Por: Marta Barros
Em recente entrevista ao Veja Agora, o pró-reitor de Graduação da Universidade Estadual do Maranhão, Raimundo Valle, declarou que a “existência” da Universidade Virtual do Maranhão - UNIVIMA, tem causado espécie, uma vez que a UEMA já desenvolve o trabalho para o qual a UNIVIMA se propõe - o ensino à distância.
"A UEMA já fazia isso há muito tempo, diz o pró-reitor. Mas não é aí que está o problema. A grande crítica é que os recursos que sustentam a Univima saem do orçamento da UEMA. Essa é a crítica que se ouve dentro da universidade. Imagino que foi uma necessidade de momento, e que no próximo ano a Univima já tenha orçamento definido em lei, não seja retirado do orçamento da Universidade", declara.
À opinião do pró-reitor somam-se os protestos de professores, servidores e estudantes da instituição, para os quais a UNIVIMA ainda não disse a que veio. A reclamação mais recorrente é quanto ao desvio de recursos destinados à UEMA. "No ano passado, foram transferidos 15 milhões da UEMA para a Univima, reclama Claudinei Rodrigues, presidente do Diretório Central dos Estudantes. Sem orçamento próprio, ela se vale do orçamento da Uema".
"Outro questionamento é que a UEMA já tem uma estrutura de ensino à distância, já oferece cursos, já tem PQD - Programa de Qualificação de Docentes, já faz esse serviço de formação e graduação de professores da rede de ensino, explica Claudinei. O que nós gostaríamos é que o governo desse uma justificativa melhor para a criação da Univima. A Univima não tem justificativa", critica.
O estudante chama a atenção para a situação atual da universidade. "A UEMA tem uma série de obras paradas, a biblioteca não está oferecendo o serviço de empréstimos de livros. O curso de enfermagem de Santa Inês foi transferido para Bacabal onde hoje os cursos funcionam em três escolas alugadas, porque o prédio precisa de dinheiro para ser recuperado. Os alunos de Caxias estiveram recentemente com o reitor e com o governador do Estado em busca de solução para os problemas que o curso de medicina do município está enfrentando".
Segundo Claudinei, uma manifestação específica tratou da questão da Univima junto à comunidade acadêmica da UEMA. Mas ainda não saiu do papel. "Era para acontecer no final do ano passado, diz o estudante, mas com a greve houve uma desmobilização. Mas a discussão foi retomada no último dia 10 e no próximo semestre vai ser feita alguma coisa nesse sentido".
Saque no orçamento
Na opinião do presidente da Associação de Professores da UEMA, Mivaldo Oliveira, a Univima é mais um projeto político. A UEMA já faz todos os projetos a que a Univima se propõe, alega. A Uema tem todas as condições de exercer essas atividades, garante. E reclama: o orçamento da UEMA já é insuficiente, imagina tendo que dividir com a Univima.
Mivaldo ressalta que a UEMA tem orçamento, mas diz que o difícil é a liberação do financeiro. "É liberado a conta-gotas", afirma. O professor espera que o governo se conscientize da importância da Uema para o estado do Maranhão e que os recursos não sejam mais desviados para a Univima.
Para o presidente do Sindicato de Trabalhadores da UEMA, Válber Tomé, a Univima até agora não disse concretamente a que veio. Diante de tudo o que foi falado o resultado é muito pouco, critica. Tomé considera muito alto o montante de dinheiro destinado a um programa virtual. Diz que do orçamento destinado ao ensino superior o governo "repassa precariamente o que cabe à UEMA e alegremente o que cabe à Univima. O que a Univima tem de concreto? Tomé assegura que está sendo cobrada da direção uma posição clara com relação ao problema. Como pode alguém interferir no orçamento de uma instituição e você não se contrapõe, questiona.
"E o retorno social da Univima é desconhecido, ressalta Válber Tomé. Saqueiam o orçamento de uma instituição como a Uema. Porque não investir no presencial, questiona. A biblioteca está em reforma. Há uma enorme carência nos cursos do interior. A licenciatura está funcionando precariamente. E o governo do Estado tira R$ 15 milhões para a Univima, R$ 5 milhões para a Geagro e um milhão e oitocentos mil reais para o pagamento de jetons a deputados. O que se poderia fazer hoje com esse dinheiro na UEMA? Mudaria toda essa radiografia", garante.