Exame médico completo exige 7 tipos de avaliação
O exame médico considerado ideal pelos especialistas em medicina do esporte envolve sete avaliações: análise do histórico familiar do atleta, exame físico, exame laboratorial, teste da esteira, eletrocardiograma, radiografia do tórax e ecocardiograma.
Apesar de parecer exagero, esses exames reunidos analisam todas as características do jovem atleta: desde a capacidade física e muscular até as condições respiratórias e cardiológicas.
'É preciso deixar claro para os pais que as crianças que participam de atividades esportivas por lazer _como fazer natação ou jogar futebol duas ou três vezes por semana_ não precisam realizar esse tipo de exame', diz a cardiologista Luciana de Matos, coordenadora do ambulatório de esportistas e atletas da Unidade de Reabilitação Cardiovascular do Incor (Instituto do Coração).
Normalmente, quando iniciam a prática esportiva, os alunos fazem apenas o exame clínico, que inclui auscultar o coração e medir o nível da pressão arterial. 'Esse tipo de teste, porém, é insuficiente para detectar problemas mais sérios', afirma Luciana.
A pediatra Ana Lúcia de Sá Pinto, médica do esporte do Ambulatório de Medicina Esportiva do Hospital das Clínicas, acrescenta que os pais também devem fazer avaliação osseoarticular nas crianças. 'O impedimento da prática esportiva é raro, mas é fundamental o acompanhamento médico', diz a pediatra.
As cardiopatias são os problemas mais comuns no afastamento de atletas. A anormalidade mais evidente, segundo Luciana, são as cardiomiopatias hipertróficas, que provocam um engrossamento assimétrico do coração e, dependendo do nível desse engrossamento, pode obstruir o fluxo sangüíneo.
'O engrossamento do coração é um problema genético e evolutivo. Por isso, o exame completo é indicado para quem quer seguir carreira esportiva', diz Luciana.
'Em alguns casos, quando você descobre a doença antes, está realmente salvando a vida de uma criança', acrescenta o cardiologista Marcos Aurélio Brazão, diretor nacional das regionais da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, ao comentar a bateria de testes ideal para atletas.
Ele reforça que algumas cardiopatias são incompatíveis com o treinamento esportivo, daí a importância dos exames, apesar de os trabalhos da literatura médica mostrarem que são raras as descobertas de condições cardiológicas potencialmente fatais.
José Kawazoe Lazzoli, também da SBME, lembra que, em alguns casos, não é preciso abandonar totalmente o esporte. 'Em vez de triatlo, ele vai fazer golfe, por exemplo.'
Para a ex-jogadora de basquete Maria Paula Gonçalves da Silva, diretora do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa da Prefeitura de São Paulo, com mais exames completos, o técnico saberá o limite do atleta. Recentemente, 80 jovens que treinam no centro passaram por avaliações do condicionamento físico.
À parte de toda a discussão, o presidente da sociedade, Ricardo Nahas, diz que a entidade defende que o ideal é que, até o início da adolescência, o esporte seja essencialmente, na vida das crianças, uma atividade lúdica e para desenvolver habilidades. Não uma obrigação. 'Até sob o ponto de vista psicológico é importante para a criança.'
Fertilidade
Soja impede gravidez, diz professora
Mulheres que estão tentando engravidar devem evitar comer muita soja. A recomendação é da médica britânica Lynn Fraser, professora do King's College, de Londres. Segundo a especialista, que apresentou estudo em um congresso em Copenhague, o grão desse cereal contém uma substância que pode 'sabotar' o esperma na sua corrida para fecundar o óvulo. Até mesmo doses minúsculas do alimento na mulher podem prejudicar a fecundação, conclui Fraser.
A ginástica é indicada após o terceiro mês de gestação. Mas é preciso passar por uma avaliação cardiológica e ter a autorização do obstetra.
Marcapasso corrige a incontinência urinária
As mulheres brasileiras poderão contar, ainda neste ano, com uma nova alternativa para tratar a incontinência urinária _perda involuntária de urina que atinge 20% da mulheres do país. Trata-se do marcapasso de bexiga, que emite uma corrente elétrica que devolve à mulher o controle do ato de urinar. É indicado para aquelas que não respondem aos medicamentos. O aparelho já é usado nos Estados Unidos e na Europa.
Diabético é sujeito a ter enfermidades nos pés
Estudo feito pela enfermeira Marcia Karino, da USP de Ribeirão Preto, com 117 trabalhadores diabéticos mostrou que 4,7% deles estavam com úlceras nos pés e 3,4% tiveram de amputar um dos pés. O que chamou a atenção do estudo, diz Karino, foi que a maior parte dos pacientes tinha um diagnóstico recente de diabetes e sua condição geral de saúde era considerada boa. O trabalho aponta para a necessidade de que a prevenção se estenda ao cotidiano do paciente, inclusive no trabalho.
PASSEI POR ISSO
Não podia abandonar as minhas amigas
Nado desde os sete anos por orientação médica porque tenho bronquite. Eu me apaixonei pelo esporte, decidi investir na carreira e comecei a treinar para valer aos dez anos. Antes eram duas vezes por semana; agora treino todos os dias, das 15h às 18h.
Chego a nadar 8 km por dia. No ano passado, desmaiei no meio de uma prova do Campeonato Paulista de Natação. Quando dei a primeira braçada, senti minha vista escurecer completamente e, pouco depois, afundei. Alguns segundos depois, subi e fui até a raia da piscina pedir ajuda.
Fui socorrida pelo salva-vidas e por meu pai, que estava na arquibancada. Depois de eu descansar um pouco, decidi voltar para a prova, contrariando a orientação da minha técnica.
Eu não podia abandonar as minhas colegas na prova de revezamento. Treinamos arduamente durante um ano para participar do campeonato. Fiquei com medo de acontecer alguma coisa, mas a vontade de vencer era maior. E nós vencemos. Conquistamos a medalha de ouro na categoria.
No dia seguinte, procurei uma pediatra especialista em medicina do esporte para saber o que tinha acontecido. Passei por uma bateria de exames cardíacos e testes de condicionamento físico. Também fiz uma radiografia. Não encontramos nenhum problema grave, o meu diagnóstico foi de hipoglicemia [queda de açúcar no sangue]. Mantenho uma dieta equilibrada e não posso ficar sem comer por mais de três horas.