Presos de diversas delegacias voltaram a denúnciar a péssima alimentaçãonos cárceres do estado, que incluem desde o fornecimento de carne e macarrão apodrecidos, arroz mal cozido, fio de cabelo, pedaços de dente, pata de barata e até fezes de rato.
Segundo as denúncias os detentos são obrigados a comer ou ficam com fome. É o caso das 11 presas do 13º DP, no Cohatrac. Duas empresas, segundo as detentas, fornecem alimentação para a Segup: a Alicon, no São Cristóvão e a empresa J.C., na Avenida dos Franceses, nº 725.
“Aqui é um cativeiro. O inferno mesmo!”, desabafa Marinês Alves, presa há 3 meses, acusada de participação em assalto a banco na cidade de Montes Altos. Em quase 10 minutos de um relato desesperado, ela denuncia o que chama de calvário. “A minha situação é pior de todas, pois minha família mora em Imperatriz, a 700 quilômetros de São Luís e não tem como vir às visitas às quintas-feiras. Já emagreci 12 quilos. O que como todo dia é suco com bolacha”, disse ela. Por ordem do delegado José Afonso Ferreira, segundo as presas, somente nesse dia a comida fornecida pelos parentes entra no xadrez.
Mãe desrespeitada
“Nós vivemos abandonadas à própria sorte. Nos dias de plantão há ocasião em que não olhamos ninguém, nem mesmo para nos dar um copo com água, denuncia Rosenilde Campos, presa sob a acusação de tráfico de droga. Mãe de uma menina de um ano, apesar da lei 7.210 (Leis das Execuções Penais) e da Constituição Federal garantirem o direito de amamentação ao lactente, ela denuncia que alguns policiais não permitem a entrada da menina. “Isso é direito constitucional meu. Se devo à Justiça, estou pagando, mas ninguém pode me privar do direito que tenho de amamentar minha filha. Meu peito já está secando, pois quase não me alimento. Tenho nojo dessa comida. Aqui encontramos de tudo no bandeco, desde fio de cabelo, até fezes de rato e pedaço de dente”, declarou Rosenilde Campos. As presas denunciaram ainda que só se alimentam uma vez por dia e o jantar é café com pão. “O café tem o cheiro que ninguém suporta e chega às 16 horas, mas o jantar só é servido às 19 horas. Esse mesmo café é dado pra gente às 8 horas da manhã do dia seguinte. Não estamos pedindo que nos coloquem em um Spa. Quem está aqui é por que deve algo e só gostaríamos que não nos tratassem como bichos ”, finalizou Rosenilde, também os funcionários.
A mesma reclamação foi feita pelos plantonistas do Instituto Médico Legal - IML. Conforme funcionários que preferiram não se identificar temendo represálias, diariamente, a comida fornecida pela empresa J. C. chega mal cozida ou apodrecida, entretanto, na última quarta-feira (29), a situação extrapolou, chegando ao ponto de toda a equipe devolver mais de 30 bandecos. No Plantão Central do Cohatrac os policiais ratificaram as denúncias. Uma agente, que também pediu para não ser identificada, enojada com os bandecos, disse que não é a primeira reclamação que fazem. “Isso já é antigo. Todo mundo faz a mesma reclamação. Quem pode sair e comer em casa se dá melhor, mas quem não pode, imagine o que passa aqui. E o que é pior, o secretário de Segurança, Raimundo Cutrim ainda tem coragem de dizer que a alimentação é de primeira qualidade”, finalizou, a agente.
Tentamos contatar com os responsáveis pelas empresas acima mencionadas. Na empresa Alicom falamos com a senhora Cleude, que nos informou que o responsável conhecido como “Careca” não se encontrava para falar sobre o assunto. Em seguida, após alguns minutos de conversa, a funcionária informou que a Alicom não era responsável pela distribuição dos alimentos fornecidos à delegacia do Cohatrac, o que foi desmentido pelos plantonistas. Já na empresa J.C., ninguém apareceu na porta para atender a reportagem. O secretário Raimundo Cutrim também não foi encontrado para falar sobre o assunto, nem o delegado José Afonso. A decisão de proibir a entrada de comida de casa ou qualquer outro objeto seria para garantir a integridade das presas, tendo em vista, que uma detenta já teria morrido intoxicada com alimentos levados pelos familiares.