Cada vez mais empresas optam pela panfletagem como meio de divulgação
Com um mercado de trabalho cada vez mais exigente e um número limitado de oportunidades, grande parcela da população acaba recorrendo a empregos que oferecem pouca estabilidade e baixa perspectiva profissional mas garantem uma renda mínima mensal. A panfletagem, atividade que consiste na distribuição de folhetos publicitários ou “folders”, está em evidência em São Luís. Atualmente, é quase impossível andar pelas ruas do Centro da cidade e não perceber a ação dos chamados “panfleteiros”.
O estudante do ensino médio Dadson Pinto, de 20 anos. Diz que para ele, trabalhar na área representa uma oportunidade de sustentar a família. “Eu estou nisso porque tenho uma filha para criar, é um jeito de ajudar. Ganho aqui de dez a quinze reais por dia”, afirma. Funcionário da empresa Servecred há dois meses, apesar de trabalhar quase o tempo todo na rua Dadson espera crescer na empresa e, quem sabe, cursar administração na UEMA.
O trabalho é de geralmente oito horas diárias e exige paciência, principalmente por se tratar de uma atividade em que o contato com o público é constante. Segundo o distribuidor de panfletos Sandro Gaspar, de 20 anos, a panfletagem é um trabalho difícil. “A maioria das pessoas aceita os folhetos, mas algumas reclamam e são agressivas, nos acusando de sujar a rua”, ressaltou. Sandro recebe cinqüenta reais por semana e enquanto distribui folhetos sonha ingressar no ensino superior. “Quero fazer Matemática”, diz, confiante.
A panfletagem é um atrativo para pessoas mais jovens, que não têm acesso a melhores perspectivas profissionais. Carol Lima, de 18 anos, é estudante do ensino médio e diz que o trabalho não foi uma opção. “Não estou aqui porque quero. Mas, ganho dez reais por dia e esse dinheiro me ajuda muito”, afirmou.
Atualmente, ter um diploma de graduação em curso de nível superior já não garante acesso a um emprego estável. Claudino Serra Neto, de 26 anos, formado em Ciências Contábeis é prova das dificuldades encontradas pelo profissional no mercado de trabalho. Caracterizado, vestindo as cores do Pan Americano, ele distribui panfletos da empresa na Rua da Paz, no Centro. Claudino diz que a panfletagem é um recurso para quem está fora do mercado. “Estou aqui por falta de emprego mesmo. Minha vontade é trabalhar na minha área”, desabafa. Ele diz que não se acomodou à atividade e que, no momento, está se preparando para prestar Concurso Público.
A panfletagem começa a conquistar espaço também nas Agências de Emprego da cidade. A Gelre por exemplo, informou que, recentemente, realizou processo seletivo para o preenchimento de três vagas para a distribuição de folhetos de uma Instituição Financeira.
Publicidade eficiente
Quem utiliza a panfletagem como meio de divulgação parece não reclamar dos resultados: a divulgação através de panfletos é mais acessível do que a publicidade veiculada nos meios de comunicação de massa. A atividade tem atraído principalmente a atenção de empresas que oferecem crédito pessoal, , com a Servecred.
De acordo com a Gerente da Servecred Roseane Rodrigues, a atividade tem gerado excelentes resultados, de forma que se tornou imprescindível para a gestão eficiente da empresa. “As pessoas já vêm aqui com o folheto em mãos. É um meio barato e eficaz de fazer propaganda”, diz.
A coordenadora de crédito pessoal do Banco Pan Americano Antônia Melo, acredita que o serviço é um excelente veículo de propaganda. “A panfletagem é uma atividade que colabora muito para a divulgação dos serviços da empresa. Se a gente não divulga, nada aqui funciona”, disse. A coordenadora alerta para um problema que há muito tempo ocorre no centro da cidade. “Nós também deixamos esses folhetos nos balcões das empresas, para não sujar a cidade”, disse a coordenadora.
Vilões da limpeza?
'“Panfleteiro” se tornou sinônimo de “vilão”, quando o assunto é limpeza pública. Quem distribui panfletos nas ruas é muitas vezes vítima de preconceitos, acusado de contribuir para o acúmulo de lixo nas ruas. Gil da Silva, de 23 anos, atenta para a principal dificuldade do trabalho. “Algumas pessoas mandam a gente procurar o que fazer. Dizem que nós contribuímos para a sujeira, mas são eles que sujam a cidade”, diz. Gil acrescenta que sempre distribui panfletos em locais estratégicos, próximos de uma lixeira.
O conflito que envolve panfleteiros e pedestres ainda inclui outro público. Para quem lida diretamente com a limpeza das ruas do Centro, a panfletagem é um problema. A Agente de Limpeza Mercês Barros, de 34 anos, diz que grande parte do lixo retirado das ruas é composto de papéis. “Acho que as pessoas não colocam no lixo porque não querem”, disse. A também Agente de Limpeza Cleunice Ribeiro, de 31 anos, afirma que os maus hábitos das pessoas associados à distribuição de panfletos têm prejudicado a rotina de quem limpa as ruas. “Se acabassem com isso o serviço da gente seria mais fácil. Não é nem culpa dos panfleteiros, acho que falta consciência nas pessoas”, disse.
O cozinheiro Jaldenir Couto, de 32 anos, não acredita que a sujeira seja provocada pelos panfleteiros. “Isso independe da entrega, as pessoas tem que ter consciência”, afirmou.