Graduados assessores do prefeito Tadeu Palácio estão envolvidos no desvio de mais de R$ 2 milhões da Secretaria de Fazenda do Município. O esquema de roubalheira da Sefaz vinha sendo tratado de forma sigilosa, com o intuito de proteger pessoas ligadas a figuras importantes da cúpula do PDT. Um dos acusados é o tesoureiro da Sefaz, Lindolfo Oliveira, irmão do Procurador Geral do Município, Paulo Helder Guimarães Oliveira e cunhado do deputado federal Wagner Lago.
Além de Lindolfo Oliveira também estaria implicado Bernardo Bispo, que seria o executor da fraude. Bispo, segundo informações de funcionários da Secretaria de Fazenda já teria sido demitido e, segundo Veja Agora apurou, a tentativa de abafar o escândalo estaria colocando sobre Bispo toda a responsabilidade pelo roubo.
O desvio de recursos, oriundos de impostos federais, já foi comunicado pela secretária de Fazenda Suely Bedê à Polícia Federal e ao Ministério Público. Há fortes indícios que o crime contra os cofres do município vinha sendo praticado desde 1998, ainda na administração do então prefeito Jackson Lago, irmão do deputado federal Wagner Lago.
O esquema
A descoberta do desvio de dinheiro dos cofres municipais vinha sendo mantida sob o mais absoluto sigilo pela assessoria do prefeito Tadeu Palácio. Ontem, Veja Agora entrou em contato com o delegado Marinaldo Moura, superintendente-adjunto da Polícia Federal e ele confirmou que a PF recebeu ofício da secretária Suely Bedê, comunicando a existência do esquema e solicitando sua apuração.
Por existirem dúvidas sobre a competência da Polícia Federal, segundo o delegado Moura, o ofício com o pedido de investigação contra Lindolfo Oliveira e Bernardo Bispo foi encaminhado à Corregedoria da Polícia Federal. O corregedor da PF, dr. Parente disse a Veja Agora que ainda não analisou o documento, mas que até a próxima segunda-feira vai decidir se manda abrir o processo de investigação ou se devolve à Prefeitura o ofício.
Silêncio conivente
O crime dos funcionários graduados da Sefaz estava, estranhamente, sendo mantido em segredo pelo prefeito Tadeu Palácio. Um dos envolvidos é irmão do Procurador Geral do Município, Paulo Helder Oliveira e cunhado do deputado Wagner Lago.
Procurada para falar sobre o esquema, a secretária Suely Bedê não foi localizada, mas sabe-se que ela entrou em rota de colisão com o prefeito Tadeu Palácio por ter denunciado o esquema. A assessoria da secretária informou que a mesma estava em reunião em lugar incerto e que não havia previsão de seu retorno à Sefaz.
Os funcionários responsáveis pelo esquema emitiam as notas de pagamentos dos impostos em uma única via. Assim, o contribuinte ficava com uma nota autenticada, que lhe dava quitação de seus tributos e o dinheiro não entrava nos cofres do município e era desviado pelos funcionários para contas particulares no Bradesco.
O assalto aos cofres municipais só foi descoberto através de um gerente de uma das agências do Bradesco, que desconfiou de um cheque de R$ 348 mil depositado na conta de um dos servidores. Um funcionário da Sefaz disse que parte do dinheiro amealhado na roubalheira era de recursos do Pasep.