Em São Luís, o sentimento de decepção dos jovens com o que ocorre na política nacional é semelhante ao que pôde ser constatado pela reportagem da Folhapress, publicada no Maranhão com exclusividade pelo Veja Agora. Ouvidos, dezenas de jovens entre 16 e 20 anos, manifestaram sua contrariedade com as histórias do mensalão, da corrupção nos Correios e nas estatais e com as contradições que cercam o PT, partido do presidente de Lula, que também no Maranhão está cercado de denúncias e escândalos, como o caso da mala de verdinhas publicado nos jornais e até agora não bem explicado.
“Acho uma vergonha. Os políticos não têm consciência. Não pensam na população. Só pensam nos seus interesses individuais ou nos grupos deles”, queixa-se Victor Silva Rego, de 16 anos, estudante de Engenharia Civil. Para Victor, “tem que mudar a educação desde as bases para criar uma mentalidade mais voltada para a população. É difícil ver alguém honesto chegar à política. Alguém que pregue a honestidade. E o mais triste é saber que no meio político tem muita corrupção e que os que chegam lá não conseguem manter a honestidade”.
Embora o Brasil não tenha renovado o acordo com o Fundo Monetário Nacional (FMI), ainda está preso a algumas regras acertadas com o Fundo, como a manutenção do déficit primário (a soma das receitas menos as despesas do governo, sem contar os gastos com juros das dívidas interna e externa). E é isso o que deixa Diego Menezes contrariado: “o FMI enche a pança dos banqueiros e não se preocupa com as políticas sociais do país. A política econômica também é muito ruim. Precisa haver uma melhor distribuição de renda”.
“Apesar de toda a confusão, toda a turbulência, um ponto positivo é que tudo isso que está acontecendo pode fazer com que aconteça uma reforma política realmente eficaz, que lave todos os corredores sujos da politicagem e dê um novo padrão de ética e de moral à política”, acha Diego.
Aos 19 anos, Francisco Júlio Rayol, estudante de Direito, diz que está desapontado com o PT. Para ele “o Partido dos Trabalhadores tinha uma ideologia de esquerda e que agora desmorona. O espírito revolucionário, o ideal revolucionário morreu. É uma decepção ver um partido que tinha um ideal desmoronar dessa forma. O sentimento é de que estamos perdidos, isolados. Não se sabe que visão ter da política. É um momento muito ruim para o sonho brasileiro”, reclama.
Segundo Francisco, no sentido geral, a maior contrariedade é ver que as metas tão prometidas pela democracia nunca foram cumpridas. “Até agora, a verdadeira democracia, aquela que luta pela busca dos ideais, continua se contradizendo. Nunca se acertou. Essa é uma contrariedade sempre presente”. Futuro advogado, ele se queixa de uma certa inércia da juventude: “os movimentos estudantis se perderam. Em 60, 70, esses movimentos eram presentes. Hoje os jovens se calaram, se contentam em assistir ao que os políticos fazem. Isso não é exercer a cidadania”.