Márcio Coutinho*
Muito se tem falado a respeito da implantação de um pólo siderúrgico em São Luís.
A grande maioria, fazendo eco a todas as pesquisas de opinião sobre o assunto, é calorosamente favorável a esta possibilidade, entendendo, esta avassaladora maioria, que tal investimento traduz-se em milhares de empregos, geração de renda e produção de riquezas e grandes oportunidades de negócios. Contudo, não há democracia sem debate, sem divergências ou até polêmicas... a unanimidade, enfim, não combina com a livre expressão.
Então, eis que surge um pequeno - e barulhento - grupo contrário ao tal pólo de produção de placas de aço. E quais são as razões deste grupo, diga-se de passagem, legitimamente expressadas?
A proteção do meio ambiente! E aí, o porta-voz deste movimento, um advogado, isto é, alguém sem formação específica para lidar com tal complexidade de dados, teorias científicas e efeitos ambientais, assim como mecânica avançada, física, engenharia, geologia e climatologia, vem a público alardear verdadeiro Apocalipse no caso da instalação de tão "pernicioso" empreendimento.
Interessante constatar o elenco de justificativas técnicas e ambientais deste pequeno grupo: emissão de gases na atmosfera, resíduos sólidos em demasia, contaminação do lençol freático, consumo de enorme quantidade de água. Mas não ficam aí as argumentações, passam, inclusive pela questão de saúde pública e estacionam no suposto problema social causado pela remoção de milhares de moradores na área onde seria construído o Complexo do Mal. Fala-se, inclusive, num tal "impacto negativo na estrutura urbana da cidade".
Ora, quem em sã consciência, homem público ou não, autoridade ou do populacho, rico ou pobre, sábio ou medíocre, defenderia algo tão nocivo ao nosso ambiente, a nossa cidade, a nossa gente?
Onde estão os técnicos, ambientalistas, engenheiros e qualificados profissionais das áreas afeitas a questão levantada? Onde os órgãos ou instituições públicas ou privadas? Onde o Ministério Público, guardião constitucional dos direitos difusos e coletivos? Onde, enfim, os instrumentos legais de controle e fiscalização, que não se manifestam, todos, ante o caos prestes a se estabelecer em nossa "frágil ilha"?
Perguntas simples que suscitam resposta ainda mais simples. Não há o que se analisar, avaliar, estudar, criticar, melhorar, condenar ou apoiar, simplesmente, porque não há projetos executivos do possível - e tão somente possível - investimento das poderosas Vale do Rio Doce, Baostel, Arcelor e Posco em nosso estado.
O que existe é um estudo deste pool de empresas para instalação do tal pólo em nossa cidade motivado pela "janela de oportunidade" que se abre no horizonte do mercado mundial de aço e seus derivados, aliada, evidentemente, à infraestrutura portuária e de estrada-de-ferro do Itaqui e às formidáveis reservas de ferro de Carajás.
É bom que se repita. Não há projeto executivo, não há estudo sério de impacto ou degradação ambiental, não há decisão final de instalação dos empreendimentos, sobretudo porque sequer pressupostos legais foram alcançados, a mudança na lei de zoneamento, por exemplo.
De definitivo o que temos é a consciência de que qualquer cidade do mundo brigaria com faca nos dentes por um investimento deste nível; que o Brasil detém uma das mais rigorosas legislações ambientais do mundo e que os pretensos investidores são empresas reconhecidas pelo sucesso, eficiência e respeito social em todo o planeta.
O resto é blá-blá e discussão inócua. Lutaremos sim, pela preservação do nosso meio, pelos direitos daqueles moradores na possível área de implantação do pólo, mas o faremos com responsabilidade, embasados em dados sérios e estudos avalizados, nunca em deduções vazias, subjetividades, ilações, interesses particulares ou vaidades pessoais. É nosso dever e direito cívicos, principalmente, não condenarmos São Luís ao empobrecimento econômico e misérias sociais causados por idéias preconceituosas e precipitadas de alguns poucos desinformados, conquanto bem-intencionados.
* Márcio Coutinho é empresário e Diretor da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China
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