O que pode o presidente de um poder, cujas atribuições são cuidar para que a ordem e o estado de direito sejam preservados, quando uma obra federal demora a ser concluída? Utilizar-se do poder político, do diálogo, do prestígio pessoal que porventura tenha, ou ameaçar radicalizar, fechando estradas, interrompendo o tráfego em pontes e interditando ferrovias de empresas privadas?
Para o deputado João Evangelista, presidente da Assembléia Legislativa do Maranhão, o negócio é radicalizar. Em plena campanha para ser indicado candidato a governador da conhecida frente de apoio à corrupção, Evangelista abre os pulmões e manda dizer, oficialmente, utilizando os meios de comunicação de que a AL dispõe (site, release, rádio Timbira) que vai comandar a interdição da estrada de ferro Carajás, pertencente à Vale Rio Doce, se o governo federal não dispensar a licitação para a recuperação da ponte Marcelino Machado.
Há pelo menos uma coerência na ameaça de João Evangelista: como faz parte da base de apoio a um governo que faz escola em dispensas e inexigibilidades de licitação, ele quer que a ponte seja feita com dispensa. Fora disso, mais bravatas. Evangelista, lembre-se, é o deputado que mandou um recado ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, senador Antônio Carlos Magalhães, ameaçando tirar de uma avenida o nome do filho dele, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Luís Eduardo Magalhães, morto há sete anos. A ameaça foi feita para agradar ao amigo José Reinaldo, que acusava o senador de atrapalhar a autorização para o empréstimo de US$ 30 milhões do Bird. A resposta de ACM foi dura e corou Evangelista.
Mas, eis que sem ter aprendido a lição e na ânsia de ganhar espaços na mídia, o presidente da AL começa a se especializar em factóides. Lança um após o outro. E exagera. O presidente da Assembléia, afrontando a lei e impedindo o livre funcionamento de um equipamento particular, cuja atividade é movimentar a economia seria, no mínimo, um atestado de pobreza de espírito e curto raciocínio político. Como é possível crer que seja apenas mais uma jogada de marketing de Evangelista, pode-se continuar acreditando em sua capacidade de dirigir a AL, algo não questionado até então.
Por fim, como João Evangelista quer ser governador, imagine leitor a cena: o governador do Estado dando ordem para parar a ferrovia Carajás, com um megafone na mão, impedindo os trens da Vale de movimentar a nossa economia. É... mas com os exemplos que ele tem do Palácio dos Leões o barulho que ele faz até se explica.