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Desarmamento: Maranhão está atrás no ranking


Fonte: Edição 04
Data de Publicação: 10 de julho de 2005
 
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: Marta Barros
Da Redação


A venda de armas de fogo e munição no Brasil pode estar com os dias contados, com a promulgação, pelo Senado Federal, do decreto legislativo que autoriza a realização do referendo que trata do assunto.
O referendo, o primeiro da história do Brasil e o primeiro do mundo no qual a população é consultada sobre a proibição de vendas de armas de fogo, acontece no dia 23 de outubro, data em que se encerra a campanha de desarmamento iniciada em julho de 2004 em todo o País.
A consulta popular será feita através de votação em urnas eletrônicas distribuídas em todo o país e os cidadãos deverão responder à pergunta: "O comércio de armas de fogo e munição dever ser proibido no Brasil?"
A propaganda sobre o referendo, de acordo com o Tribunal, começa no dia lº de agosto. No dia 8 de setembro, 45 dias antes do referendo, o TSE já pode requisitar das emissoras de rádio e televisão 15 minutos diários, contínuos ou não, que "poderão ser somados e usados em dias espaçados para a divulgação de seus comunicados, boletins e instruções ao eleitorado". A propaganda gratuita, propriamente dita, começa no dia 23 de setembro e no dia 20 de outubro termina a propaganda política mediante comícios e reuniões públicas e é o último dia para realização de debates.

20º no ranking

O estado de São Paulo ocupa o primeiro lugar no ranking de recolhimento de armas no Brasil. Em último está Roraima. O Maranhão ocupa a 20ª posição desse ranking, de acordo com informações do delegado da Polícia Federal no Maranhão, Charles Sobreira. O delegado informa que desde o início da campanha pelo desarmamento (julho/2004), foram recolhidas no Maranhão 2.977 armas de fogo. No Brasil, esse número totaliza 338.334 armas.
A média mensal de recolhimento no Estado é de 25 armas e o mês em que foi registrado o maior número de armas recolhidas foi junho de 2005, com 325 armas. Para o delegado, o alto índice coincide a data em que se encerraria a campanha e que teria levado as pessoas a apressarem-se para comparecer aos postos de recolhimento.
Ao contrário de junho, o mês de julho registra um baixo número de armas recolhidas - apenas três. O delegado Charles Sobreira avalia que esse índice deve-se à prorrogação da campanha de desarmamento, "que diminuiu a pressão" para as pessoas entregrarem suas armas.
As armas recolhidas são periciadas por técnicos da Polícia Federal para que seja efetuada a indenização aos proprietários, após o que são enviadas para o Exército, para que sejam destruídas.

Armas e vítimas

Segundo estudo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), no Brasil, diariamente 104 pessoas são vítimas de armas de fogo. Nos últimos dez anos, esse número foi maior que o de vítimas de guerras como a do Golfo ou da luta entre Israel e Palestina, no Oriente Médio.
Entre 1979 e 2003 550 mil pessoas foram vítimas de armas de fogo no Brasil, sendo que 206 mil dessas vítimas tinham entre 15 e 24 anos. De acordo com o presidente do Senado, senador Renan Calheiros, 63,9% dos homicídios que acontecem no País são cometidos com arma de fogo. O senador afirma que existem de dez a 20 milhões de armas ilegais no país, contra apenas algo em torno de cinco milhões de armas legais.

Você votará contra ou a favor da proibição da venda de armas de fogo no país?

Ana Silvia Castro Silva – vendedora
“Eu voto a favor, porque violência não é legal. Para mim, ter arma em casa é um símbolo de violência e coloca em risco a segurança de todos”.

Euzamor Abreu – funcionária pública
“Sou favorável à proibição de armas, pois é mais seguro para a gente. Há muita violencia. O mundo tem que entender que a grande arma é o amor.”

Emerson Monteiro – professor
“Sou a favor da proibição da fabricação de armas de fogo. Temos mesmo que proibir. Até porque quem ama armado é bandido, não é cidadão.”

Dionice Pontes – dona de casa
“Sou a favor da proibição. Dizem que as pessoas usam armas para se defender, mas quem usa são os bandidos. Pessoas de bem não devem usar.”

José Carlos Mendes – vigilante
“Voto a favor da proibição. Só pessoas do mal andam armadas. Como pai ando preocupado. Tenho medo de ser abordado por um elemento armado.”

Vânia Rego – jornalista
“Sou totalmente contra.. Devemos fazer pressão para que a população se convença de que a arma de fogo será usada contra ela mesmo.

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