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Descaso da prefeitura aumenta dengue em quase 500%


Fonte: Edição 05
Data de Publicação: 17 de julho de 2005
 
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A médica Maria da Conceição Carvalho Gomes mora em um condomínio no bairro do Renascença II. Apesar da profissão e de residir em uma das áreas residenciais mais caras de São Luís isso não evitou que ela contraísse dengue por duas vezes. Se for picada uma terceira vez, Concita, como é conhecida, tem uma grande possibilidade de contrair dengue hemorrágica, que este ano já vitimou cinco pessoas na capital, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde.

Concita não é mais um nome nas estatísticas de casos de dengue, é quase uma regra. A exemplo da médica, boa parte da população da Ilha corre risco real de contrair a forma hemorrágica da doença. “De 2001 para cá, temos circulando em São Luís soros tipos 1, 2 e 3, sendo que o maior quantitativo de casos de dengue hemorrágica é provocado pelo tipo 3. A probabilidade dos habitantes da capital contrair essa forma mais grave da doença é muito alta, porque a maioria já teve os tipos 1 e 2”, informa Pedro Sousa Tavares, coordenador do Programa Municipal de Controle de Dengue.

Durante todo o ano de 2004, a Secretaria Municipal de Saúde de São Luís registrou 526 casos de dengue na capital. Em 2005, só de janeiro a junho, foram notificados 1.395. Comparando os dois anos, o aumento de ocorrências da doença chega a 487,12%. Apesar de ter detectado o crescimento no número de casos a Semus permitiu que a situação chegasse aos níveis de uma epidemia, que, se não estiver consolidada, falta pouco, conforme atestam os números da própria secretaria: já houve 26 casos de febre hemorrágica da dengue e 15 de dengue com complicações. Já a distribuição das ocorrências por bairro de residência mostra uma concentração de casos no Coroadinho, 63 notificações; Vila Embratel, 63 casos; Bequimão, 57; São Francisco 39; e Anjo da Guarda, 35. O foco, hoje, se concentra em 170 casos.

Descaso

Com receio de contrair a dengue hemorrágica, a médica Maria da Conceição Carvalho sabe que não pode esperar só pela reação da prefeitura e tem feito sua parte como cidadã. “O meu bairro (Renascença) já teve registros de casos graves da dengue, por isso tenho divulgado o máximo que posso informações sobre como evitar o desenvolvimento das larvas do Aedes Aeqypti”, conta.

A Prefeitura de São Luís recebeu do Ministério da Saúde quase R$ 20 milhões nos últimos dois anos só para combater à dengue. Mas não foi firme no trabalho e a prova é que se não se configurou ainda o quadro de epidemia falta pouco. Os números que a secretaria de Saúde divulga confirmam isso. Só recentemente é que o prefeito Tadeu Palácio mandou colocar informes na televisão e no rádio sobre a dengue, já falando da epidemia. Na maior parte do ano os comerciais de serviços do Município veiculam somente no Canal 20, TV fechada comandada por Evilson Almeida, dono da agência de publicidade que atende à prefeitura.

O que é?

A dengue é uma doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e Aedes albopictus. A doença é acometida de febre aguda que se caracteriza por um início repentino, permanecendo por 5 a 7 dias. O doente apresenta dor de cabeça intensa, dores nas articulações e musculares, seguidas de erupções cutâneas 3 a 4 dias depois. Surge sob a forma de grandes epidemias, com grande número de casos.

Existem quatro tipos diferentes de sorotipos do vírus do dengue, denominados dengue I, II, III e IV.

Algumas manifestações do dengue são hemorrágicas, isto é, o paciente apresenta hemorragia severa e choque. Nestes casos, após um período de febre, o estado do paciente piora repentinamente, com sinais de insuficiência circulatória, apresentando pele manchada e fria, lábios azulados e, em casos graves, diminuição da pressão do pulso. Instala-se então uma síndrome de choque do dengue podendo levar o paciente ao óbito. Os casos de dengue hemorrágico ocorrem mais freqüentemente quando o paciente é acometido pela segunda vez da doença, mas com exposição a diferentes sorotipos da doença.

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