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Parque da lagoa da Jansen se degrada


Fonte: Edição 04
Data de Publicação: 10 de julho de 2005
 
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Encravada em plena área nobre entre os bairros do São Francisco, Renascença e Ponta D'Areia, a Lagoa da Jansen, um dos cartões-postais de São Luís, pede socorro. Ponto de lazer de famílias e um dos locais preferidos dos adeptos de caminhadas, ciclismo e outros esportes, a Lagoa hoje vê sua freqüência reduzida. O motivo? O mau-cheiro que exala de suas águas e que se espalha por todo o entorno.
Além do mau-cheiro, a Lagoa enfrenta outros problemas. No parquinho destinado às crianças, os brinquedos estão quebrados; alguns literalmente caídos por terra. No mirante, restos de um tablado de madeira montado no canteiro central enfeiam a paisagem e denunciam falta de cuidado por parte dos responsáveis pela manutenção do local. Em alguns pontos o mato cresce livre. Sacos plásticos, garrafas e outros dejetos poluem a orla e a água. Mas a grande reclamação é quanto ao mau cheiro.
O protesto é geral. Moradores, comerciantes, desportistas, todos afirmam que o mau cheiro tem piorado a cada dia. Segundo Gilvan Coutinho, morador na área da Lagoa há cinco anos e vendedor de coco em um dos quiosques da área, há um mês o mau cheiro está bem pior.
"À noite fede mais", afirma. Diz que as crianças que moram no local reclamam. Gilvan fala também da iluminação, que "é mais ou menos" e da segurança. E diz que não tem coragem de comer o que é pescado no lá.
Outro que reclama do mau cheiro é José Carlos, vendedor de coco. Para ele, o problema é devido à falta de manutenção. Segundo ele, quando a Gerência Metropolitana existia, essa manutenção era constante. "Na administração anterior era melhor". Ele critica o que ele classifica como abandono da Lagoa.

Freqüentadores fogem

José Carlos afirma que o odor está afastando os freqüentadores. Reclama que não está vendendo nada atualmente. "Com esse cheiro, quem vai comer?", pergunta. Diz que o público adora a Lagoa, mas por causa do desprezo em que a área se encontra "está impedido de usufruir".
Segundo o vendedor, quando o espaço foi inaugurado havia uma empresa responsável pela limpeza, segurança e manutenção da área. "Aqui circulavam umas 1000 pessoas diariamente. Hoje são umas 10. O movimento está péssimo. A área está deserta. Às vezes tem assalto. Os quiosques antes ficavam abertos. Hoje é tudo fechado. Levam até as lâmpadas", diz.
"Quando inaugurou era outra história. Tudo funcionava. A serpente era uma atração, toda iluminada. Hoje está abandonada", critica. Diz que os barquinhos que serviriam para passeios nas águas da Lagoa estão abandonados. "Até os motores roubaram", afirma.

Peixes morrendo

Segunda-feira (4), um fenômeno chamou a atenção das pessoas que passavam no local: a quantidade de peixes mortos que boiavam na água. O fato despertou protestos entre os pescadores da área.
Para João Costa, 48, pescador da Lagoa há 6 anos, a culpa é a da administração. João diz que as comportas são abertas apenas por cerca de uma hora quando a maré enche. Segundo o pescador, esse tempo é insuficiente para que a "maré termine de entrar", o que prejudica a oxigenação. "Os peixes ficam bêbados e morrem", explica.
"Antes era liberado, afirma. A maré entrava à vontade. Os peixes reproduziam aqui dentro. Hoje não dá mais peixe". João diz que "pega umas 5 a 6 tainhas para 'interar' o rango". Mostra um dos peixes mortos boiando na água. "Já dava para matar a fome de 2 ou 3 pessoas", lamenta.
De acordo com o pescador, "quando chove piora. A chuva bate, falta oxigênio. O peixe fica escasso". O homem diz que o que pesca é apenas para comer. Não vende. Antigamente pescava de 10 a 15 kg de peixe por dia. Agora não pega 2 kg, garante.
Segundo ele, são mais de 40 pescadores que fazem da pesca no local seu meio de vida. Além do peixe, eles pescam também camarão. Vendem os produtos no local mesmo. Por ocasião da reportagem, apenas seu João pescava na Lagoa. Na água, além dos peixes mortos, recipientes plásticos e outros resíduos denunciavam a poluição.

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