* Jonas Costa
Por várias vezes, em vários bairros da cidade, fui abordado por empregados da limpeza pública, para pedir-me dinheiro ou ovos, para saciar a fome, e como nunca neguei uma ajuda a um pobre, principalmente um trabalhador, de pronto os servi, oferecendo-lhes ora dinheiro ora ovos, porque sei o quanto dói a fome, não por experiência própria, mas pelo fato de que existe, aqui em São Luís e no resto do Maranhão, um grande número de pobres e miseráveis. Porém isso, a meu ver, não é motivo de desonra, nem sinônimo de infelicidade. Pois todo pobre é digno de respeito, portador de enorme dignidade como qualquer outro. Logo, esses pobres trabalhadores da limpeza publica não podem ficar esquecidos, porque são iguais aos demais servidores quanto aos seus direitos.
Portanto, negar-lhes melhores condições de trabalho é reconhecer seus valores. Pois, na situação em que vivem, a entidade bem que poderia dar-lhes, diariamente, uma merenda pelo menos, inclusive água fria ou gelada, a fim de matar a sede provocada pelo calor e pelo cansaço e, assim, evitar que batam de porta em porta pedindo água para beber, já que, por vezes, não são atendidos. Que vergonha!
O fato de estes trabalhadores agirem dessa forma há uma explicação que só eu, talvez saiba, é que ao saírem de casa para o trabalho e nada levarem para comer, o motivo, segundo eles, é não deixar sua esposa e filhos com fome. Tudo isso se reflete no salário que ganham. Pois, na realidade, trezentos reais, ainda com os descontos normais, não é dinheiro suficiente para manter uma família, diante do alto custo de vida que ora enfrentamos, embora isso não signifique dizer que não esteja em conformidade com a lei.
Por outro lado, o ato de ajudá-los seria uma demonstração de reconhecimento e respeito àqueles que, de alguma forma, ajudam a melhorar o aspecto da cidade.Oxalá, isso aconteça!
* Jonas Costa é advogado