Cresce nos meios políticos e jurídicos a sensação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá dificuldade para se livrar das conseqüências do depoimento do publicitário Duda Mendonça à CPI dos Correios. Duda revelou que recebeu no exterior - depositados em um banco das Bahamas - R$ 10 milhões de Marcos Valério de Souza. O dinheiro foi parte do pagamento dos serviços prestados por Duda às campanhas do PT de 2002, incluindo a de Lula. De uma tacada só Duda Mendonça confessou crime contra o sistema financeiro e ainda colocou o presidente Lula na berlinda. Ele agora poderá ser acusado de crime eleitoral.
A lei em que Duda porderá ser enquadrado é a 7.492, a chamada Lei do Colarinho Branco. Já Lula, por ter assinado os documentos da prestação de contas da sua campanha pode ser responsabilizado pela prática de caixa dois. Isso acontecerá se ficar comprovado que o presidente omitiu da prestação de contas os pagamentos feitos ao publicitário. Mesmo que isso seja comprovado o processo contra Lula só poderá ser aberto depois que ele deixar a presidência.
O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, já estuda pedir ao TSE que reaprecie a prestação de contas de Lula, para verificar se ele infringiu o artigo 350 do Código Eleitoral, que prevê a pena máxima de cinco anos de detenção para quem comete crime de falsidade documental, que se aplicaria ao caso.
Os riscos de Lula e do PT
A população brasileira está dividida. Entre os políticos há os que acham possível o afastamento (impeachment) do presidente em razão do escândalo e das declarações de Duda Mendonça e de Waldemar da Costa Neto (o ex-deputado) disse que o presidente sabia dos acordos financeiros entre PT e PL para que este apoiasse o governo Lula. O presidente, segundo Costa Neto, estava no apartamento onde teria sido feito o acerto.- O Lula responderia, ainda, a ação penal por prevaricação. Para o PT há duas ameaça: pode sofrer a suspensão do repasse da cota do Fundo Partidário em 2006, se comprovada a ilegalidade do empréstimo de R$ 29,4 mil, ou, mais radical, ter o registro partidário cancelado por recebimento ilegal de dinheiro de entidade estrangeira, hipótese considerada remota, segundo a Folha.