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São Luís sedia congresso de especialistas em trauma

Fonte: Edição 21
Data de Publicação: 17 de agosto de 2005
 
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"O trauma é a doença que mais mata dentro da faixa etária de 0 a 40 anos", atesta o médico Sálvio Souza, um dos organizadores do VII Congresso Brasileiro de Ligas do Trauma, que acontece no Rio Poty Hotel, até sábado. O termo pode significar desde uma simples "lesão" ou "machucadura" causada por pequenos acidentes domésticos, chegando a acidentes graves como os ocorridos no trânsito, na rua, no trabalho, passando por causas mais complexas e cruéis, como acidentes decorrentes da violência urbana e outros.

A importância do tema é tanta que existem no país 40 Ligas do Trauma - instituições que têm por objetivo trabalhar na prevenção do trauma, a exemplo de estágios de atendimento de emergência e a parte de ensino e pesquisa. A liga do Maranhão foi criada em 2002 e conta com a participação de acadêmicos, professores, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e outros profissionais que atuam no resgate de vítimas.

O médico Daniel Lima, presidente da comissão organizadora do Congresso e presidente do Comitê Brasileiro das Ligas do Trauma, lamenta o fato de o curso de medicina da UFMA não ter a cadeira no currículo. Médico do SAMU - Serviço de Atendimento Médico de Urgência, que presta atendimento pré-hospitalar a vítimas de acidentes de diversos tipos, Daniel explica que o serviço utiliza dez ambulâncias, oito delas com equipamento de suporte básico e duas com equipamentos de suporte avançado, com "todos os recursos para um atendimento de grande complexidade". Trabalhando há 4 anos com emergências, o médico fala do envolvimento dos profissionais com o que ele chama de "cena". "Num acidente com vítimas nós não sabemos o que vamos encontrar. O desejo é sempre o de querer resolver. Isso gera uma expectativa de, chegando na cena, querer resolver. A gente quer ser sempre o primeiro a ajudar".

Para Daniel, o caso mais emocionante foi o que envolveu uma criança de 2 anos, vitima de afogamento. Segundo o rapaz, a criança afogou-se dentro de casa, em um balde com água. Quando a equipe chegou ao local o garoto já estava morto. "Lidar com a morte é muito difícil para o profissional de saúde. De qualquer modo a gente se envolve".

Um atendimento que marcou muito o médico foi o socorro prestado a um motoqueiro atropelado em uma avenida de grande fluxo, que foi atingido por uma kombi. "Ele estava muito grave. Estava com hemorragia. Nós o entubamos e fizemos outros procedimentos, sem os quais ele não teria sobrevivido. Pudemos usar todos os artifícios técnicos, os conhecimentos de que dispúnhamos. Deixamos o rapaz estável no hospital", lembra.

Reflexão

Paulo Andrade, 30, primeiro-tenente do Corpo de Bombeiros e comandante do grupamento de emergência médica da unidade que cuida do resgate e atendimento pré-hospitalar há 5 anos, diz que o dia-a-dia nesse tipo de trabalho é estressante. "Nós estamos sempre trabalhando no limite, com uma carga emocional muito forte".

Segundo Paulo, cada ocorrência é diferente da outra, daí porque a necessidade de se aperfeiçoar, fazer um treinamento constante. Apesar disso, "as frustrações sempre acontecem. Temos que aprender a conviver com isso". Para o bombeiro, quando a situação envolve crianças ou idosos, a carga emocional é ainda maior. Mas isso não impede que as outras ocorrências sejam sempre muito difíceis.

Das cerca de 2.000 missões operacionais contabilizadas, uma em particular marcou o bombeiro: um caso em que foram necessárias quatro horas para retirar as vítimas de um acidente de trânsito presas nas ferragens. Outra que ficou registrada foi a de uma criança engasgada com balão e que a equipe não conseguiu reanimar. "A sensação de impotência é muito grande, mas a gente absorve."

Segundo Paulo, o Corpo de Bombeiros atende uma média de 20 a 25 ocorrências diárias, que vão desde crianças afogadas, "muito difíceis", até acidentes de trânsito e violências urbanas. O trabalho é em regime de prontidão absoluta durante 24 horas. São 110 homens trabalhando só com resgate e utilizando em média três viaturas. Os períodos mais críticos correspondem aos finais de semana, início de mês e grandes festas como carnaval e outras.

"No final do dia, a gente fica sempre pensando o que poderia ter feito e não fez. Essa reflexão é que possibilita que amanhã a gente parta para um atendimento melhor; quando paramos e pensamos. Serve de crescimento, de aprendizado. A gente procura sempre fazer o melhor. Se a missão não foi bem cumprida, é porque Deus não quis", conclui. Paulo Adrade.

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