Por: Itamargarethe Corrêa Lima
Da Editoria de Polícia
O estado de sucateamento do Corpo de Bombeiro no Maranhão, sem dúvida, é um caso de polícia. O trabalho dos bombeiros é prejudicado pela deficiência e pela falta de equipamentos básicos, imprescindíveis para uma ação efetiva no combate a incêndios. As dificuldades para debelar grandes incêndios ficaram visíveis no sábado (16), quando em pouco tempo, o fogo destruiu um prédio de mais de 500m2, no bairro da Cohab, onde há seis anos funcionava a Champion Importados. O local, além da loja, também servia como moradia para a família do proprietário, Hamilton Abreu Coelho, 51 anos.
De acordo com informações de um oficial da cúpula do CB, que preferiu não se identificar, a quantidade de veículos para atender uma cidade com quase um milhão de habitantes, pasmem senhores, é de apenas cinco, todos sucateados e com anos de uso. Desses, dois estão quebrados, entre eles, o Ala, que tem capacidade para atender uma ocorrência de até 30 metros de altura, ou seja, um prédio de 10 andares. Os demais estão em uso, mas em condições precárias. Três ambulâncias, adquiridas no governo Roseana completam a frota.
Com mais de um século de existência, segundo o oficial, o CB nunca possuiu um veículo com escada magirus. O equipamento, que custa algo em torno de 3 milhões de dólares, é usado para combater incêndios em grandes alturas.
Diante da arquitetura moderna que vem se proliferando em determinadas área da capital, onde prédios de até 20 andares já podem ser encontrados, uma indagação não pode passar de forma desapercebida: Por que parte dos 30 milhões, gastos em mídia pelo Governo do Estado, não foi usado no reaparelhamento da frota e equipamentos ou, ainda, na aquisição de pelo menos um veículo com essa escada especial?
Ao perguntarmos como o CB agiria se fosse registrado um incêndio no 13º andar de um prédio, já que as condições existentes só permitiria a ação dos bombeiros até o 10º andar, o oficial sorriu e tentou justificar, alegando que a modernidade nas construções verticais ajudariam o trabalho dos bombeiros. "Antes da construção de qualquer edifício, a construtora elabora um projeto de combate a incêndio, o qual temos que aprovar. Entre as exigências, os edifícios devem ter canalização preventiva, escadas enclausuradas, porta corta-fogo, vias de escape, hidrantes, entre outros", disse. Com a resposta, ao certo, mesmo podendo contar com todos esses equipamentos preventivos, o oficial só não conseguiu responder como os bombeiros iriam chegar até a altura mencionada.
Diante da atual situação do Corpo de Bombeiros, pergunta-se: Como pode a Prefeitura de São Luís, responsável pela fixação da altura dos edificios permitir que se construam prédios onde, sabidamente, os bombeiros não conseguirão debelar incêndios por absoluta falta de equipamentos?
O outro lado
Apesar de admitir a falta de estrutura para debelar incêndios de grande porte, o oficial afirmou que os fatos não aconteceram da forma como foi noticiado. " Temos um quartel no CSU da Cohab, portanto, o carro não chegou com 15 minutos, mas sim com 4 ou 5 no máximo", disse ele. O coronel confirmou que o veículo quebrou, mas de imediato, um ABT, com capacidade para seis mil litros e o Aca, com 3 mil litros, foram para o local. Segundo ele, os veículos estavam abastecidos com a capacidade máxima permitida, entretanto, como a pressão das mangueiras usadas é de 40 a 60 libras, a vazão de água tende a ser muito rápida.
Quanto às mangueiras, conforme denunciado por testemunhas, que de tão velhas, as mesmas não suportaram a força da água acabando por rasgar, o oficial preferiu não se manifestar sobre o assunto. Em se tratando do valor do repasse feito pelo Governo do Estado ao Comando para operacionalização, o oficial não soube ou não quis falar sobre o assunto. Apenas limitou-se a dizer que, retratando a real situação, vários ofícios já foram encaminhados, mas nenhuma resposta, até o momento, foi dada. Procurado pela nossa reportagem, obtivemos a informação que o comandante geral, coronel Getúlio Pereira estava viajando para Imperatriz. Caso possa explicar, com a palavra, o governador constituído, José Reinaldo Tavares ou, ainda, a governadora interina, Alexandra Miguel.