Uma importante obra de urbanização e drenagem iniciada pela extinta Gerência Metropolitana acabou abandonada pelo Governo do Estado e pela prefeitura, em desrespeito aos moradores. No Caratatiua, depois da esperança os moradores voltaram a ter como realidade o mau cheiro, enchentes durante as chuvas torrenciais, poeira no verão seco, esgotos entupidos e outros problemas decorrentes do abandono da obra.
O Canal do Caratatiua foi mais uma das 52 obras paralisadas pelo governador José Reinaldo em toda a São Luís, causando uma série de transtornos no bairro e dividindo opiniões. Maria de Jesus Fonseca, por exemplo, é uma jovem e demonstra muita irritação quando se refere ao canal e à paralisação dos serviços que vinham sendo executados pela Gemetro. "Isso aqui está uma imundície. Era melhor antes de começarem essa obra", diz ela.
Já a dona de casa Maria José Chaves reclama que muito material estragou e antes das eleições tinha muito político andando no bairro, mas que agora os moradores se sentem sozinhos. Segundo Dona Maria José ficou sabendo a construtora largou tudo ali, alegando falta de pagamento, depois voltou apenas para pegar alguns materiais. Como o Governo do Estado não quis continuar a obra, a empreiteira nunca mais apareceu.
A obra foi iniciada depois que o ex-gerente metropolitano Ricardo Murad esteve no local e constatou que a deterioração do canal prejudicava a população de diversas formas, desvalorizando os imóveis, enfeando a área e causando problemas de saúde em adultos e crianças. Ricardo determinou à sua equipe a realização de serviços de drenagem e urbanização nos 400 metros do canal. .
Durante as eleições, segundo o morador e comerciante, Raimundo Soares Silva, o prefeito Tadeu Palácio prometeu nas reuniões de comitê que assumiria e concluiria a obra do canal, mas até agora não fez nada. De acordo com Raimundo, "a maior parte do trabalho foi feito", e lembra que antes do trabalho feito por Ricardo Murad era tudo aberto, cheio de lixo e mosquitos. Ele afirma ainda que no governo de Jackson Lago ele mesmo colocou mais de 30 carradas de entulho no local.
Hoje nas proximidades do canal do Caratatiua o que se vê é resto de asfalto, muito lixo e esgoto. A preocupação dos moradores é com o entupimento dos canais que ainda funcionam. "São quatro tubulações entupidas e os moradores fizeram buracos para diminuir as enchentes durante as chuvas", falou o morador Adriano Ribeiro Melo.
Vários bairros
O canal do Caratatiua é uma vala aberta há mais de 40 anos. Por causa dele muita gente chama a rua de rua da Vala. O projeto de urbanização no canal beneficiaria, além dos moradores do Caratitua, os bairros Ivar Saldanha, Jordoa, João Paulo, Alemanha e áreas circunvizinhas.
As intervenções da Gerência Metropolitana no local incluíam a elevação da proteção lateral da calçada, que evitaria o tráfego de veículos sobre ela, e a instalação de poços de visitações para facilitar a limpeza. O canal seria fechado e urbanizado com árvores e grama, instalação de lixeiras e bancos, para que os moradores tivessem à disposição um local arejado e higiênico.
O trabalho realizado pela Metropolitana no Caratatiua consistiu na implantação de quase todos os 700 metros de esgotos com tubulação de 1.500mm de diâmetro, o que evitaria qualquer risco de entupimento. Além disso, todas as residências teriam seus esgotos domésticos ligados ao novo sistema sanitário da rua. Quando o governador José Reinaldo decidiu parar as obras, a Metropolitana já havia terminado a etapa de drenagem, colocação da 'tubulação e uma parte do canal já tinha sido coberta.
Prefeitura ou Governo do Estado?
Segundo o secretário adjunto da Secretaria de Infra-Estrutura - SINFRA, Mendes Neto, a prefeitura mostrou interesse de concluir as obras do canal do Caratatiua. Segundo o secretário, ele mesmo acompanhou o secretário adjunto da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos - SEMSUR, Raimundo Machado de Araújo, em uma visita ao local, mas até agora a prefeitura não deu nenhuma resposta. "Se a prefeitura não assumiu então a responsabilidade continua conosco", afirmou Mendes Neto.
Ele contou ainda que o projeto continua o mesmo, mas não tem previsão para reiniciar as obras por causa do período chuvoso. "Não se pode fazer obras de drenagem e urbanização com chuvas", afirmou o secretário da SINFRA, esquecendo de explicar porque a obra está parada há mais de um ano. Segundo ele, o contrato com a construtora original venceu e será aberta uma licitação. Sobre as 52 obras paralisadas pelo governador José Reinaldo, ele falou que uma análise será feita para ver quais serão concluídas ainda este ano.
Veja Agora conversou com o secretário adjunto da SEMSUR, Raimundo Machado de Araújo, e ele confirmou que o Governo do Estado propôs uma parceria com a prefeitura; que uma visita ao local foi feita, mas não ficou decidido nada.