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No Jaracaty, obra demora e até os assaltos aumentam


Fonte: Edição 05
Data de Publicação: 17 de julho de 2005
 
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Iniciada em maio deste ano, a obra de recuperação da Ponte Odorico Amaral de Matos, na avenida Ferreira Gular (São Francisco), se arrasta por quase três meses e tem gerado indignação de moradores da área e motoristas que costumavam trafegar pelo local.

A primeira informação oficial dava conta de que a obra iria abranger a recuperação da estrutura metálica e das extremidades da ponte e que os serviços estariam concluídos em 15 dias. Na semana em que a obra deveria ser entregue, o Governo do Estado, alegando motivos técnicos, informou que os trabalhos precisariam de mais um mês para ser concluídos.

Findo o prazo, a obra continua e tem causado transtornos e aborrecimentos à população. Para Ademir Martins, morador do São Francisco, a demora na entrega da ponte significa alguns quilômetros a mais no trajeto entre o bairro onde mora e o shopping que costuma freqüentar com a família. “Quase todo dia vamos ao Shopping, principalmente agora que as crianças estão de férias. Antes, ia pela avenida Ferreira Gular e cortava caminho. Agora faço um percurso muito maior e ainda tenho que enfrentar o trânsito”, reclama.

Outra que protesta pela demora na recuperação da ponte é Noeme Matos, dona de um comércio próximo à ponte. Noeme alega que paga mais caro agora para o táxi levá-la do supermercado (no shopping) onde compra os produtos até o comércio. “Ficou muito ruim”, diz.

Insegurança

Noeme não é a única prejudicada. Para Rita Maria Pereira, moradora de uma rua próxima à ponte Odorico Amaral, a obra também é um problema. Rita promove festas no local onde mora. Diz que o caminhão que transporta as caixas de som para a casa dela não pode usar o acesso, o que dificulta o serviço.

“Esse serviço nunca termina. Agora ficou ruim. As pessoas têm que fazer o retorno lá em cima. O pessoal reclama muito. Muitos carros nem descem aí. Quem vinha do Shopping para o São Francisco usava esse caminho, agora tem que ir muito mais longe”, observa.

Em outro comércio da área, mais reclamações. Segundo a proprietária, Delci Borges, há doze anos estabelecida no local, com a interdição da ponte aumentou a “bandidagem”. “O acesso da polícia ficou ruim, garante. A gente chama e o carro da polícia não vem”. Para a mulher, a obra prejudicou também o acesso de ambulância. “Eles vêm, vêem um monte de terra no meio do caminho e voltam”, diz.

“Eles têm que terminar isso aí. Essa obra já era para estar feita. Isso aí interditado facilita para os bandidos. Eles roubam ali (aponta para a avenida Euclides Figueredo) e correm para cá. Não entra carro para perseguir os bandidos... Acredito que já teve muito dinheiro para terminar essa obra. Já são mais de três meses, desde abril”. Segundo Delci, o número de assaltos aumentou depois que a ponte foi interditada.

A obra não é o único motivo de reclamação. Gisélia Costa, moradora da área, reclama também da sujeira. Diz que os moradores é que se reúnem para limpar a praça em frente à casa onde mora. Segundo Gisélia, o carro de lixo passa apenas umas duas vezes por semana no local.

Sinfra se explica

De acordo com Agnaldo Barbosa Pereira, Secretário Adjunto de Obras da SINFRA, a recuperação da ponte abrangeu várias etapas, desde a restauração da parte estrutural, até a recolocação das peças de contraventamento que haviam sido roubadas. Agnaldo acrescenta que foi feito ainda um diagnóstico técnico em toda a estrutura das longarinas, além de um jateamento de areia e pintura.

Quanto às cabeceiras, onde estava acontecendo o recalque (desnível do terreno), o engenheiro explica que foi feita a substituição do solo, além de um dreno filtrante com laje de transição, segundo ele indispensável em obras de ponte. “Sem a laje de transição toda ponte sofre abatimento”, afirma. De acordo com o secretário adjunto de obras, foi executada uma cortina de contenção no aterro.

Jorge Uchoa, engenheiro responsável pelo projeto da ponte na época da Metropolitana, não vê necessidade de colocar mais uma estrutura de concreto no local. Para o engenheiro, o ideal é que se faça uma recomposição periódica do aterro. “O terreno abaixo do aterro é um solo móvel, muito compressível, explica. Pelo menos uma vez por ano deve ser feita a recomposição, até que o recalque não requeira mais”. Jorge acredita que a última recomposição aconteceu em dezembro de 2003. Acha que o problema do recalque se deve a isso.

O secretário adjunto de obras admite que o problema do recalque já era esperado. “Quando a ponte foi construída, um estudo no terreno detectou um manto de lama de 18 a 20 m, informa o engenheiro. Já se sabia que em cinco anos haveria um recalque de aproximadamente 1 metro”.

Mas para o engenheiro, Jorge Uchoa, esse não era o maior problema da ponte. O pior era o roubo das peças. De acordo com ele, as peças roubadas eram parafusadas, o que facilitava a ação dos ladrões. Agora as peças foram soldadas.

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