"O estádio está interditado e só vai funcionar quando o Governo do Estado tiver orçamento para isso. Não podemos estabelecer prazos para ele voltar a receber jogos. Nós só utilizamos o Castelão; fazemos sua manutenção, mas reformas não é com a gente. É com a Secretaria de Infra-Estrutura". A declaração é do secretário adjunto da Secretaria Estadual de Esporte e Lazer do Estado (Sesp), Rui Menezes.
O Castelão está interditado desde o início do ano em razão de quatro laudos técnicos fornecidos, respectivamente, pela Secretaria de Infra-estrutura do Estado, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Maranhão (Crea-MA) e uma empresa da Bahia especializada em análise de estruturas como a do estádio, o nome não foi dado pelo secretário adjunto.
O próprio Rui Menezes diz que o Governo do Estado não datou orçamento para as reformas na estrutura do estádio, que tem capacidade para 100 mil torcedores. "É importante que se diga a verdade: ele tem 23 anos de inaugurado e até hoje nunca passou por nenhuma reforma. O que fazem é maquiar o estádio quando tem jogo da Seleção Brasileira e só", afirma.
Roubos
Para os moradores do Anil, onde o Castelão está localizado, o estado de abandono do "vizinho" tem sido motivo de preocupação. "Desde que desativaram o estádio, os casos de assaltos e violência no bairro aumentaram muito. Até a polícia parou de fazer ronda por aqui. Estamos nos sentindo muito prejudicados", afirma o morador Fábio Henrique Lopes.
O matagal que tomou conta do lado de fora do estádio tem afastado os moradores que antes utilizavam o espaço para a prática de esportes. "Antes eu caminhava todos os dias para manter a forma. Hoje é um risco para a minha vida, pois tem muito marginal por aqui. É uma pena ver o Castelão se acabando assim. Lembro que até ano passado a gente tinha o programa Esporte Solidário onde as mães deixavam os filhos para irem trabalhar. Acabaram com tudo", desabafa a moradora Selma Maria Silva Santos.
Eliane Araújo, dona do bar Pé de Santo que fica em frente ao estádio, diz que vem tendo prejuízos com o fechamento do Castelão. "O movimento para os comerciante, da área tem sido péssimo. Quando tinha jogo, tínhamos muitos fregueses, eles vinham antes e depois dos jogos. Hoje a clientela é muito fraca", conta.
Moradora há quatro anos, Eliane diz que tem acompanhado a degradação do Castelão dia após dia. "Os ladrões têm entrado no estádio quase toda semana para levar ferro e alumínio do telhado. A gente liga para polícia, eles param de roubar por um tempo, mas depois voltam com tudo. Os marginais só não levam os holofotes porque ficam no alto", denuncia.
Vigias estão há seis meses sem receber
O administrador do Castelão, Floriano Matos, confirma as denúncias dos moradores. "O vandalismo aqui é tão grande que estão levando os fios de iluminação pública do estacionamento do estádio. Já levaram os canos de água fluviais e os basculantes dos setores dois, três, quatro, cinco, seis e cadeiras", relata.
O estádio também apresenta várias janelas de vidros quebradas e os canos de água estão corroídos pela ferrugem. A situação mais complicada está no setor próximo ao portão do estádio: rachaduras de até um metro comprometem a estrutura. Com relação à segurança do Castelão, Floriano Matos explica que apenas um vigia, da empresa Exata, fica responsável por cobrir os 444 metros quadrados do estádio. "É uma área muito grande para uma só pessoa tomar conta. A gente não sabe nem o que fazer porque esses vigilantes estão há seis meses sem receber salários", declara.
A falta de pagamento aos vigias também é confirmada pelo secretário adjunto da Sesp, Rui Meneses. "Esse pagamento não passa por aqui. É com o governo do Estado. Mas temos funcionários cuidando do estádio. o gramado dele, por exemplo está ótimo, pronto para uma partida de futebol", diz.