"O Governo nos deixou a ver navios!" Essa foi a expressão que a presidente da Associação dos Amigos do Parque da Juçara, Maria de Jesus Assis Marques, conhecida como dona Cotinha, usou para resumir a situação em que o parque se encontra e para denunciar o estado de abandono a que foi relegada uma das principais festas do calendário turístico maranhense, que todos os anos é realizada no Maracanã.
O parque tem 35 anos de existência e foi criado pela médica e ambientalista Rosa Mochel, que viu na realização da festa a única forma de manter a tradição do lugar e preservar o sistema ecológico do Maracanã, que ela via ameaçado pela ação predatória do homem.
Quando assumiu a Gerência Metropolitana, o ex-deputado Ricardo Murad determinou a construção de vários quiosques, que foram entregues à comunidade para a comercialização da juçara mesmo fora do período da festa.
Na época, foram investidos R$ 150 mil, com a urbanização do parque, construção de 33 barracas de alvenaria, sanitários públicos e arena com arquibancada com capacidade para 1.000 pessoas.
Fonte de renda
Durante o período da Festa da Juçara, que acontece nos meses de outubro e novembro, o parque se torna um local bastantemovimentado. Milhares de pessoas para lá se dirigem todos os domingos para saborear o suco da fruta, tornando a festa uma fonte de renda para a comunidade. Nos demais dias do ano, entretanto, o parque fica abandonado. Não são realizados eventos porque a associação não tem recursos próprios e o Governo do Estado não ajuda mais. "O último que fizemos foi o arraial de São João, mas com muita dificuldade. Alguns quiosques abrem nos finais de semana, mas não temos a quem vender", disse dona Cotinha.
A associação presidida por ela é que arca com todas as despesas de limpeza e vigilância do local. São três os funcionários, sendo dois são vigias e um zelador, que não dá conta da limpeza do parque quetem8.700m².Orecolhimento do lixo é feito uma vez por mês pela empresa contratada pela Prefeitura, mas há dois que ela não aparece lá.
Ricardo fez o parque
Como a Festa da Juçara está se aproximando, os barraqueiros, agora sem apoio do Estado, recorreram à Prefeitura para que ela custeie as despesas. A associação apresentou um projeto, mas até agora o prefeito Tadeu Palácio não deu nenhuma resposta.
Cotinha ressalta a importância da Gerência Metropolitana para a realização da festa. Na época havia uma equipe de seis funcionários da Gerência guardando e limpando o parque. Ela ressalta que com Ricardo, a festa ganhou a infra-estrutura que precisava. "Antes, neste período, estávamos desesperados comprando palha e madeira para fazer as barracas. Quando chegava a festa, a gente nem tinha dinheiro para comprar o camarão, o açúcar, a farinha e a juçara dos sitiantes". Agora, conforme explicou Cotinha, depois que Ricardo construiu os quiosques, os moradores não precisam mais gastar todo o dinheiro para fazer as barracas.