"Um mar de lama". Assim a governadora do Rio de Janeiro Rosinha Garotinho (PMDB), definiu ontem a crise envolvendo o Partido dos Trabalhadores e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante a rápida visita que fez ao Maranhão para visitar grupos evangélicos e numa passagem meteórica pela sede do PMDB, o casal Rosinha e Anthony disparou acusações contra a alta cúpula petista e contra o próprio presidente Lula.
Mais comedido, o ex-governador Anthony Garotinho disse que o Partido dos Trabalhadores chegou ao poder sem ter experiência administrativa e isso levou o governo a muitos erros. "Mas o escândalo detonado pelo deputado Roberto Jefferson atinge a cúpula do partido, seus principais dirigentes e o próprio governo, que não pode ficar dissociado desse processo. Afinal, o esquema de corrupção visava beneficiar o partido do qual Lula é o maior símbolo", disse Garotinho, que concorreu com Lula à presidência, chegando em terceiro lugar na eleição de 2002.
Falando a uma pequena platéia de pemedebistas, dentre os quais o vice-governador Jura Filho, o senador João Alberto, o ex-deputado Mário Carneiro e o ex-prefeito de Codó, Ricardo Archer, Garotinho fez uma balanço das ações do governo de sua mulher, Rosinha, e explicou alguns programas que estão sendo colocados em prática e que ele diz que vai apresentar à Nação se for candidato do PMDB ao governo federal.
Mar de lama
Já a governadora Rosinha Garotinho não poupou os antigos aliados. Ela disse que o Partido dos Trabalhadores se enroscou nas próprias pernas. "Esse escândalo surgiu no bojo de uma briga interna, entre as várias facções que integram o PT. Essa briga não tem nada a ver com o PMDB ou com o PFL. Não fomos nós que inventamos essa briga. Esse mar de lama em que o Brasil está atolado é culpa única e exclusivamente do Partido dos Trabalhadores e de seus dirigentes", disparou.
Rosinha disse que os petistas estão tendo dificuldades para explicar a origem do dinheiro do empresário Marcos Valério de Sousa. "Agora surgiu essa nova versão de que o dinheiro foi um empréstimo de Valério para o Partido dos Trabalhadores. Essa é mais uma tentativa de confundir a opinião pública e enganar a CPI, pois se essa tese for aceita, cai a acusação de crime comum e passa a ser apenas crime eleitoral, que prevê penas mais leves e deixa livres os acusados", revelou a governadora.
Rosinha disse que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura as denúncias de "mensalão" e as relações criminosas entre a cúpula do PT e o empresário Marcos Valério está no rumo certo. "Antes de qualquer coisa é preciso apurar com rigor tudo o que foi denunciado nessa briga intestina do PT e depois levar os culpados à Justiça", disse Rosinha Garotinho. (RM)