Descaso da prefeitura leva moradores ao desespero e até a Polícia foi acionada
O descaso a que estão relegadas as vilas Mauro Fecury I e Mauro Fecury II provocou, na última sexta-feira, um grande protesto por parte dos moradores da área. Insatisfeitos com a indiferença do poder público em relação aos problemas enfrentados pela comunidade, populares atearam fogo a pneus, madeira e outros materiais nas principais avenidas do local, interditando o trânsito nas mesmas. O protesto chamou a atenção das autoridades e no local podiam ser vistos carros de polícia, bombeiros e viaturas da Prefeitura.
A insatisfação da comunidade é antiga, asseguram os moradores. Segundo Felicíssimo Machado, morador da área há 19 anos e atual presidente da Associação de Moradores do bairro são “19 anos de problemas. Já enviamos vários ofícios para a SEMSUR e nada”, reclama. Todo ano renovamos os ofícios.
Os ofícios tratam da urbanização do bairro, cujas avenidas colecionam buracos. Se melhorarem as ruas, melhoram também o acesso da polícia, garante, ressaltando que um dos problemas graves do local diz respeito à segurança.
O morador não é o único a reclamar. Quem também fala da falta de segurança na área é o candidato a presidente da Associação de Moradores, Carlos Fernando, o Nando. Além da segurança, Nando cobra do poder público a pavimentação das ruas, saneamento básico e educação. Pagamos os mesmos impostos dos outros cidadãos. Porque não temos os mesmos direitos, questiona.
“O protesto é para chamar a atenção do prefeito para a situação do nosso bairro, diz. Aqui não temos pavimentação, não temos segurança, educação, nem saneamento. Os prefeitos só prometem melhorar; e nada. Só aparecem aqui em época de política. Tem uma escola do município no bairro que está em construção. Mas no papel ela já está pronta. E o dinheiro sumiu”, denuncia.
“A Prefeitura só cuida do Centro e da área nobre da cidade. Esquece os moradores de baixa renda. Na Vila Mauro Fecury II não temos nenhuma escola. E são 15 mil habitantes no local. A única escola da Mauro Fecury I é a que está em construção”, reclama.
Chamado para o local do protesto, o titular da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, Carlos Rogério, anunciou o início dos trabalhos de pavimentação das ruas. “As máquinas começam a trabalhar hoje mesmo”, garantiu.
As mesmas praças, o mesmo abandono
Praça Gonçalves Dias, 4h30min da tarde, casais de namorados e amigos circulam apreciando a beleza da Beira Mar. Praça do São Francisco, 4h30min, um sapateiro conserta sapatos velhos e flanelinhas disputam os carros que se aproximam para estacionar no canteiro. Praça Benedito Leite, flores desabrocham e turistas tiram fotos. Praça Catulo da Paixão Cearense, barraquinhas de vendedores ambulantes "enfeitam" o lugar, enquanto motoristas de táxi reclamam da falta de segurança.
Esse é o retrato das praças públicas de São Luís: enquanto algumas resplandecem após reformas proporcionadas por convênio entre Prefeitura e empresas particulares, outras sucumbem ao peso do abandono e falta de conservação.
A praça mais conhecida da capital, a Deodoro, já passou por reformas, mas seu estado atual é mais ponto comercial do que de uma via para visitação pública. "Eu bem que queria sentar em um banco e ficar observando as pessoas passarem, mas aqui é impossível. Sempre tem um assalto ocorrendo e o comércio, ainda que organizado, tiram toda beleza daqui", diz a professora primária Elisângela Oliveira, moradora do Anjo da Guarda.
Na praça da Bíblia, localizada próximo ao Canto da Fabril, o estado de abandono é tamanho que dois hippies fizeram do coreto um dormitório particular. "A Prefeitura ainda não incomodou a gente, mas na hora que eles quiserem, a gente sai. Enquanto isso, a gente vai morando aqui, não tem outro lugar", afirma o hippie Epaminondas Pinho Coelho.
O morador Otaviano Costa Máx conta que desde criança freqüenta o lugar e lamenta sua condição atual. "Além de reformas, a praça está precisando de um posto policial. Aqui é um lugar perigoso para a comunidade", diz.
Não tão longe dali, na praça da Vila Bangu, o quadro também não é animador. "Fizeram a praça de qualquer jeito e nem inauguraram. A gente queria que esse espaço fosse transformado em um Viva. Nós merecemos essa consideração por parte do poder público, não é?", indaga Willyam Corrêa Costa, morador há 42 anos da Vila Bangu, circunvizinhança da Camboa.
A praça da Creche, também localizada na Camboa, é outro exemplo do abandono. Os bancos servem de "cama" para os carroceiros que "estacionam" suas carroças no lugar. Há lixo nos canteiros e as árvores precisam ser podadas.
Sem comemoração
No dia 9 de setembro, a praça Catulo da Paixão Cearense estará completando 44 anos de existência. A data talvez passe em branco. Só não é possível esquecer que o lugar está praticamente jogado "às cobras" como definiu o motorista de táxi, Maurício Inácio Borges.
"Se tem um bueiro aberto na porta do estádio Nhozinho Santos, imagina se vão ter cuidado com a praça. Só o que fizeram aqui, foi tirar as barraquinhas de comida caseira, o que só serviu para atrapalhar a vida de quem trabalha aqui por perto", queixa-se o taxista. As barracas de lanches foram retiradas, mas as de venda de churrasquinho, bombons e lanches continuam na ativa.
A Prefeitura de São Luís foi procurada por Veja Agora para se pronunciar sobre a situação das praças públicas da capital. Segundo a assessoria de comunicação do Município, nem os assessores nem o secretário da Secretaria Municipal de Terras, Habitação e Urbanismo foram encontrados para se pronunciarem sobre o fato.
Banca de sapateiro
Há 17 anos, o sapateiro Evandro Fonteneles de Castro acorda cedo e vai para o seu ponto de trabalho: a Praça do São Francisco. "O pessoal do Município já tentou me tirar, mas como eu não tenho outro lugar para instalar a minha banca, vou ficando por aqui mesmo. Afinal preciso ganhar o pão-nosso-de-cada-dia", argumenta.
Além da banca do sapateiro, o lugar também é disputado por um ponto de táxi, uma barraca de venda de bombons, um trailer de guaraná da Amazônia e dezenas de flanelinhas. "É uma tristeza o que estão fazendo com essa praça. Esse sapateiro espalha o material dele e não está nem aí para quem passa. Acho que ela merece uma reforma por parte da Prefeitura", opina a dona-de-casa Ana Tereza dos Santos.
Inaugurada em novembro de 1983, na administração do prefeito Mauro Fecury, hoje a praça é identificada nos registros municipais com o nome de Nauro Machado, em homenagem ao poeta maranhense.