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Fiema: Mohana lança desafio a Jorge Mendes


Fonte: Edição 02
Data de Publicação: 1 de julho de 2005
 
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Em entrevista ao Veja Agora, o candidato de oposição à presidência da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão – FIEMA Miguel Mohana, desafia o atual presidente e candidato à reeleição, Jorge Mendes, a retirar sua candidatura em prol da candidatura de um candidato neutro. “Lanço aqui um desafio ao sr. Jorge Mendes para que ele demonstre que não é apegado ao cargo e abra mão de sua candidatura em prol de um candidato de consenso. Aí vamos ter certeza de que ele não está querendo colocar a FIEMA em situação de vexame”, declara.

“Não sabemos onde pode parar essa briga”, continua Mohana. “Se Jorge Mendes não pensar direitinho isso pode ter conseqüências serissímas e vai manchar a imagem da FIEMA a nível nacional, adverte. O candidato refere-se ao processo que tramita na Justiça, no qual a chapa Afirmação, liderada por ele, contesta a elegibilidade do atual presidente. Segundo o candidato, desde 98 uma mudança no estatuto da FIEMA previu que não haveria mais reeleição na entidade. “Em 2004, o sr. Jorge Mendes alterou o estatuto ao arrepio da lei, de maneira, não diria fraudulenta, mas ilegal, para se beneficiar”, afirma.

Em função disso a chapa Afirmação entrou na Justiça.“O que se quer é um grupo de renovação. Se o natural seria a alternância, o sangue novo, porque esse apego? Não entendo porque todo esse apego do sr. Jorge Mendes ao cargo. Ele tirou 2 anos de mandato tampão. Foi reeleito por 4 anos. São 6 anos. Porque esse apego? Ele tem sede de não sair do órgão. O que tem lá de tão bom? pergunta. Mohana afirma desconhecer o orçamento da instituição, mas diz que existem orçamentos do SESC, SENAI e outros órgãos ligados à FIEMA. “Dizem que é muito alto”, ressalta.

O candidato diz que é contra a reeleição de Jorge Mendes, não à pessoa dele. O mesmo pensa em relação aos empresários. Acha que eles são contra o continuísmo. “Até onde sei Jorge Mendes é uma pessoa idônea”, declara. Diz que para salvaguardar a FIEMA desse desgaste público e nacional pelo qual a entidade está passando já havia sugerido que Mendes renunciasse à candidatura em prol de um candidato de consenso. “Ele não aceitou”, garante.

Sem representatividade

Mohana diz que uma das razões pelas quais é candidato à presidência da FIEMA é a natural alternância de poder que tem que existir em qualquer instituição. Ele acredita que a nova direção pode dinamizar o órgão muito mais do que hoje ela representa para os industriais maranhenses. “A representatividade não existe”, dispara. Para o candidato, a FIEMA se limita aos contatos com os sindicatos que a compõem.

“Não há contatos da instituição com os empresários. A FIEMA tem que ir aos empresários, não o contrário”, critica. Segundo Mohana, tem que haver uma presença marcante do órgão, objetivos mais fortes, bem definidos. “A FIEMA é uma entidade que congrega, ou deveria congregar, os empresários maranhenses através de seus sindicatos. Mas fica apenas em volta dos presidentes de sindicatos e mais nada. Não tem grandes seminários, não busca grandes empresários para discutir conosco. Perdemos, ou vamos perder, a siderúrgica, a refinaria de petróleo...O que a FIEMA tem feito? Nada!”, sentencia o candidato oposicionista.

Segundo o candidato, “a entidade não senta para discutir grandes projetos que poderiam ser a salvação do Nordeste, ou do Maranhão, um Estado pobre. Falta um presidente que tenha a determinação de mobilizar a classe empresarial e defender os interesses do Estado. O industrial maranhense é órfão”, declara. “A defesa da classe industrial, da busca de investimentos, não existe na FIEMA . Não tem política, não tem competência. O Maranhão tem o Porto do Itaqui, a ferrovia, terra fértil...devia estar em um patamar muito superior”, avalia Mohana. “Falamos de refinaria e siderúrgica há quantos anos? Há uma discussão em relação à área de implantação da siderúrgica. E aí? A FIEMA não se pronuncia em nada”, denuncia.

E continua. “O Maranhão é um estado de potencial tão grande. E o que existe? Para podermos exportar containers temos que fazê-lo pelo porto de Belém; o Porto do Itaqui não exporta. Porque não tem produção. Nós desconhecemos que o Estado tenha um secretário ou um gerente de Indústria e Comércio. Não sabemos se existe. Não se faz presente. Não convocou os empresários. Não sentou para discutir para que veio”.

Problemas e propostas

Mohana explica que são os presidentes de sindicato ou delegados indicados pelos sindicatos que votam na eleição para a presidência da Federação. “O que parece é que os presidentes de sindicatos são importantes na época de eleição. Depois cai na rotina. Queremos mudar isso”, afirma.

Também pretende abrir a FIEMA para registrar o maior número possível de sindicatos representativos. “Hoje não se consegue filiar um sindicato no órgão. É para manter a “igrejinha”, ter controle”, declara.

Miguel Mohana diz que atualmente são 22 sindicatos fazendo parte do sistema. E alerta. “Temos que saber quais os que são regulares e quantos estão irregulares”. Mohana afirma que tem dados comprobatórios de que vários sindicatos estão irregulares. “Uns dez,” acredita. Fala de pessoas que não pertencem à classe industrial e que estão na chapa de Jorge Mendes. “Pessoas que não são industriais não podem concorrer a cargos eletivos. Na hora oportuna faremos as denúncias”, garante.

“Queremos a renovação”, defende. “Tentar trabalhar uma parceria com empresários que atenda às necessidades da indústria. Queremos que a FIEMA se torne marcante na influência até na área governamental, se preciso for. Queremos buscar junto ao Governo do Estado influenciar na definição de metas, de projetos importantes para o crescimento do Estado. Investimentos de bilhões de dólares não são tratados como deveriam e a FIEMA está alheia a isso”, denuncia. Queremos profissionalizar a FIEMA, e não fazer dela um cabide de empregos”, finaliza.

Eleição está sub judice

A eleição na Fiema está sub judice desde fevereiro, quando a Justiça Comum do Maranhão determinou a suspensão do processo eleitoral. Em seguida a Justiça do Trabalho mandou que a eleição se realizasse. Com o conflito a disputa foi parar no Superior Tribunal de Justiça – STJ, que na quarta-feira, dia 22, decidiu que a competência para julgar as questões relacionadas à eleição da Fiema é da Justiça do Trabalho. Estão na disputa dois candidatos: Jorge Mendes, atual presidente e que busca o terceiro mandato, e Miguel Mohana, pela oposição.

A Fiema é composta por 22 sindicatos filiados e está vinculado às entidades do Sistema S (Sesi e Senai).

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