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Juventude: a difícil hora de escolher


Fonte: Edição 02
Data de Publicação: 1 de julho de 2005
 
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O Maranhão é um estado jovem. Segundo dados do último censo do IBGE (2000), a maior parte das pessoas que aqui residem está na faixa que vai dos 10 aos 19 anos. Nada menos que 25,6%. Se somarmos a esse número na casa que vai de 20 a 29 anos (16,8%) chegamos à constatação de que quase metade dos maranhenses poderia ser enquadrada naquilo a que se chama convencionalmente de juventude.

À parte todas essas estatísticas que colocam milhares, ou milhões de pessoas, sob a mesma classificação, não se deve cometer o equívoco de considerá-las como pertencentes a uma mesma situação. O termo "jovem" pode abrigar, e realmente o faz, as mais diferentes realidades e perspectivas, indo daqueles grupos eufóricos com a possibilidade de entrar em uma Universidade e adentrar na profissão de suas vidas, até aqueles que se encontram desempregados e à procura de uma oportunidade no mercado de trabalho, que se já é difícil para todo mundo, ganha neste caso muitas vezes o complicador da falta de experiência, requisito freqüentemente exigido pelo mercado.

Os jovens, que muitas vezes por não serem mais crianças e nem ainda adultos ficam numa espécie de estado de indefinição, acabam se encontrando em um momento decisivo em que devem tomar direções e fazer escolhas que dizem respeito a todo o seu futuro. E aquela clássica pergunta "o que eu vou ser quando crescer?" deixa de ter ares de brincadeira e adquire contornos de insegurança e de pressão (interna, dos pais e da sociedade).

A busca por independência passa quase que necessariamente pela capacidade de se auto sustentar financeiramente, sem depender da ajuda de pais e/ou responsáveis e poder, como se diz popularmente, ser donos do próprio nariz. Para boa parte dos jovens é o momento de encarar o tão temido vestibular, e lutar por uma vaga em alguma Universidade, preferencialmente pública, geralmente tendo à frente uma multidão de concorrentes.

Desafios


Em busca da Vocação

Algo decisivo para a escolha profissional são os conhecimentos adquiridos e os meios nos quais se está inserido. É o que afirma a psicóloga Olgarida Pachêco. Trabalhando com a realização de testes vocacionais entre grupos de adolescentes, ela destaca que se uma pessoa convive, por exemplo, com outras na área da saúde, como Medicina e Enfermagem, há uma tendência para que siga nesse mesmo sentido. Segundo Olgarida, se não há um meio com determinada predisposição, tudo vai depender dos conhecimentos adquiridos ao longo da vida escolar ou através de outras experiências, levando-se em consideração critérios como a personalidade, o nível mental, os interesses e as aptidões. É significativa a constatação do tipo de procura por esses serviços de orientação. "Ultimamente a procura de alunos que ainda estão cursando o ensino fundamental tem sido até maior que do ensino médio. Eu até digo para eles 'meus filhos, esperem mais um pouco', mas eles ficam naquela agitação", conta a psicóloga. Porém, como ressalta a psicóloga, este é um tipo de serviço ao qual nem todos têm acesso, ficando mais concentrados nas classes médias em diante.
A estudante Michelle Regina, de 16 anos, já está se preparando para enfrentar essa batalha. Pensando em ser pediatra, afirma que sua meta é "ter a possibilidade de ajudar as pessoas. O dinheiro fica em segundo plano". Mas quando perguntada sobre seu principal temor em relação ao futuro, sua resposta é enfática: "Meu grande medo é estudar, estudar e não ser aprovada. Ou então concluir o curso e não ter vagas no mercado de trabalho". Somem-se às pressões do mercado as expectativas criadas muitas vezes pelos pais em relação à carreira de seus filhos. Karina Coqueiro, 18 anos, afirma que aos incentivos da mãe acrescentavam-se os desejos do pai de que se tornasse uma veterinária. Contudo, seu grande interesse está no jornalismo. "Não consigo me imaginar fazendo outra coisa. É muito interessante entrar em contato com a opinião de várias pessoas diferentes, dominar o poder da comunicação. Só que o jornalismo daqui peca por ser muito evasivo, devia ter abordagens mais complexas. Por isso a minha expectativa é não atuar no mercado local", declara Karina, que por enquanto cursa o 1o período de Letras de uma faculdade particular.

Trabalhando e estudando

Mas, para muitos jovens as escolhas se dão menos por opção e mais por necessidade de sobrevivência. É o caso de Francisco das Chagas, de 20 anos. Ao longo da rua do sol o movimento nos dias de semana é constante. Pessoas indo e vindo, geralmente apressadas, seja em direção ao trabalho ou a caminho de uma das centenas de lojas que compõem o centro comercial da cidade.

Ocupando um pequeno espaço numa calçada, Francisco passa o dia em uma barraca de coco, que está sob sua responsabilidade há dois meses. Trabalha para ajudar o tio, carpinteiro, e a tia, "encostada pelo INSS", como ele mesmo define. Mora com eles desde que saiu de Bacabal, há mais ou menos dez anos. Apesar das dificuldades, cursa o último ano do ensino médio no Liceu Maranhense. Como as aulas são à noite, e o trabalho toma grande parte de seu dia, Francisco aproveita os intervalos entre as vendas para estudar, carregando consigo livros e apostilas. Pretendendo fazer o curso de Psicologia, está ciente das dificuldades: "Eu sei que o vestibular é difícil, e que é uma luta desigual. Tem o perigo de sentir uma frustração, de depois de passar por tudo não conseguir suprir todas as necessidades".

A estudante Alana de Assis, de 15 anos, soma aos estudos uma outra atividade: participa, como secretária, do Grupo JUC (Jovens Unidos em Cristo). Ligado à Igreja Católica do bairro do Angelim, reúne jovens de 12 a 35 anos (esses não tão jovens assim), que em seus encontros discutem sobre temas como drogas, sexo e gravidez.

"A Igreja carece de juventude, e precisa se tornar mais atrativa ao público jovem. As pessoas mais velhas mostram mais resistências a algumas novidades, mas o nosso objetivo é levar os jovens para a Igreja", revela Alana. Apesar da escolha não muito comum (ou pelo menos pouco divulgada) nem por isso se sente diferente ou deixa de fazer as mesmas coisas que a maioria dos de sua idade. "Tem gente que pensa que ou se escolhe a Igreja ou a festa. Isso não tem nada a ver. Tudo vai depender da maneira como você se comporta e de suas atitudes".

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