoal contratado a peso de ouro, sem concurso público, muitas assessorias de comunicação são hoje meros cabide de emprego para apaniguados de secretários e políticos aliados de José Reinaldo, Alexandra e do prefeito Tadeu Palácio.

Isso mostra a falta de compromisso não apenas com o que determina a lei, mas, principalmente, com a sociedade, que tem direito à informação.
Assessores e funcionários de alto escalão sonegam informações e até tratam grosseiramente jornalistas que não estão na sua folha de pagamento. O mais estranho de tudo é que esse boicote também é promovido por jornalistas que, no afã de sonegar as informações que são obrigados a prestar, desrespeitam os próprios colegas.

Um exemplo latente dessa atitude acontece diariamente na Assessoria de Comunicação da Semtur. Não se sabe se para puxar o saco ou a mando do secretário Francisco Canindé, a assessora do órgão, Vânia Rodrigues, dá chá-de-cadeira nos jornalistas, trata-os de forma grosseira e se nega terminantemente a permitir que repórteres entrevistem o chefe dela.

Balela

Andréa Viana, secretária-adjunta de comunicação da Prefeitura, diz desconhecer o problema. “Não tenho conhecimento disso. Estou surpresa. As pessoas aqui são sempre solícitas. Normalmente não é assim, não. Vou conversar com a equipe”, garante. Balela. Apesar da boa vontade que alguns jornalistas que trabalham na Secom municipal têm para com seus colegas de profissão, há ordens expressas do secretário Zeca Pinheiro para sonegar informações.

Durante a última semana essa censura foi exercitada de forma explícita em pelo menos duas ocasiões pela Prefeitura. Numa delas, Veja Agora tentava obter informações sobre a situação nas unidades mistas de saúde e sobre o Socorrão 3, que seria transformado em Hospital da Mulher. Procurada pela reportagem, a assessoria do Prefeito não deu respostas às perguntas que foram entregues a uma jornalista do órgão. Na outra, Veja Agora buscava, como manda a ética jornalística, a versão oficial sobre o abandono das fontes luminosas da Cohab, São Cristóvão e Jaracaty, transformadas em criadouros dos mosquitos transmissores da dengue. Nenhuma resposta foi obtida na secretaria tão “solícita”.

Proibição

Há uma portaria da Prefeitura proibindo o acesso de jornalistas às unidades mistas de saúde. Nelas, é proibido fotografar pacientes e médicos. O que Tadeu e Zeca Pinheiro querem esconder?

Para o presidente do Sindicato de Jornalistas do Maranhão, Leonardo Monteiro, os jornalistas prejudicados podem denunciar ao Ministério Público o cerceamento do livre exercício da profissão. “O MP é obrigado a tomar providências. Tem que invocar as autoridades. Querem descumprir os direitos democráticos”, indigna-se.

O jornalista Geraldo Castro lamenta a posição de alguns órgãos. “Essa é uma postura extremamente equivocada. Eles não podem sonegar informações”, protesta. Daniel Matos concorda. Jornalista e coordenador de redação de jornal local, ele critica o boicote. “Deveria haver consciência dos órgãos públicos de que eles têm obrigação de prestar esclarecimentos. Não só à imprensa, mas à população. Eles devem prestar serviços, e bons serviços, à população que os elegeu e merece essa satisfação. A censura só diminui a credibilidade que eles têm com a população. Esse tempo já passou. Tolher a liberdade de informação é um retrocesso”, critica.

Na última semana, outro boicote, desta vez na Secretaria das Cidades. Uma entrevista de Veja Agora com um assessor daquele órgão foi bruscamente interrrompida pelo secretário-adjunto Nelson Almada Lima, que abortou a entrevista de seu subordinado, recusando-se a dar informaç'ões sobre um projeto alardeado como sendo do Governo Estadual, quando, na verdade, é do Governo Federal.

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