Por: Itamargarethe Corrêa Lima
Da Editoria de Polícia
Porto do Itaqui é ponte com o mercado europeu, diz Polícia Federal
Manjar ou veneno? Hábito natural ou desvio da sociedade moderna? Não há resposta certa ou fácil quando o assunto é droga. A cada segundo uma pessoa diferente satisfaz a curiosidade de saber qual a sensação provocada pelas drogas. A realização do que no princípio intitula-se curiosidade, mas em seguida, torna-se um pesadelo, é responsável pelo aumento assustador da distribuição de toneladas e toneladas de drogas nos quatro cantos do planeta.
No Maranhão, os números das apreensões falam por si só.
no ano passado 346 quilos foram apreendidos no total, sendo 204 kg de maconha e 142 kg de cocaína. Só nos primeiros seis meses deste ano, esse número já ultrapassa 343 quilos, entre coca, maconha e merla. Além da maconha e de cocaína apreendidas, em 2004, a Polícia Federal erradicou 12 plantios de maconha, 105 mil e 751 pés e 50 mil 300 mudas da droga, além de apreender 507 frascos de lança perfume e prender 23 pessoas.
O aumento significativo nos dados, segundo o superintendente da Polícia Federal no Estado, Leônidas Caldas, está relacionado com a posição geográfica e o volume de exportação do Porto do Itaqui. “ Esses dois fatores, nos últimos anos, tornou-se um atrativo para as organizações criminosas que passaram a ter mais uma opção no vasto leque de escoamento da droga. Elas incluíram a capital maranhense na rota do tráfico internacional”, declarou o superintendente.
O Porto do Itaqui, de acordo com o Superintendente da PF, serve como elo de ligação entre o Brasil e a Europa, considerado o maior mercado consumidor de drogas na atualidade. “ Vários carregamentos foram interceptados antes de embarcar em navios ancorados no porto. Entretanto, no curso das investigações, conseguimos identificar qual o destino seria dado à mercadoria.
Três fatores aparecem como complicador no nosso trabalho: o volume de exportação, o porte dos cargueiros, como disse antes, e o número limitado de policiais, mesmo assim, estamos conseguindo um resultado satisfatório. ”, declarou.
Além do trabalho de apreensão que, segundo o superintendente, não deixa de funcionar como repressivo, sempre que solicitada, a Polícia Federal está proferindo palestras em escolas da capital. O objetivo é educar os jovens sobre os perigos que o uso de qualquer substância entorpecente trazem para a vida das pessoas. “ Os resultados estão sendo satisfatórios, no entanto, os reflexos só poderão ser contabilizados a longo prazo”, informou. A realização de barreiras, mesmo que eventualmente, também é usada como forma repressiva.
Onde o poder do tráfico é maior
As grandes apreensões de droga feitas em São Luís são feitas em hotéis, pousadas, chácaras e sítios afastados da cidade, antes que o carregamento chegue ao seu destino final. Mas o poderio do tráfico está mesmo nos bairros, onde ocorre a distribuição. Segundo o superintendente da PF no Maranhão a distribuição tem como pontos fortes os bairros do Barreto, Bairro de Fátima e Alemanha. “Hoje, nesses três bairros, está concentrando o maior número de distribuidores de drogas. Geralmente, nas apreensões realizadas, dificilmente conseguimos prender os ‘cabeças’. As pessoas flagradas são os chamados ‘aviões’ ou ‘mulas’, cuja função dentro da organização criminosa é de transportar a droga”, finalizou Leônidas Caldas.
Dispondo de verdadeiros exércitos privados e de armas modernas, as organizações do tráfico estão também por trás do aumento da violência nos países onde são mais atuantes. No Peru e na Bolívia, assim como na Colômbia, o tráfico de drogas está presente na vida nacional e envolve tanto as instituições do Estado como as guerrilhas de esquerda. No Brasil, segundo dados do Ministério da Justiça, cerca de 56% das chacinas ocorridas nos quatro cantos do País estão ligadas ao tráfico de drogas.
A venda de droga movimenta anualmente US$150 bilhões, esse montante significa metade do que gera a indústria farmacêutica. No Brasil, cerca de 8 milhões de pessoas já se tornaram dependentes. Diversas organizações criminosas gerenciam o mercado de drogas no mundo. Na América Latina são chamadas de cartéis; na Ásia, de tríades. Na Federação Russa e nos Estados Unidos, o tráfico é controlado pelas máfias. Essas organizações se caracterizam por um controle centralizado nos altos escalões e por uma divisão de funções nos níveis mais baixos. Empregam pessoas especializadas para atuar nas diferentes etapas do tráfico, como químicos, pilotos, peritos em comunicação, contadores, advogados, seguranças e assassinos profissionais.
Maior Apreensão
De acordo com informações da Polícia Federal, a maior apreensão de cocaína registrada até hoje no Brasil, aconteceu na cidade de Guaraí, no interior do Tocantins, em junho de 1994. Foram cerca de 7 mil e 300 quilos do pó. Na época, os vinte homens envolvidos no tráfico foram presos em flagrante. As penas variaram de 3 a 19 anos de cadeia. No Maranhão, a maior apreensão ocorreu em 2001, quando a PF localizou em um iate na Ponta d´Areia, mais de 500 quilos de cocaína, oriunda de São Paulo. A droga seguiria para a Europa pelo porto de Amsterdã, na Holanda. Na ocasião, cinco pessoas foram presas, entre elas, um casal Belga.