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Eleições gerais já!


Fonte: Edição 05
Data de Publicação: 17 de julho de 2005
 
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Por: Regis Marques

O Brasil vive um dos momentos mais dramáticos da história republicana. A onda crescente de revelações da roubalheira que assola o país acaba transformando o conceito de Estado num mero exercício de retórica. Aos olhos do povo todos são ladrões, todos roubam. As revelações de Marcos Valério, corroboradas pelo ex-tesoureiro Delúbio Soares, de que o PT financiou todas suas campanhas com o uso de caixa 2 e que tal prática é usada pelos demais partidos, desmantela as regras do jogo e impõe uma nova realidade à democracia do país: com todas os atuais mandatos sob suspeita de terem sido financiados com dinheiro ilegítimo, a saída que se nos impõem é a imediata convocação de eleições gerais no Brasil.

Como fazer reforma política e partidária com políticos que, supostamente, devem seus mandatos a desvios sinuosos de conduta? Como exercitar livremente a democracia se os guichês bancários recebem mais a presença de parlamentares que seus assentos no Congresso Nacional? Como crer na lisura do voto do detentor do mandato eletivo se em suas aeronaves os passageiros são malas de toda espécies, cores e grifes?

A nova versão - divulgada momentos antes do fechamento desta edição - sobre os valores tomados pelo PT através do caixa 2 chega a 160 milhões de reais. As denúncias, entretanto, são generalizadas. Não são mais "privilégios" do PT do presidente Lula. Ela atinge parlamentares de todos os matizes, de todos os credos e de todas as ideologias. A sujeira respinga sobre todos ou quase todos. Os acusadores, que antes só pareciam querer derrubar o governo, agora também são alvos fixos, fáceis de serem acertados. Parece que ninguém emerge limpo desse mar de lama.

O Congresso, antes um dos últimos bastiões da democracia foi o mais atingido. Falta-lhe a dignidade do enfrentamento e a autoridade moral para questionar, desafiar e impor sanções. Ao presidente, refém dos amigos e dos inimigos que construiu ao longo de sua trajetória, falta isenção para mandar apurar.

Resta-nos, pois, utilizar a grande arma de uma verdadeira democracia: a voz das urnas. Urge que o governo e o Congresso, num resquício de dignidade, apresente ao povo brasileiro a alternativa, inadiável e inalienável de retomar seu próprio destino. E isso só será possível através de eleições gerais. E já!

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