As relações do PT com o publicitário Marcos Valério, apontado pelo deputado Roberto Jefferson como o responsável pelos saques e distribuição do dinheiro do mensalão, chegam ao ponto de ter sido Marcos Valério o avalista, junto com o presidente nacional do partido, José Genoino, e Delúbio Soares, de um empréstimo de R$ 2,4 milhões feito junto ao Banco de Minas Gerais em fevereiro de 2003, de acordo com reportagem da revista "Veja" desta semana.
A confirmação foi feita pelo próprio Delúbio Soares. Ele confessou, ainda, que como o PT não conseguiu pagar uma parcela de R$ 349,9 mil, vencida no dia 1º de julho do ano passado, Valério pagou pelo partido e passou a ser credor do PT.
Em nota divulgada no início da noite de ontem, Delúbio disse que omitiu informações ao presidente nacional do PT, José Genoino. E explicou porque Valério pagou o empréstimo que o partido pegou no BMG: "Em razão de sua responsabilidade como avalista, Marcos Valério Fernandes de Souza realizou esse pagamento ao banco, ficando credor dessa importância junto ao PT". O tesoureiro do PT, tão envolvido no caso do mensalão quanto o publicitário Marcos Valério, disse que na segunda-feira o PT solicitará ao BMG todos os extratos referentes à operação.
Delúbio tenta explicar porque foi buscar a ajuda de Marcos Valério: "Como nosso patrimônio é notoriamente insuficiente para garantir uma dívida desse valor, o BMG exigiu aval de pessoa com patrimônio compatível, tendo Marcos Valério Fernandes de Souza concordado em nos dar essa garantia", diz o tesoureiro na nota divulgada no início da noite de sábado.
O publicitário mineiro Marcos Valério é o principal suspeito de operar uma enorme de rede de corrupção política, o chamado "mensalão" - pagamento de mesadas a deputados federais dispostos a "ajudar" o governo Luiz Inácio Lula da Silva a aprovar seus projetos na Câmara federal. A denúncia foi feita pelo ex-presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson, ele próprio acusado de montar uma rede de corrupção nos Correios e em outras estatais.