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Profissão: servir. Uma imprensa a serviço da fraude


Fonte: Edição 03
Data de Publicação: 3 de julho de 2005
 
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Em suas edições do dia 26 de junho os jornais O Imparcial e Jornal Pequeno mostraram a quantas anda o seu comprometimento com o atual governo, atolado em denúncias de corrupção e às voltas com processos por causa do escândalo das estradas fantasmas e das pontes superfaturadas. O Imparcial e o Pequeno assumem, em letras garrafais, que deixaram de lado o bom jornalismo - se um dia já o praticaram - para prestar ao palácio alexandrino um serviço pouco recomendável: propagar o que não pode comprovar.

As pontes que o Imparcial e o Pequeno dizem que estão prontas agora deveriam ter sido feitas desde o ano passado. O Governo do Estado pagou antecipado às construtoras, incluindo a Petra e a Gautama. Ou seja: dinheiro adiantado para uma obra que não foi feita, tendo sido começada somente após as denúncias da mídia (não a deles). Repetindo: as pontes já estavam pagas e não havia, quando ocorreu a denúncia, nenhum serviço nos locais. Só depois que a bomba estourou é que o governador acordou e mandou fazer as obras.

Não é difícil entender qual a estratégia do governo e de sua imprensa bem paga: as pontes feitas com atraso e acima do preço têm suas fotos publicadas nos dois jornais e um relatório das obras é forjado para que sirva de peça de defesa, que será juntada ao processo. É o que fica fácil perceber no comportamento dos dois jornais. Ambos submetem suas histórias para servir ao propósito do governo de burlar a opinião pública e tentar confundir o entendimento do Ministério Público e, quiçá, do tribunal.

O Pequeno e O Imparcial publicaram a mesma matéria, mexendo apenas em alguns trechos, para tentar dar roupas diferentes ao mesmo defunto. Tudo produzido pela Assessoria de Imprensa do Governo do Estado, já que os dois jornais fazem parte da “redinha” reinaldista. Em O Imparcial um profissional tem a missão especial de dar uma conotação de reportagem a relatórios prontos e encomendados para atacarem adversários ou elogiar o governador, mesmo que seja, como no caso das pontes, desmentindo o indesmentível.

Pontes superfaturadas
As pontes que a "imprensa oficial" de José Reinaldo dá como concluídas ou que estão em construção fazem parte da lista de obras contratadas acima do preço. De acordo com uma tabela elaborada pela própria Secretaria Estadual de Infra-Estrutura o superfaturamento das pontes chega, em alguns casos, a 156%. A mais emblemática é a ponte sobre o Rio Barro Duro, que está sob investigação federal porque teria sido paga com recursos da Cide (o pagamento à Construtora Gautama foi feito antes do Natal do ano passado, quando nem o canteiro de obras estava montado). O preço contratado para essa ponte foi de R$ 1.860.056,22 quando, seguindo a tabela da Sinfra, ela não passaria de R$ 915.147,66: 103% a mais.

A outra ponte comemorada pelos dois jornais reinaldistas, construída depois de paga está sobre o Rio Coqueiro, na localidade de Baixão, em Água Doce.
Custou R$ 1.005.441,10 - 30% acima dos preços-referência da Secretaria Estadual de Infra-Estrutura. As que ainda estão em "fase de conclusão" sobre os rios Carrapato (Tutóia) e Formiga (Paulino Neves) não poderiam custar mais do que R$ 925.340,24 e R$ 910.898,68, segundo a tabela da SINFRA, do Governo do Estado, mas foram contratadas com sobrepreço de 99% e 112% , respectivamente. Isso, os dois jornais, o repórter de profissão e Lourival Peta Bogéa não explicam. Não ganham para isso.

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