Por: Jonas Costa*
Não resta dúvida que a democracia é um processo de lento amadurecimento. Mas pelo tempo que foi consagrada a forma democrática de governo no país, já era para ser mais conhecida e ter maior fidelidade. Enquanto isso, o povo se educa e aumenta sua capacidade crítica, em razão das decepções e esperanças tantas vezes frustradas. Para que haja, de fato, uma transformação radical em nossa política, ora conturbada por uma sucessão de episódios antidemocráticos, necessário se faz uma mobilização popular, não apenas no sentido de apoiar tal movimento, mas também evitar que volte, como no passado, as dificuldades da vida, desprezando o destino da Nação em mãos de uma minoria de políticos mais preocupados com seus interesses do que com a situação do povo que apresentam.
Finalmente, começou a existir uma significação mais precisa da vida política nacional, cuja linha de ação se engaja num movimento de mudanças das estruturas políticas, econômicas e sociais, como se estivesse acontecendo um processo de conscientização, que significa uma ação pendente a despertar no povo a consciência de sua dignidade, de seus direitos e da situação de contraste contra esses direitos e a situação de pobreza e injustiça a que estava reduzido.
Tudo isso reunido, mostra os motivos por que a democracia é um ideal do qual distam desigualmente os diversos países, em função do nível do seu desenvolvimento político. Por isso é que o Brasil precisa mudar, mudar para avançar e não recuar democraticamente, porque, do contrário, será deixar de ser um fator eficaz na preparação para a realização sempre menos imperfeita ao ideal democrático. A única condição de superar progressivamente essa distância é uma fidelidade mais construtível ao ideal democrático. Pois a democracia e a única escola autêntica da democracia, no sentido de que só se pode aprendê-la, exercendo-a sempre com respeito e honestidade, apesar dos riscos e imperfeições, e da mesma forma que só se pode assumir dignamente um cargo ou função com a obrigação de responder pelos seus atos e pelos atos dos outros. Porque, uma vez no poder, os representantes eleitos sabem encontrar mil maneiras de burlar as responsabilidades assumidas com seus eleitores e visar mais os seus interesses que os deles.
Agora pergunto: assim é possível superar o subdesenvolvimento? Claro que não, porque essa forma desonesta e impune, como se estivéssemos num regime totalitário, só tende a enfraquecer a democracia; tirar do nosso povo, que já está acostumado com os mecanismos democráticos, o respeito ao direito e de fato aos direitos fundamentais da pessoa, como, liberdade de pensamento, liberdade de expressão, liberdade de imprensa e de outros meios de comunicação, liberdade de associação, liberdade de locomoção.
Enfim, o único meio que vejo, no momento, para mudar essa situação de instabilidade política e democrática no país é fazer-se todas as reformas políticas, inclusive a moral, entendida como uma doutrinação que inculque a resignação e o respeito à ordem.
* Jonas Costa é
advogado
Fone: 3236-5742
e-mail:
jonas.jesus@terra.com.br