A distribuição de folhetos publicitários remete a outros tempos, em que vendedores de São Luís utilizavam a voz para anunciar produtos. Eram os “Pregoeiros”.
A palavra pregoeiro vem de alardear, anunciar. Os pregoeiros ficaram conhecidos em São Luís a partir do século XIX. Anunciavam seus produtos ou os de outrem de forma poética, por versos muitas vezes musicalizados. Produtos como o caranguejo, o camarão, o mingau de milho e a juçara foram comercializados na cidade por Pregoeiros, décadas atrás. Havia também Pregoeiros que vendiam todo o tipo de objetos místicos, como ervas bentas e objetos milagrosos.
Alguns Pregoeiros, ao invés de vender, adquiriam produtos. Eram os garrafeiros e os “compra tudo”, que compravam garrafas velhas para então revendê-las nas fábricas de bebidas.
Os Pregoeiros tiveram grande importância na economia de São Luís no séc. XX, já que tinham a função de abastecer a cidade. Sua história ficou registrada nas obras de escritores de todo gênero. Hoje, essa forma de anunciar produtos e serviços é mais comum com os vendedores de cuscuz e pamonha.
Com as facilidades do mundo moderno e informatizado, a voz foi aos poucos sendo substituída pela escrita. Hoje, é possível imprimir a baixos custos e em grande quantidade os chamados “folders”, folhetos publicitários criados e editados em microcomputador. A “confusão de vozes”, criada pelas vozes de pregoeiros anunciando vários produtos ao mesmo tempo, deu lugar à “confusão de papéis”.
Para quem viveu o tempo dos pregoeiros, como o engraxate João Menezes, de 72 anos, a panfletagem é um momento de nostalgia. Um anúncio das tecnologias do novo século e, ao mesmo tempo, da perda da arte de usar a voz para persuadir e encantar. Para ele, os panfleteiros têm algo em comum com os antigos Pregoeiros: a honestidade. “Toda pessoa que trabalha contribui para a sociedade. E para quem gosta de trabalhar, sempre tem trabalho”, diz, se dirigindo aos que reclamam do desemprego. Engraxate desde os oito anos de idade, ele apóia a panfletagem e não atribui aos profissionais do ramo o acúmulo de papéis nas ruas da cidade.