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Siderúrgica em São Luís


Fonte: Edição 03
Data de Publicação: 3 de julho de 2005
 
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Se depender das audiências públicas assunto vai se esvaziar


Apesar da polêmica que envolve o projeto de instalação do Pólo Siderúrgico em São Luís, a audiência pública que tratou da mudança na Lei de Zoneamento de São Luís, e que teve lugar na Câmara de Vereadores na última quinta-feira, contou com a presença de apenas um terço dos representantes da Câmara, nenhum representante da Prefeitura ou da Companhia Vale do Rio Doce, o que mostra o pouco interesse das autoridades em discutir a questão. A mudança da Lei prevê a alteração da Zona Rural, (localizada na área do Itaqui-Bacanga, próxima ao Rio dos Cachorros), para Zona Industrial, uma das condições para a instalação da indústria no local.

O desinteresse é motivo de protesto por parte de Máxima Pires, presidente da Associação de Moradores de Rio dos Cachorros, que considera a ausência grave. “Tinha que ter a presença do poder executivo municipal para discutir com a população e os vereadores”. Máxima diz que é preocupante a ausência dos representantes da Prefeitura. Eles não compareceram a nenhuma audiência. E nem justificaram a ausência, reclama.Ressalta que a Vale não se fez presente mas justificou a ausência.

Para a presidente, a participação das comunidades envolvidas tem sido positiva. De acordo com Máxima, são 11 as comunidades. No documento do governo diz que são 14.400 pessoas, mas acredito que tem mais, diz. Máxima afirma que conheceu a área onde o governo pretende assentar as pessoas deslocadas. “Fica a 4 km do lixão da Ribeira. Não tem energia. É um desconforto”, analisa.

Impacto ambiental

Segundo o advogado Guilherme Zagallo, do Movimento Reage São Luís, mais três audiências estão previstas para acontecer - uma no Maracanã, outra no Rio dos Cachorros e outra na Vila Maranhão. “A expectativa é que a Câmara não autorize essa instalação, porque o Estado ainda não apresentou um estudo do impacto ambiental que aquela área pode sofrer com a instalação do Pólo, com uma indústria comprovadamente poluente. É uma das indústrias mais poluentes, que causa grande aumento de doenças, aumento de mortalidade, aumento de incidência de câncer - tanto de incidência quanto de mortalidade, doenças de pele, doenças respiratórias, além de prejuízo ao meio ambiente de modo geral”, alerta.

Zagallo acha que a indústria pode vir para o Maranhão, “mas não ser dentro da ilha de São Luís, ser instalada no continente, como aliás o governo do Estado defendia em 96, quando fez o plano diretor do distrito industrial e recomendou que esse tipo de indústria, siderúrgica, fosse instalado fora da Ilha”.

Além do impacto ambiental, Zagallo chama a atenção para o impacto social que a instalação da usina no local causará: “A área não está desocupada. A área é ocupada com 14.400 pessoas, pescadores, pequenos lavradores, e que vão sofrer muito com a remoção da área. São Luís é uma ilha de densidade populacional grande, não tem condições de fazer o reassentamento de todas essas pessoas nas mesmas características que elas têm hoje. Então é certo que vamos ter grandes prejuízos”.

A Vale está falando em duas áreas, mas ela só tem um convenio com o governo do Estado para uma área de 1000 hectares. Nós gostaríamos de saber com autorização de quem ela fala em duas áreas. Mas o projeto que veio para a Câmara não prevê duas; prevê até três; mais duas usinas de ferrogusa. Então possivelmente a Vale, apesar de não ter assinado convenio, deve ter autorização de alguém. O prefeito ou o governador podem dizer se essa autorização existe ou não.

Entusiasmo e preocupação

Segundo o representante do governo do estado, Deusdedith Evangelista, a área hoje denominada Zona Rural na Lei de Zoneamento de São Luís era área industrial. A Prefeitura, quando fez o Plano Diretor, em 1992, transformou a área em Zona Rural, diz. Deusdedith chama a atenção para a logística da área. Ressalta a existência da ferrovia “uma ferrovia enorme”, do Porto do Itaqui, de minério...

Deusdedith garante que para “qualquer empreendimento desse porte, para se implantar na Ilha, tem que apresentar o estudo de impacto ambiental. Esse estudo tem que ser apresentado pelos empresários. A discussão atual é sobre a mudança do uso e ocupação do solo”, ressalta. Deusdedith garante que o Estado é neutro com relação à implantação da siderúrgica.

Nas ruas, a situação é diferente. Muitos vêem com entusiasmo a vinda do Pólo Industrial para São Luís. O entusiasmo se deve à expectativa com relação à geração de empregos esperada com a implantação. É o caso de Bruno Lopes, comerciante. O rapaz acredita que o Pólo vai trazer muitos empregos para a população de São Luís e desenvolver a cidade. Mesma opinião tem o vendedor José Mendes. Para o rapaz, não só para o ramo em que ele trabalha, mas para o mercado em geral, vai ser uma revolução, um investimento para o Estado.

A presidente da Associação de Moradores de Rio dos Cachorros não compartilha com esse entusiasmo. Máxima conta que nasceu no local, há 46 anos. “Meu pai nasceu aqui, meu avô também, diz. Me preocupo se acontecer a retirada. Penso nas pessoas que nasceram no local, que têm suas raízes lá. Aqui temos problemas com as usinas que ficam próximas, com o Matadouro, mas todo mundo planta. Plantamos mandioca, arroz, quiabo... A terra é nossa mãe, defende. Sentimos como se fossem nos abortar daqui”, finaliza.

Nas ruas maioria quer a siderúrgica

Veja Agora foi às ruas ouvir o que a população pensa sobre a instalação do Pólo Siderúrgico em São Luís. Confira algumas respostas:



'“Acho que tudo que pode aumentar o número de empregos numa cidade é bom. Mas tem que beneficiar as pessoas da cidade. Estou escutando por aí dizerem que vem muita gente de fora para trabalhar dentro da siderúrgica. Se for desse jeito acho que não dá muito certo”.
Verena Lima – estudante

“Tem o aspecto bom e o negativo. O bom é que vai ter muito emprego. O lado ruim é que se não tiver um bom planejamento quanto ao meio ambiente, quanto a esse monte de gente que vai ficar sem casa, esse é o lado ruim. A vinda da siderúrgica vai trazer benefícios para São Luís, vai dar uma diversificada.”
Jorge Araújo – turismólogo

“Acho que vai ser muito bom para nós. Vai trazer muitos empregos. Espero que seja para nós mesmo. Às vezes vem, mas para o povo de fora. Tudo está indicando que vai ser uma boa”.
Ilma Maria Silva – comerciante

“ Se for para empregar o povo daqui de São Luís, eu acho válido. Acho muito bom porque aqui não tem emprego. Tem muita gente desempregada, sofrendo. Se vier, porque ainda não estou acreditando muito, vai ser maravilhoso”.
Rosa Brandão – secretária

“Acho que vai ser uma boa, que vai trazer bastante emprego. A cidade precisa. Tem muita gente desempregada.”
Flávio Martins – vigilante

'“Acho que é uma boa porque vai gerar mais emprego, mas para o lado ambiental vai ser meio ruim”.
Leandro Sá - estudante

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