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Insegurança substitui o lazer nos Vivas


Fonte: Edição 05
Data de Publicação: 17 de julho de 2005
 
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Antes cenário de atividades artísticas e culturais voltadas para as população, os Vivas, criados no governo Roseana Sarney, são hoje meras lembranças de uma fase em que os moradores desfrutavam de atividades prazerosas que congregavam no próprio bairro as famílias e proporcionavam lazer barato.

Enquanto isso, no entorno dos espaços, adultos e crianças reclamam da ausência de programações e denunciam a falta de cuidados e a insegurança que reinam nos locais.

No Viva João Paulo, o cenário geral causa indignação. O quiosque fechado é testemunha do vandalismo que ocupa o lugar onde devia haver lazer e divertimento para as famílias. A pintura desbotada, a pichação e a degradação tornam o lugar pouco agradável à visão. O mau cheiro que exala do quiosque e dos banheiros denunciam o uso dado à estrutura. A cobertura que desaba desestimula a permanência de pessoas próximo ao local. A reclamação é geral.

Francisco Chagas, morador do bairro há 29 anos e há 4 proprietário de um comércio ao lado do Viva, diz que o espaço "não funciona. Fora o período de São João e Carnaval não acontece nada. E olhe lá. Vem uns bloquinhos e encostam aí", diz.

"O quiosque é o tempo todo fechado. Muita gente da comunidade já quis alugar, mas eles não dão, não passam para ninguém. E também não fazem nada. Só serve de abrigo para malandro e marginal. No governo anterior tinha programação", afirma. Francisco Chagas fala do projeto Caixinha de Surpresa, que acontecia no local.

"Aqui já foi muito bom. Hoje não presta mais. Está tudo destruído. A comunidade não tem lazer". Francisco diz que os moradores do bairro já pediram muito para o governo reativar o Viva, mas não adiantou nada. Isso é dinheiro nosso", protesta. Aqui é João Paulo. Era para ter alguma coisa".

Carlos Augusto Ferreira, morador do bairro há 28 anos, é outro que reclama. Nascido e criado no João Paulo, como faz questão de frisar, Carlos Augusto foi testemunha de duas reformas que o espaço sofreu na gestão anterior. Diz que na época não tinha nem pichação no quiosque. "Antes desse governo aqui era muito bom. Tinha sempre festa, tinha banda. Esse era um dos melhores Vivas, diz o rapaz. Todo final de semana tinha alguma coisa. Agora já era", sentencia.

Mesmo cenário

No Bairro de Fátima o problema se repete. A impressão que se tem do Viva é de abandono. As atividades se resumem a um posto de táxi e uma banca de venda de bombons que funcionam no lugar.

“O Viva aqui já foi muito bom. Antigamente tinha muita coisa. Tinha atividade no Dia das Crianças... Esse governo agora não manda nada para cá. Não tem programação, lamenta Maria Olívia Brandão, moradora do bairro desde 1957.

A moradora diz que agora "só à noite é que abrem o botequim e ficam bebendo. Aqui é só para dizer que tem. Esse prefeito que está aí e o governo são uma negação. Em primeiro lugar está a população. Não fazem nada para agradar e depois vem buscar voto. De mim estão dispensados. Da minha família também.

Karla Katiuscia Assunção concorda. A garota mora há 18 anos no lugar, desde que nasceu. Diz que no espaço não funciona mais nada. "Está dando é muita briga. Briga de gangue. E de tráfico. Só tem alguma coisa no Carnaval e no São João. Só os bares funcionam. Só tem gente bebendo. Não tem evento. Antes tinha muita programação; agora está péssimo".

Na Liberdade, a situação é a mesma. No espaço abandonado, quiosques fechados, pinturas desbotadas e sujas, nenhum lazer. Pelo menos é o que dizem os moradores. Fabiano Maciel é um que reclama. Perguntado o que funciona ali ele responde: "Funciona do jeito que está aí" (ou seja, nada). Fica assim até o outro São João. No Carnaval às vezes tem alguma coisa. Ano passado não teve", diz.

Segundo o rapaz, a comunidade não tem nenhum lazer. “Aqui só funcionam os bares”, reclama. Segundo ele, no começo tinha programação; gincana para as crianças, atividades nas férias. “Agora acabou".

Gangues

Do outro lado da cidade, no Viva do Anjo da Guarda, a realidade é pior. Além do abandono e da falta de atividades, o lugar é frequentemente palco de briga de gangues. Quem conta é a moradora Suzy Costa.

“Aqui tem muito problema de segurança”, diz ela. “Quase todo final de semana tem confusão. Junta gangue no lugar e termina gente furada, baleada. As pessoas nem saem de casa”. Suzy diz que os eventos são festas que os brigões promovem. “Polícia aqui é muito difícil. Só aparece quando a gente liga para dizer que mataram alguém”, reclama a moradora.

Como acontece em outros bairros, a falta de atividades no Viva é uma das reclamações do Anjo da Guarda. "Não tem diversão, não tem atividades para as crianças; não tem nada. As crianças estão de férias e não têm nada para fazer. Aqui só tem alguma programação no São João. E esse ano até o São João foi fraco. Não é como antes. Antigamente amanhecia", queixa-se Suzy.

A dona de casa Denise de Souza, que mora no local "desde que se entende por gente", concorda. "Não tem nada. Só os bares, que fazem muito barulho. É uma bebedeira sem limites. Numa praça tão grande, a única coisa que criança faz é andar de bicicleta.

Na Vila Embratel, o quadro é parecido. Segundo Carlos Brás Mendes, que trabalha na rua em frente ao Viva do bairro, os quiosques ficam fechados o dia todo. "Só abrem à noite para vender bebida, cachaça. Briga tem muita. Aqui eles não respeitam ninguém. Já cortaram gente. Mataram não foi um nem dois.

Cláudio Ferreira concorda. Morador da Vila Embratel há 15 anos, o rapaz reclama que o Governo e a Prefeitura não tem participação efetiva. "Esse projeto funcionava antes. Agora está abandonado", diz Carlos Mendes.

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