A hipótese de aposentadoria começa a fazer parte do pensamento de Gustavo Kuerten. O tenista brasileiro, que sofre para voltar a um nível competitivo após duas cirurgias no quadril, afirmou nesta quarta-feira que não vai se contentar por disputar apenas posições intermediárias no ranking mundial.
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Sem estipular prazos, Guga já pensa em aposentadoria, se seguir com resultados ruins
"Se eu ficar assim por muito tempo, vou sentir que é hora de pegar a prancha e ir surfar", disse Guga, descontraidamente, referindose ao seu segundo esporte em preferência.
Atualmente, Guga ocupa a posição número 341 no ranking mundial e nesta temporada venceu apenas dois jogos em dez disputados.
O prazo para que ele chegue a essa decisão ainda não existe. Guga, porém, já revelou que, em 2006, já pretende estar mais readaptado ao circuito internacional e desafiando seus concorrentes com maior equilíbrio.
Essa tese, inclusive, vem sendo defendida por médico, treinador, preparador físico e fisioterapeuta que o acompanham. Aos 28 anos de idade, Guga disputou oito torneios desde que "reestreou" no circuito internacional e ganhou apenas duas partidas. Nesse período, já disse que queria recuperar a vontade de jogar e que pretende voltar a ficar, pelo menos, entre os 20 melhores do mundo.
Mas pelo que demonstrou até agora, a recuperação, se ocorrer, vai demorar. Além de lutar contra duas cirurgias, precisará desafiar uma nova ordem no topo do ranking mundial. Os tenistas de ponta são cada vez mais jovens e estão mais resistentes e velozes, características que colidem com a atual situação do catarinense.
Diante da possibilidade de cair, o brasileiro já admite, inclusive, a possibilidade de competir em torneios de menor premiação, o que dificilmente passa pela cabeça de um tenista que já ganhou quase US$ 15 milhões na carreira. Isso, porém, não deixa Guga, que já foi o melhor do planeta, desanimado com a perspectiva de queda.
"Se eu tiver de disputar torneios menores, vou fazer sem nenhum problema", afirmou Guga, que já está se preparando para seus primeiros torneios no ano em quadra de cimento (New Haven e Aberto dos EUA). "Fiz isso no início da carreira e não vai me afetar. Vai ser um momento de transição até eu voltar ao normal."
E isso pode acontecer até neste ano. Guga ainda não tem calendário definido depois do Aberto dos EUA, mas disse que prefere ficar fora da temporada de torneios em quadra coberta na Europa e na Ásia.
O tenista catarinense falou que gostaria de voltar a jogar em quadra de saibro depois do confronto entre Brasil e Uruguai, pela Copa Davis, em Montevidéu. Isso, no entanto, só será possível se disputar Challengers, que terão vários em terra batida até o fim do ano. Entre outubro e novembro, a América do Sul recebe Challengers no saibro em Quito, Bogotá, Santiago, Montevidéu, Guayaquil e Buenos Aires. Antes disso, a Europa terá torneios desse nível na terra batida em Roma e em Barcelona, entre outras cidades.