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Nem todo mundo é besta


Fonte: Edição 02
Data de Publicação: 1 de julho de 2005
 
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O estardalhaço por causa da denúncia de que o PT do Maranhão teria recebido uma mala de dinheiro, de "verdinhas", como se diz de dólares, a corrupção do PTB dos Correios e o mensalão de PT, PP e PL acabaram por tirar de foco o maior escândalo do governo José Reinaldo: o caso das estradas fantasmas. O assunto praticamente desapareceu da mídia e das cerca de 400 cartas-convites frias (somando quase R$ 60 milhões) que alimentavam o esquema, menos de 20 deram motivo a ações do Ministério Público. Os cálculos oficiais do rombo chegam, por enquanto, a R$ 5,3 milhões.

Apesar desse prejuízo financeiro para o Estado, a Petra - construtora que recebeu por obras que não fez, por estradas fantasmas ligando povoados inexistentes e pontes que levam nada a lugar nenhum, vai poder recomeçar, nos próximos dias a trabalhar para o Governo, na reforma do muro do Palácio dos Leões - orçada em R$ 6,5 milhões e do Teatro Arthur Azevedo - orçada em R$ 7,4 milhões. A Petra também vai poder continuar a construção da nova sede da Assembléia Legislativa.

Ou seja: nenhuma perda para os empresários denunciados. O Sr. Lourival Sales Parente não tem do que se queixar. E, ao que se informa, tampouco João Dominici, ex-secretário da Infra-Estrutura, cunhado do governador, acusado de liderar o esquema fraudulento das cartas convites frias e das estradas fantasmas. Entretanto, espera-se mais do Ministério Público e da Justiça. A despeito do encaminhamento dado pelo MP para este caso e de decisões emanadas pelo egrégio Tribunal de Justiça, é obrigatório perguntar: para onde foi mesmo parar o dinheiro tungado dos cofres do Estado? Por que não houve quebra de sigilos bancário e fiscal dos envolvidos? E, ainda, porque foi deixado de fora do processo o governador José Reinaldo, comandante da administração, cuja família (mulher, irmão, sobrinho e ele próprio) faziam ou faz parte do Comitê Gestor que autorizava e pagava todas as contas do Governo?

Por último, o Sr.Lourival Parente, deu algumas explicações que podem ser consideradas no mínimo curiosas para a sua participação no processo. Ele atribuiu a culpa pela inexistência dos trechos onde deveriam ter sido construídas as estradas à Sinfra. O dono da Petra disse, segundo o promotor Agamenon Batista, que recebeu da Sinfra a orientação para construir uma estrada no trecho que ligava dois povoados inexistentes. Só quando os funcionários da construtora chegaram à área especificada descobriram que a localidade não existia. Mesmo não existindo os povoados, a Petra fraudou medições, solicitou aditivos e ficou com o dinheiro da obra.

A linha de defesa do dono da Petra parece estar sendo mesmo a de afundar ainda mais João Dominici e equipe, tentando livrar a si e aos que lhe pagam. Como se todo mundo fosse besta.

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