O ex-vereador e membro da Executiva Municipal do Partido dos Trabalhadores em São Luís, Professor Joan, voltou ontem suas baterias contra o presidente regional do Partido, Washington Luiz, acusando-o de ser um dirigente concentrador e incapaz de tomar decisões que beneficiem o PT, num processo de exclusão do grupo liderado pelo deputado Domingos Dutra.
Ele disse que se fala em uma mala de dinheiro, mas que o Diretório Municipal, sob o controle de seu grupo, teve que entregar a casa onde tinha sede porque não tinha recursos para pagar aluguel. "Nós ficamos em uma sala no Diretório Estadual, por falta de recursos", revelou.
Professor Joan denunciou que Washington mantém um escritório paralelo no bairro do Monte Castelo, de onde mantém contatos políticos com todo o Brasil. "Ele dirige o PT dessa casa, sem aparecer no Diretório Estadual. Lá ele mantém uma estrutura maior que a do próprio PT no nosso estado. Só não sei quem paga as despesas de lá, mas é Washington quem controla com mão de ferro o caixa do PT", disparou Joan.
Dirigido à revelia
A forma centralizadora de Washington dirigir o PT contraria, segundo Professor Joan, a prática democrática do partido de sempre tomar decisões coletivas. "Se ele preside um partido que tem sede, um escritório e delegação de poderes, porque não reunir o partido para discutir as questões mais relevantes?". Para Joan, o PT é dirigido à revelia da maioria e o partido deixa de existir, porque as decisões são tomadas no escritório do Monte Castelo.
Joan negou que estivesse presente à reunião na qual o tesoureiro Henrique Sousa teria revelado a existência da mala com os 327 mil reais. "O que eu sei é o que a mim foi contado pelos companheiros, que numa reunião o tesoureiro teria feito tal assertiva. Agora, são vultosas as despesas com a campanha, que ultrapassam 1,5 milhão de reais, gastos com uma gráfica e uma agência de publicidade".
O ex-vereador também disse que Washington e seu grupo financiaram campanhas de prefeitos e vereadores no interior - como em Arari e Pedreiras - mas que ninguém sabe o valor total das despesas do partido, pois falta transparência aos atuais dirigentes. Joan disse que essas questões não são discutidas internamente, já que é o grupo de Washington que decide tudo, sem passar pela Executiva, pois não são realizadas reuniões da Executiva. "As reuniões só acontecem no palácio da Avenida Getúlio Vargas", ironizou o ex-vereador, numa referência ao escritório mantido por Washington Luiz no Monte Castelo.
O dirigente petista disse que a sociedade condena o episódio da mala, até porque o relaciona com o escândalo nacional. O PT deve sair enfraquecido politicamente desse escândalo. "Alguns dirigentes serão penalizados pelos seus atos e com certeza haverá um expurgo nas fileiras do Partido dos Trabalhadores", disse Professor Joan, que prevê ainda uma grande crise de credibilidade da sociedade em relação ao PT.