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Quem precisa de médico espera até 3 meses por consulta


Fonte: Edição 05
Data de Publicação: 17 de julho de 2005
 
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Por: Lyd Ribeiro

Que a saúde pública está banalizada, isso não é novidade. Quem depende dos hospitais públicos para alguma especialidade precisa ser persistente. Para constatar isso, VEJA AGORA foi até os principais locais de marcação.

Saímos na sexta-feira dia 8 sem informação alguma, a primeira dificuldade foi encontrar os postos. No site da prefeitura encontramos endereços de postos de saúde, mas nada sobre os locais de marcação. Sabíamos de um na Vila Palmeira, mas ninguém soube informar, nem o carteiro. No posto de saúde do Radional umas senhoras educadas disseram que tem um posto na APAE, mas que teríamos que ir bem cedo e nós iríamos agendar para daqui a quatro meses.

Infelizmente naquele dia o sistema entrou em manutenção às 11h e não pudemos marcar, fomos ainda à Alemanha e ao Pam Diamante, mas estavam todos parados.

Retornamos depois de uma semana. Dia 15, chegamos ao posto às 7h da manhã, uma fila já esperava na entrada, a primeira pessoa chegou às 4h e dormia no banco, eu estava bem atrás com outro funcionário do jornal, aproveitei para conversar com algumas pessoas e me informaram que às 8h são distribuídas as senhas para a autorização.

No setor de marcação havia várias mulheres para marcar consulta com um ginecologista, elas não precisam de senha. Conheci Cândida Ferreira, moradora do Codozinho, ela disse que sexta-feira tem pouca gente, o sufoco é na segunda. Reclamou que o sistema sai do ar 11h e que há 3 semanas ela vem e não consegue marcar sua consulta porque com os médicos de férias o atendimento é reduzido.

De repente uns gritos no andar de cima me chamaram atenção. Eram pacientes impacientes porque no hospital não tinha água e provavelmente não seriam atendidos pelos dentistas. Muitos desistiram. José Ferreira Mascareno, ao contrário, foi até a administração e chamou a secretária que conversou com os que ficaram e o atendimento voltou. "Pobre é a classe mais desunida que existe, o certo é negociar. Acho que isso era uma desculpinha porque a maioria dos médicos está de férias", disse todo feliz por saber que seria atendido no mesmo dia.

Deusinete Andrade foi uma das que desistiu, era segunda vez na mesma semana que ela tentava marcar consulta para dentista. Na segunda feira ela não conseguiu porque são apenas 30 vagas por turno. Naquela sexta ela chegou às 6h30 e se revezava na fila para ginecologista e na de odontologia. Para a tarde ela tinha uma consulta agendada com o oftalmologista e como mora no Parque Vitória teria que ficar o dia todo no hospital.

De volta à fila, 8h15 no meu relógio, começaram a distribuição de senhas. Recebi o número 56 e meu colega Adilson, 59. Sentei-me e esperei, esperei e esperei. Várias pessoas "furaram" fila porque conheciam alguém do atendimento. Nisso uma menina que estava sentada ao meu lado me deu a senha dela, nº 48. Um pouco depois, 9h14, uma jovem senhora chegava com sua filhinha de 3 anos, procurando senha. A funcionária que distribui informou-lhe que não tinha mais. Esperei a funcionária se afastar e dei a minha outra senha para ela.

Nesse intervalo, ouvi uma senhora chorando porque foi atendida em abril, fez os exames de sangue e um eletrocardiograma, mas até hoje não conseguiu leva-los à médica que solicitou porque a médica não atende mais no hospital, assim lhe informaram. Helena dos Santos tem 76 anos e teve trombose há 1 ano e fez esses exames porque, segundo a médica, a veia da cabeça ao coração ficou comprometida. "Imagine se não fosse urgente?! Acho que eu morro e não entrego os resultados a médica", resmungou.

Quase 10 horas e nada do meu número ser chamado. Já estava imaginando para onde eu seria enviada.

Célia Santana mora na Cidade Operária e autorizaram o Raio-x que ela precisava para o Anjo da Guarda: "Não são eles que escolhem, mas o computador", disse.

Às 10 horas e 10 minutos meu número foi chamado. No guichê, o atendimento foi rápido, o atendente foi muito educado e eu lhe pergunte se estão marcando todos os dias, ele me disse que sim, de segunda a sexta estão marcando até dezembro. Na minha requisição havia vários exames e felizmente consegui todos para os dias 18 e 20 de julho.

Meu amigo Adilson, dono da senha 59 foi atendido uns 20 minutos depois, sua especialidade era Cardiologia e autorizaram para o dia 4 de agosto no Hospital do Coração. Nesse dia ele terá que comparecer no local às 7 horas com essa autorização.

Teve gente com menos sorte, que só conseguiu marcar para setembro.

O que acham do atendimento?

Carlos Augusto

Marcou uma Ultra-sonografia para o dia 08 de agosto
"Até agora foi rápido, a demora foi para consultar."

Edjane Silva
Ortopedia - dia 05 de setembro
"O chato é a demora para autorizar e na data ainda tenho que ir ao local agendar para consultar."

Pedrolina Pereira
Ortopedia - Não conseguiu marcar
"Péssimo. Há 5 meses não consigo consultar. agora mandaram eu ir para a Alemanha"

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