A polêmica tem sido uma das marcas registradas da proposta de reforma sindical, que desde o dia 02 de março transita no Congresso Nacional. O texto final foi elaborado a partir das conclusões do Fórum Nacional do Trabalho (FNT), que reúne, além de setores do governo, representantes de empregadores e centrais sindicais.
Quem é contra a reforma diz que ela retira a autonomia e liberdade dos sindicatos. Apontam como exemplo desse cerceamento os art.8o e 113 da proposta de reforma. O primeiro afirma que a "personalidade sindical será atribuída por ato do Ministério do Trabalho e Emprego", o que interferiria na criação e estrutura dos grupos sindicais; já o segundo declara que durante a realização de algumas greves, equipes de trabalhadores deverão ocupar postos de trabalho para o funcionamento de atividades consideradas essenciais, o que está sendo interpretado na prática como uma substituição dos trabalhadores grevistas.
Já os defensores da reforma sindical se utilizam de afirmações segundo as quais a unicidade atualmente em vigor (cada categoria com um único sindicato) e a contribuição obrigatória dos trabalhadores aos sindicatos só dão margem à perpetuação de grupos e à concentração de poderes.
Para Júlio Guterres, secretário de finanças do Simproessema (Sindicato dos Professores Estaduais do Maranhão), a proposta de reforma apresentada é um retrocesso à organização sindical, pois "reintroduz a intervenção do Estado na organização dos trabalhadores, que deve antes de tudo ser independente". Apesar de se manifestar a favor do fim da contribuição obrigatória, "mesmo que isso leve ao desaparecimento de alguns sindicatos", Guterres acredita que a extinção da unicidade representaria uma pulverização da classe trabalhadora.
A possibilidade de existência de vários sindicatos para uma mesma categoria profissional seria, segundo ele, um excesso de liberdade que não encontraria apoio no nível de politização dos trabalhadores, visto como muito baixo: "Os patrões vão poder escolher com quais sindicatos se relacionar. E sempre há aqueles grupos com uma vista mais economicista e menos profunda de todo o processo".