Senador João Alberto, o Jornal Pequeno acusou o senhor de envolvimento com crimes de morte quando era governador, principalmente na morte do ex-deputado Davi. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Quando eu assumi o governo do estado do Maranhão por onze meses e um dia, o crime organizado era uma preocupação muito grande nossa. A polícia do estado do Maranhão estava como hoje, completamente desaparelhada. Não tinha nem bala para os revólveres da polícia. Os policiais andavam com uma farda velha.
Eu procurei aparelhar a polícia do Estado com viaturas, com munição. Talvez não tenha tido nesse Estado um governador que tenha freqüentado mais o quartel de polícia. Falei para a tropa várias vezes. Procurei colocar brios na polícia, dizer que eles seriam respeitados.
Os bandidos do Maranhão rasgavam até farda de policial. O policial ia fazer uma diligência saía corrido pelos bandidos. Eu queria apenas combater o crime organizado, principalmente em São Luís, em Bacabal, em Santa Luzia, Presidente Dutra, Imperatriz e São Domingos do Maranhão. Conclamei a polícia no combate à criminalidade. Em momento algum eu participei de reunião que mandasse, que atentasse contra a vida de qualquer pessoa, mesmo de bandido. E olha o que aconteceu com o meu governo. O bandido estava acostumado a botar polícia para correr e a polícia não correu mais. Eu sempre dizia que a polícia do Maranhão era composta de homens. Homens valentes, determinados e sérios.
Nesse confronto de bandidos com a polícia do Estado, muitos bandidos desapareceram. Outros correram, foram embora do estado do Maranhão e os que aqui ficaram foram presos. E aqueles que enfrentaram a polícia se deram mal porque a polícia já estava aparelhada para combater a bandidagem. Não existiu em momento algum qualquer reunião minha com quem foi secretário de segurança, quem comandou polícia, subsecretário de segurança...Eles estão aí. O secretário foi o Pedro Emannuel de Oliveira, chamavam Pedro Emannuel...Eu o encontrei como secretário de segurança e o confirmei como secretário. Foi o mesmo secretário do governo anterior. Era um advogado competente, digno, sério.E eu quero dizer que em momento algum houve ordem de execução durante o meu governo.
Mas a polícia procurava cumprir com a sua obrigação. Agora, a morte do Davi eu senti muito. Eu era amigo pessoal do Davi, não político, mas pessoal. Me dava bem com ele. E até hoje a família do Davi se dá muito bem comigo. Nós nos damos bem e todos sabem que eu não participei em absoluto de um crime que tivesse envolvimento com o Davi. Eu não concordava com o Davi, com as posições que o Davi tomava. Eu nunca gostei de ligações com a bandidagem e o Davi tinha ligações. Agora era um problema de Davi com o próprio pessoal dele e eu acho que não houve nenhuma referência a isso, a não ser ele com o seu próprio executor. Quem executou Davi pertencia ao próprio grupo de Davi.
O senhor pretende processar esses jornais?
Olha, esses jornais estão a serviço do governo. Eles dão total apoio à Frente de Corrupção, procurando atendê-los através de levantamentos desse tipo, não só contra mim, mas também contra outras pessoas de bem do Maranhão. Com isso, entrarei mais uma vez na Justiça, a fim de que sejam divulgadas as verdades.
Qual sua posição dentro do PMDB com a aliança com o PT?
Eu sou totalmente favorável com a aliança com o PT. Continuo confiando no governo Lula. O Presidente tem boas intenções para com o Brasil. No meu entendimento ele está fora dos escândalos que envolvem alguns membros do PT. O Lula não tem nada a ver com as malas, com o mensalão e nem rifas de apartamentos não entregues.
Como o senhor vê o envolvimento do PT do Maranhão com "malas"?
A Polícia Federal está apurando. Prefiro me posicionar após as apurações dos fatos. Não podemos esquecer que esse assunto é uma questão interna do PT, porém os seus dirigentes não podem esquecer que suas posturas éticas devem ser de conhecimento público.
O senhor acredita que exista algum deputado do Maranhão envolvido com o “mensalão”?
A informação que tenho é que existe um disquete com o nome de todos os deputados que freqüentaram o Banco Rural, inclusive de membros da ex-oposição, filiados a partidos denunciados. Sou a favor que seja apurado tudo e que todos os envolvidos sejam punidos. Já fiz um pedido do disquete ao Presidente da CPI. Esse disquete é sigiloso e só poderá ser publicado com a autorização dos membros da CPI.
Senador, qual a sua leitura da eleição 2006?
2006 vai ser uma eleição onde o povo vai dizer se quer um governo igual a esse que aí está ou um dirigido para o desenvolvimento, ou seja, se o povo aprovou o governo de Roseana ou se aprovou o de José Reinaldo. A ex-oposição do Maranhão, denominada hoje de Frente de Apoio a Corrupção, ao se aliar ao governo de José Reinaldo, deu demonstração que não tem compromisso algum com o Maranhão, apenas quer uma boquinha. Esta ex-oposição se descaracterizou ao apoiar um governo corrupto. Com isso, o povo saberá dar a resposta certa.
Senador João Alberto, por que querem culpar os senadores maranhenses pela não liberação do empréstimo de 30 milhões de dólares ao Maranhão?
No meu entendimento politizaram essa questão, que é meramente técnica. O Maranhão já recebeu mais 400 milhões de dólares para combater a pobreza no governo de Luiz Rocha, Cafeteira, Lobão e Roseana. Esse empréstimo de 30 milhões de dólares foi solicitado no governo de Roseana. Todos os senadores do Maranhão estão empenhados para que seja liberado esse empréstimo, mas é bom ressaltar que este dinheiro não vai amenizar a pobreza do Maranhão. Agora não é justo o Governo Estadual justificar sua incapacidade e inoperância de trabalho em cima desses 30 milhões, esquecendo que o orçamento do Estado é de mais de 4 bilhões de reais, dinheiro esse, que até agora, foi utilizado indevidamente e não em prol dos maranhenses.
Como o senhor avalia o governo José Reinaldo?
O José Reinaldo não está governando. Assinam por ele documentos e até decretos governamentais. A senadora Roseana Sarney deixou em caixa 471 milhões de reais, valor bem superior aos 30 milhões de dólares que brigam por sua obtenção. Este governo elevou a folha de pagamento de 78 milhões para 142 milhões apenas com aumento de salário dos seus apadrinhados; esse foi um dos gastos que ajudou a evaporar rapidamente os 471 milhões deixados em caixa. Com isso, ele deixou de pagar os fornecedores e os empreiteiros. Deixou o Estado nesse caos que vivemos hoje. Ele criou mais de 50 secretarias apenas para servir de cabide de emprego. O Estado está ingovernável. Não tem uma obra. O Governador José Reinaldo vive doente, com uma hepatite que não se acaba e uma depressão profunda.
O que o senhor espera da Justiça com relação às estradas e pontes fantasmas?
Eu confio na Justiça. Tenho certeza que a Justiça vai punir os verdadeiros culpados. A Justiça via buscar quem realmente recebeu o dinheiro.
Qual sua perspectiva para o restante do Governo José Reinaldo?
O Governo do Maranhão já acabou. Estamos sem governo. Vivemos esses 3 anos e quatro meses de ingovernabilidade. O Maranhão vai sofrer ainda 500 dias, pois só faltam esses dias para que o novo governo assuma. Tudo que o governo diz sobre os 30 milhões de dólares que o Senado ainda não liberou é inverdade. O certo é que o dinheiro vem para o Maranhão, porém não será usado como o governo pretende, ou seja, com estradas fantasmas. Esse dinheiro agora deverá ser aplicado realmente nos bolsões de miséria do Maranhão, pois seu controle e sua fiscalização será atuante.
Como o senhor vê essa aliança do PDT e do PSDB com o Governo José Reinaldo?
O PDT já fez aliança com o PFL, com o PMDB e outros partidos. O PSDB age da mesma maneira. No Maranhão eu conheço todos os dirigentes desses partidos. Eles vivem atrás de uma boquinha. Eles não têm compromisso com o povo, querem mesmo é um chupeta bem melada de açúcar.
Qual a sua avaliação do seu próprio desempenho no Senado?
Eu sou um senador que defende os interesses do Maranhão. O maranhense vai sempre se orgulhar da minha presença naquela casa. Sou atuante e respeitado pelos meus colegas. No momento sou membro da mesa do Senado e presidente do Conselho de Ética e Decoro.