Ontem, 12 de agosto, bem que poderia ser o 13 de agosto do presidente Lula. Um dia depois que o publicitário Duda Mendonça foi espontaneamente à CPI dos Correios dizer que fez a campanha do presidente, em 2002, com caixa 2 e que recebeu dinheiro do PT nas Bahamas, o presidente amanheceu com mais uma bomba no colo: uma matéria da revista Época com o ex-deputado Waldemar da Costa Neto (PL), o primeiro a renunciar vítima do “mensalão”. Na entrevista, o ex-deputado diz que o presidente Lula sabia do acordo de R$ 10 milhões que definiu o apoio – Roberto Jefferson chama de compra – do PL à campanha de Lula.
Segundo ele, o dinheiro foi pago só depois das eleições, por Marcos Valério, em dinheiro e cheques. E só foram R$ 6,5 milhões. A reunião a que se refere Waldemar da Costa Neto teria ocorrido no dia 18 de junho de 2002, no apartamento do deputado Paulo Rocha (PT-PA). Segundo Costa Neto, participaram da reunião definitiva ele, Dirceu e Delúbio. O presidente Lula estava na sala ao lado, juntamente com o vice-presidente José Alencar, que é do mesmo partido de Costa Neto.
De acordo com o ex-deputado, embora Lula não tenha participado do acordo final, porque acreditava que aquela era uma conversa de partidos e não de candidatos, ele sabia que a conversa era sobre dinheiro. “Ele (Lula) sabia. O presidente sabia o que a gente estava negociando. Olha, ele e o Zé Dirceu construíram o PT juntos. O Lula sabia o que o Dirceu estava fazendo. O Lula foi lá para bater o martelo. Tudo que o Zé Dirceu fez foi para construir o partido”, continua.
Depois de ler a revista e antes de começar uma reunião ministerial em que pediria empenho e força aos seus ministros, Lula falou à Nação em cadeia nacional. O presidente se disse traído e indignado pela crise política. Lula pediu desculpas ao povo brasileiro e se repetiu ao dizer que se pudesse já teria punido os culpados, mas que não tem poder para isso. “Estamos investigando todas as denúncias. Ninguém será poupado”, disse o presidente e afirmou: “Não tenho nenhuma vergonha de dizer que nós temos de pedir desculpas. O PT tem de pedir desculpas. O governo, onde errou, precisa pedir desculpas”.
Oposição acha fraco
O pronunciamento do presidente foi muito aguardado, especialmente pelos senadores de oposição. Lula só falou três horas depois do previsto. Mas, os senadores não ficaram satisfeitos. Os líderes dos principais de oposição, PSDB e PFL, consideraram o discurso fraco e disseram que Lula foi repetitivo e perdeu a oportunidade de esclarecer as denúncias e apontar culpados.
O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), disse que o presidente estava “medroso e não conseguiu olhar para os olhos dos espectadores”. Segundo Virgílio, o presidente deveria ter sido mais autêntico. Para o líder do PSDB no senado quem está indignada é a Nação brasileira com a corrupção. O pedido de desculpas teria seguido um script. O senador chamou o discurso de “pífio”.
Efeitos em 2006
Tidos como resultado dos escândalos e da crise em que vivem o PT e o governo, os números de uma pesquisa Datafolha realizada anteontem mostram que, pela primeira vez, Lula não seria reeleito presidente, se as eleições fossem hoje. Lula perderia no segundo turno exatamente para o seu principal rival nas eleições de 2002, o prefeito de São Paulo José Serra (PSDB). Lula perderia com uma diferença de nove pontos percentuais.
Segundo o Datafolha, Lula e Serra chegariam empatados, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, ao primeiro turno. Lula com 30% e Serra com 27%. No segundo turno, Serra chegaria a 48% das intenções de voto, contra 39% para Lula.
Em pesquisa anterior, realizada em 21 de julho, Lula estava à frente de Serra (45% a 41%). No limite da margem de erro, os dois estariam empatados, mas essa hipótese era considerada improvável. Entre uma pesquisa e outra, Lula também perdeu quatro pontos percentuais no cenário contra Serra no primeiro turno.