A demissão coletiva de 490 vigias das escolas do Estado não prejudicará apenas esses trabalhadores e suas respectivas famílias. Segundo o presidente do Sindicato dos Vigilantes do Maranhão (Sindvig-MA), Luís Gonzaga Sá, direta e indiretamente 3.500 pessoas serão atingidas.
“Se formos contar com o pessoal administrativo que há por trás desses vigilantes, o número de demissões pula de 490 para 540 demitidos. Somadas às empresas terceirizadas e as famílias de cada vigia, o número sobe para 3.500 pessoas prejudicadas”, explica Gonzaga Sá.
De acordo com ele, as demissões não são apenas uma hipótese, mas uma dura realidade. “A Secretaria de Educação do Estado nunca deixou claro como o serviço de segurança eletrônica iria funcionar nos colégios, mas nós sabemos que irão ocorrer demissões. A proposta da Seeduc é manter apenas 30% ou 60% dos vigias como agentes de educação. Isso nos deixa na mesma situação, porque esse tipo de cargo só pode ser preenchido por meio de concurso”, revela.
Gonzaga Sá continua afirmando que o modelo proposto pelo Governo não traz segurança e sairá mais caro do que a contratação de vigias. “Não estamos defendendo nenhuma empresa, mas nossos empregos e a segurança nas escolas. Colocamos outdoors pela cidade para tentar sensibilizar a mulher do governador Alexandra Tavares, mas ela não se mostrou sensível aos nossos apelos e parece que viajou de férias outra vez”, declara.
Segundo dados do Sindvig, trabalham nas escolas estaduais de quatro a dois vigias em turnos que variam de 12 a 24 horas. Eles são responsáveis pela segurança patrimonial e pessoal dessas instituições. De 2003 para cá já morreram três vigias vítimas da violência nas escolas. Na próxima terça-feira, os vigilantes vão se reunir com o pessoal da Delegacia Regional do Trabalho. Se nada for feito, haverá mais uma manifestação da categoria nas ruas da capital.
Ação já está em São Paulo
Na outra ponta da crise, os empresários da Associação Brasileira de Empresas de Vigilância Eletrônica (Abeve) ingressaram na última terça-feira com um mandato de segurança contra a decisão do Governo do Estado no que se refere às demissões de vigias das escolas estaduais. A ação pede suspensão das demissões, retirada dos equipamentos eletrônicos das escolas em que foram instalados e a realização de licitação.
Eles também decidiram pela criação da Associação Maranhense de Empresas de Vigilância Eletrônica (Ameve). “Agora é esperar pelo posicionamento da Justiça. A ação foi enviada para São Paulo porque é lá a sede da Abeve”, explica o delegado da associação no Maranhão, Gustavo Henrique Siqueira.
Uma viatura
Na semana passada, em entrevista ao apresentador Chico Viana, o secretário de Educação do Estado, Edson Nascimento, afirmou que a Seeduc teria feito doações de vários carros à Secretaria de Segurança Pública para que fossem utilizados em rondas nas escolas estaduais. Veja Agora procurou a Segup e confirmou que o secretário mentiu.
Segundo o comandante do Grupo Especial de Apoio às Escolas (Geape), tenente Jorge Antônio de Araújo, foi feita realmente uma doação, mas de apenas um carro Gol, para atender escolas estaduais, municipais e comunitárias dos municípios de São José de Ribamar, São Luís, Paço do Lumiar e Raposa.
A viatura teria sido repassada pela Seeduc no início do ano, no começo das atividades letivas, ou seja, há cinco meses. O tenente Araújo não quis tecer comentários sobre o procedimento de segurança adotado nas escolas do Estado, mas disse que a situação é delicada.