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José Reinaldo acaba com vigilância nas escolas e cria clima de terror


Fonte: Edição 05
Data de Publicação: 17 de julho de 2005
 
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Por: Regis Marques

Acusações de fraude no processo licitações, mentiras oficiais - e desmentidos inócuos -, tentativa de burlar a Lei das Licitações para beneficiar empresas amigas e a demissão de 490 pais de família: esse é o retrato da estabanada ação do governador José Reinaldo Tavares e do secretário de Educação Edson Nascimento que cancelaram a licitação vencida pela Exata Vigilância Armada e comprar, sem licitação, todo um sistema de vigilância eletrônica da Empresa Norsergel, que sequer tem registro na Junta Comercial para vender bens e produtos.

Na visão do presidente regional da Associação de Brasileira de Empresas de Segurança Eletrônica - ABESE, Gustavo Siqueira, o governador José Reinaldo teve apenas um objetivo: impedir que a empresa Exata, vencedora da licitação realizada pelo governo para manter as escolas públicas com vigilância armada, possa assinar o contrato com o Estado, porque ele julga que a Exata tem vínculo com o grupo político adversário. "A prova disso - denunciou Siqueira -, é que o próprio Governo publicou na última sexta-feira um edital abrindo licitação para dotar os 10 pólos de Centros de Capacitação Tecnológica do Estado do Maranhão - CETCMAS, de vigilância armada ostensiva".

A revogação da concorrência vencida pela Exata foi publicada no Diário Oficial do Estado no dia 20 de junho.

Repressão violenta


Na última sexta-feira cerca de 300 vigilantes ameaçados de demissão pela contratação da vigilância eletrônica fizeram uma passeata pelas principais ruas da cidade e, em seguida, se dirigiram ao Palácio dos Leões. Ali, por determinação do governador José Reinaldo, tiveram o carro de som interceptado de forma violenta por uma viatura da Polícia Militar na subida do viaduto.

A ordem, segundo os militares que comandaram a ação, tinha partido do próprio governador. Em torno do Palácio dos Leões, dezenas de policias fardados e à paisana, fortemente armados, fizeram um cordão de isolamento com carros e homens impedindo que os trabalhadores pudessem chegar à sede do governo estadual e pedir uma audiência ao governador para discutir as demissões.

Gritando palavras de ordem e com discursos fortes, os trabalhadores questionaram a moral do governador para tomar tal atitude. "Ele não manda nem na casa dele e quer mandar aqui", gritou um trabalhador desesperado ante a possibilidade de demissão e de não poder suprir as necessidades básicas de sua família.

Agentes à paisana, infiltrados no movimento, a tudo registravam, na tentativa de intimidar os trabalhadores. Um tenente da Polícia Militar chegou a retirar o motorista Flávio do carro de som, e o intimidou: "se o carro subir você e o veículo serão presos", disse o tenente, na presença de líderes sindicais e de jornalistas.

Clima de terror

Nas escolas que terão o sistema de vigilância armada substituído pelas câmeras o clima de terror é visível. São cerca de 145 escolas na capital e no interior que atendem mais de 400 mil alunos e ninguém sabe como o governo vai impedir a ação de vândalos e marginais nesses estabelecimentos. "Hoje, a violência já é assustadora nas escolas, com alunos entrando armados e que muitas vezes só são contidos pelos vigilantes. Imaginem se as câmeras vão impedir que eles entrem armados", reclama uma mãe de aluno do Sagarana I.

Na sexta-feira, Veja Agora esteve na escola, onde supostamente teria sido instalado um kit piloto de vigilância. A mesma se encontrava fechada e não havia sinais do equipamento. No pátio da instituição, mais de duas dezenas de rapazes jogavam bola tranquilamente, sem a presença de nenhum vigilante. Indagados se eram alunos da Sagarana I, negaram. Ou seja, a escola, como era previsto, estava entregue à sua própria sorte. A sanha do governador em produzir novas vítimas inocentes na sua briga política coloca em risco a vida de alunos e professores da rede pública estadual.

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