"A limpeza pública e o asfalto não existem por aqui". Em tom de indignação, essa foi a declaração do presidente da Associação do Cohatrac I, Carlindo Lago. Morador desde a fundação há 26 anos, Lago garante que o bairro nunca esteve tão abandonado como agora. " O lixo e o mato tomam conta das nossas ruas. Eu já perdi a conta do número de solicitações pedindo asfaltamento e limpeza, mas as coisas continuam do mesmo jeito", disse.
Segundo o presidente, a cada novo ofício encaminhado pela entidade aos órgãos municipais, a resposta é sempre a mesma. "Eles alegam que só depois que as chuvas cessarem poderão trabalhar. Estamos fazendo um novo levantamento das condições das ruas para darmos entrada. Quero só ver o que eles vão dizer", disse Lago. Chuva vai chuva vem o bairro continua à margem das preocupações do prefeito Tadeu Palácio.
Basta uma pequena caminhada pelo bairro para constatarmos a veracidade das informações. Nas transversais entre as ruas H-I e H-E, lixo e mato tomaram conta. O Complexo do Cohatrac é composto por 25 conjuntos habitacionais, tem uma população de 140 mil habitantes - deste total 70 mil eleitores - e um grande número de pequenos, médios e grandes comerciantes, mesmo assim, parece que a Prefeitura de São Luís se esqueceu de cumprir com os deveres para com a população.
O estado de abandono também toma conta das praças. Na rua M, não existem bancos, coreto, brinquedos ou coisa parecida. Um matagal se formou no local, servindo apenas para animais pastarem e jovens desocupados, que aproveitam a sombra das amendoeiras para consumir drogas, garante o proprietário do Kantu´s Bar, Arlindo Aguiar.
" Isso é um absurdo. Eles só sabem cobrar e prometer. Gastam uma fortuna com propaganda para estimular a população a pagar o IPTU, mas reverter esse dinheiro em nosso benefício, isso eles não sabem fazer. À noite, abertamente, jovens consomem drogas aí e ninguém diz nada", disse.
Água fétida
A quantidade de esgotos estourados nas ruas do bairro é outro problema. Na Avenida Principal do Residencial Margarida, a céu aberto, a água fétida que corre o tempo todo, prejudica pedestres, motoristas e, principalmente, comerciantes. "Tadeu Palácio deveria me pagar um salário mínimo por varrer a rua todo dia", declarou o açogueiro, Everaldo dos Santos, 35 anos. Ele contou que todos os dias, em companhia do ajudante, Edivaldo Ferreira Moraes, é obrigado a varrer e escorrer a água que forma em frente do seu estabelecimento comercial. "Essa situação acaba prejudicando os negócios, pois afasta os clientes", finalizou.
Formado por pessoas de classe média, a área do Cohatrac V, por exemplo, tem uma circulação de veículo intensa, mas os buracos tomam conta de todas as ruas. Lá, a situação é a pior de todas. É tão grave, que os próprios moradores já tentaram pagar para que as ruas fossem asfaltadas. " Eu não agüento mais ter prejuízo com meu carro. Para sairmos do conjunto é preciso sermos malabaristas. Certa vez, uma equipe da Prefeitura estava recapeando a avenida principal, fui lá propor dinheiro aos trabalhadores para que asfaltassem o bairro", contou o aposentado Ribamar Machado, 53 anos.
A situação das ruas no conjunto é tão séria que, segundo a professora Alba Borges, na semana passada, um motoqueiro sofreu várias escoriações ao tentar desviar dos buracos.
No Cohatrac V, assim como na grande maioria dos bairros da região, o impasse de limite territorial acaba prejudicando os moradores. "No início do ano, tanto a Prefeitura de São Luís quanto a de São José de Ribamar entregam os carnês do IPTU, mas os benefícios, nada", afirmou a professora.
Morando no Cohatrac V há 15 anos, Nonato Ramos Costa, que possui um pequeno comércio na rua 5, afirmou que já perdeu a esperança de ver a prefeitura fazer algum benefício no Cohatrac V. Segundo ele, na eleição do ano passado, dezenas de candidatos da capital fizeram caminhadas no bairro, prometendo resolver a situação do asfalto, da falta de iluminação, segurança, enfim. "Quando alguém chega aqui, não acredita que o bairro tenha esse tempo todo de existência. Eles só se lembram da gente no período de eleição", finalizou o comerciante.