Em matéria publicada no site da Folha, a jornalista Eliana Catanhêde informou que a direção do PFL já começou a consultar advogados sobre procedimentos legais em caso de impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice José Alencar. A decisão ocorreu ontem, logo após o depoimento do publicitário Duda Mendonça, que fez a campanha de Lula em 2002. A avaliação do PFL, segundo Catanhêde, é que as revelações de Duda atingem não apenas o presidente, mas também o seu vice, e abrem a possibilidade de novas eleições.
A matéria informa ainda que os advogados disseram ao presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC), que, em caso de impedimento do presidente e do vice assume o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), que tem até 60 dias para convocar eleições indiretas, ou seja, realizadas pelo Congresso, para eleger o novo presidente. Esse dispositivo constitucional, porém, não foi regulamentado.
Segundo a jornalista da Folha, o partido está dividido publicamente. Enquanto o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) prega a abertura de processo de impedimento, o líder no Senado, José Agripino Maia (PFL-RN), quer calma e reflexão. Agripino adverte que, no calor do depoimento de Duda Mendonça, as revelações de contas em paraísos fiscais são consideradas sem a devida cautela e análise jurídica.
Depósito desde 2003
Os depósitos na conta de Duda Mendonça começaram ainda em 2003, no início do governo Lula, o que causou pânico entre os integrantes da CPI dos Correios e assustou também as lideranças dos principais partidos. Agora, suspeita-se que os depósitos tenham como origem dinheiro público.
Eliane Catanhêde diz que no Congresso a opinião geral é de que Duda Mendonça 'livrou a cara' e 'jogou Lula e o PT na fogueira'. Quando admitiu o caixa dois e o envio de dinheiro para paraísos fiscais, o publicitário quis passar a imagem de que está falando a verdade e que fica livre da confusão pagando o que deve à Receita Federal, ao contrário do governo que está cada vez mais enrolado. A estratégia, Duda confessou previamente ao presidente da CPI, senador Delcício Amaral (PT). Ele alegou que faria isso porque estava sendo chantageado por Marcos Valério. O depoimento do publicitário baiano foi espontâneo, feito sem convocação.
Desolação na Esquerda
Ainda de acordo com a reportagem da Folha Online, o clima no PT é de desolação. O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (SP), depois de se defender publicamente, ligou para Delcídio no fim do dia e repetiu que nunca soube de depósitos, contas, offshore. E insistiu para que Duda Mendonça ressaltasse isso durante o restante do depoimento, à noite.
A senadora Ildely Salvatti (PT-SC) balançava a cabeça e repetia várias vezes: "Não sei o que dizer. Não sei o que pensar". E a também senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), suando frio e com as mãos trêmulas, dizia: "Não sei se tenho pena ou raiva do Lula. A situação está ficando insustentável".