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A boa jornalista e o malformado aditivo


Fonte: Edição 04
Data de Publicação: 10 de julho de 2005
 
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Por: Giorlando Lima

A jornalista Flávia Regina é uma das melhores numa terra onde pontificam excelentes jornalistas. É de redação. Seja na TV no rádio, revista, jornal, ela tem domínio do que faz. Escreve sobre qualquer coisa e bem, muito bem. Eu a conheci na campanha de José Reinaldo em 2002. Sua função era coordenar as reportagens de rua. Transformava matérias simplezinhas em peças elogiáveis. Com o texto e a edição de Flávia o nanico PRP fez um estrago na imagem de Jackson Lago e deu uma grande contribuição à votação de José Reinaldo.

Mas, a campanha de 2002 foi apenas um capítulo na trajetória vitoriosa dessa jornalista. A imprensa do Maranhão registra uma história edificante de Flávia Regina. Este espaço não é suficiente para listar seu currículo nos mais diversos meios de comunicação, incluíndo a revista Parla, criada por ela. Os méritos de Flávia foram vistos e reconhecidos pela primeira-dama Alexandra Tavares. E a boa jornalista foi para a assessoria da secretaria extraordinária de Solidariedade Humana desde a primeira hora. Leal, para ampliar sua atuação na assessoria da secretaria extraordinária, ao lado de Alexandra, Flávia abriu mão de um trabalho na produtora Studio V, onde coordenava os programetes de TV do governo e da Gerência Metropolitana – aquela que foi bruscamente extinta pelo governador José Reinaldo para atingir Ricardo Murad.

No ano passado, ela foi a Pinheiro. Pegou a campanha do prefeito Filuca - que se assustava com as pesquisas - e ajudou a reeleger o prefeito. Encontrei-me com Flávia dias antes de seu trabalho em Pinheiro começar. Me disse: “vou a Pinheiro autorizada pela primeira-dama. Minha ida é a contribuição dela para a campanha de Filuca”. Valor dado, valor reconhecido.

Vencida a eleição de Pinheiro, Flávia Regina venceria fácil uma disputa surda no palácio. Depois de várias tentativas com nomes masculinos, José Reinaldo a escolheu para chefiar a comunicação do Palácio dos Leões. Mais uma prova de reconhecimento, não apenas à competência, mas à lealdade. A verdade é que desde que Flávia entrou quase nada mudou na publicidade do Governo do Estado. Certamente não por culpa dela, afinal as agências recebem – e muito – para dar a cara do governo, em termos de marketing. Assim é pedido no edital de licitação: um plano de comunicação.

Só a AB Propaganda, antes de Flávia entrar, lidou com quase US$ 15 milhões. E se o Diário Oficial do Estado não estiver mentindo, no dia 17 de dezembro do ano passado, Flávia Regina, Pedro Ronald Maranhão Braga Borges, pelo Governo do Estado, e Carlos Alberto Mallmann, pela C. A. Mallmann, assinaram um contrato de R$ 10 milhões para a publicidade governamental. No D.O.E. saiu assim: RESENHA DE TERMO ADITIVO. PROCESSO Nº 594/04, de 01/03/2004. CC PARTES O Governo do Estado do Maranhão, através da Casa Civil e C.A. MALLMANN, com a interveniência da Assessoria de Comunicação Social/ASSECOM; OBJETO: Contrato de Prestação de Serviços de publicidade (nº 044/2004). CC). FUNDAMENTO LEGAL: Lei 8.666/93 e suas alterações; VIGÊNCIA: 12 (doze) meses; VALOR: R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais); ASSINATURAS... (já mencionadas).

Veja Agora, em sua primeira edição, publicou que se o aditivo foi de R$ 10 milhões e a lei 8.666/93 estiver sendo seguida pelo Governo do Estado, o contrato original fora de R$ 40 milhões, no mínimo. Ou é erro grosseiro do Diário Oficial (ou nosso). Flávia Regina não quis falar disso, nem outra coisa qualquer do que saiu no Veja Agora. Eu a encontrei em um restaurante. Fiz perguntas, ela deu respostas. Falou coisas que, segundo ela, não devo publicar porque foi em off. Aceito. Reclamou de inconveniência minha, pois estava relaxando e não trabalhando. Não concordo, secretária de Estado não pode se dar a esse luxo (de se recusar a ser secretária de Estado em horário que escolher).

Mas, algo Flávia me disse que eu publico, para que ela, finalmente, dê uma explicação pública sobre esses gastos astronômicos do Governo com propaganda. Valores que superam todo o dinheiro que José Reinaldo quer tomar emprestado no Bird para “o combate à pobreza”. Flávia disse: nós fizemos um aditivo para a Mallmann agora, de R$ 2,5 milhões, porque os R$ 10 milhões não deram para nada. Não vou me apegar a esse ponto, talvez o Governo do Estado tenha mesmo tantas realizações para divulgar que nenhum dinheiro dê. O que peço a Flávia Regina (que, reafirmo, é séria e competente) é que dê uma versão oficial: quanto o Governo do Estado comprometeu mesmo com propaganda de 2003 para cá? Se não quiser falar para mim no bar, manda release, faz uma coletiva, pede a Nogueira para escrever, publica no Jornal Pequeno, mas faz a obrigação.

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