Fio da navalha 1
Segundo um PhD nas relações internas do PT, Lula não citou nominalmente José Dirceu, no pronunciamento de sexta, como responsável pela desgraça de seu governo porque 'ainda não perdeu todas as faculdades.
Fio da navalha 2
O observador petista afirma que, se atirado ao mar, Dirceu cogita repetir, em discurso, a famosa frase pronunciada por ele quando ainda era ministro: 'Nunca fiz nada sem o conhecimento do presidente Lula'.
A Venezuela...
Setores mais aguerridos do PT acariciam uma idéia que promete deixar meio mundo de cabelo em pé: propor a realização de um plebiscito, no próximo dia 3 de outubro, para decidir se Lula deve permanecer no cargo ou ter seu mandato encurtado.
...é aqui
Defensores do plebiscito argumentam que ele permitiria a Lula ser julgado 'pelo povo, e não por esse Congresso corrupto'.
Modelo 2005
Nas ruas do Rio de Janeiro, os tradicionais adesivos 'oPTei' cederam lugar para uma nova combinação com as letras do partido: 'corruPTo'.
Cada um na sua
Um amigo de Duda Mendonça resume o significado do depoimento do marqueteiro à CPI: 'Ele já estava discutindo os termos do divórcio com o PT. Agora, apenas assinou o papel'.
Conspiração da elite
O Datafolha mais recente mostra que, entre os mais escolarizados, a intenção de voto para a Presidência em Heloisa Helena é o dobro da verificada na média do eleitorado.
Água e vinho
No cenário em que Fernando Henrique aparece como o candidato tucano, a senadora do recém-nascido PSOL obtém, nesse segmento do eleitorado, 14% das intenções de voto empatada com o ex-presidente (13%).
Limpando gavetas
O PSB realiza na próxima sexta-feira seu Congresso Nacional sem a presença de Miguel Arraes. Cresceu no partido a ala, antes praticamente restrita a Luiza Erundina, que defende o desembarque do governo.
Rota de colisão
O relatório preliminar da CPI dos Correios vai apontar irregularidades na licitação dos contratos do Correio Aéreo Noturno, conforme denunciou o deputado Roberto Jefferson (PTB). O texto pedirá ao Ministério Público e ao TCU que apliquem as medidas cabíveis.
Rodada dupla
Segundo a CPI, há fortes indícios de direcionamento no edital em que a Skymaster abocanhou contrato de R$ 56,4 mi dos os Correios em 2003 e 2004.
Sem papas
Em seus longos e ainda inéditos depoimentos à PF, Maurício Marinho envolveu diretamente o ex-presidente dos Correios, João Henrique de Almeida Souza, nas irregularidades praticadas na estatal. E não apenas ele.
Não corra, papai
Na sexta, Osmar Serraglio (PMDB) abandonou às pressas as atividades da CPI dos Correios. Se perdesse o vôo para o Paraná, não chegaria à festa do Dia dos Pais na escola da filha. Ainda assim, o colégio atrasou o evento em duas horas para aguardar o atarefado relator.
Aperitivo
Enquanto jantava na semana passada no restaurante Piantella, um seleto grupo de deputados petistas traçava planos de guerra: encontrar algo comprometedor contra tucanos que integram a CPI dos Correios.
TIROTEIO
Do historiador Marco Antonio Villa a respeito do ex-ministro José Dirceu, que, segundo amigos, está lendo 'As Noites das Grandes Fogueiras', obra sobre a Coluna Prestes:
É mais um truque para alimentar o falso mito do guerrilheiro. Só que Dirceu escolheu mal o personagem. Luís Carlos Prestes era alvo de muitas críticas, mas nunca foi acusado de desviar dinheiro público.
CONTRAPONTO
Lição indigesta
Na reunião do Diretório Nacional do PT, no final de semana passado, a nova cúpula do partido informou que o almoço seria servido em um clube próximo.
Ainda acostumados aos tempos em que o então tesoureiro Delúbio Soares chegava a levar grupos de até 20 pessoas para refeições em churrascarias dos Jardins, na região mais nobre de São Paulo, alguns participantes não notaram o aviso de que 'cada um pagaria o seu'.
Somente à mesa os desavisados perceberam que o partido, atolado em dívidas, não pagaria a conta nem dos parlamentares.
Ricardo Zaratini (SP) e Ricardo Zaratini Filho não se conformaram com o preço:
R$ 26 por cabeça? Vamos procurar um restaurante por quilo_, disse Zaratini Filho.
Um colega não se agüentou:
Os petistas descobriram tarde demais a máxima de que não existe almoço grátis!
Há poderes para interromper os abusos do Poder
Um dos órgãos mais importantes na estrutura de funcionamento do Estado é o Tribunal de Contas. Um papel que se torna ainda mais relevante neste período em que o país se dispõe a ser passado a limpo, em que as instituições buscam a transparência e correção nos seus atos. Até mesmo o Congresso Nacional, sob pressão, é bem verdade, dá sinais de que irá regurgitar daquilo que não lhe faz bem. Prevê-se que uma leva de deputados sairá pelas portas dos fundos da Câmara como resultado da assepsia que as CPIs costumam impor no ambiente do Parlamento Nacional.
De modo semelhante, Executivos que se pretendem sérios voltam seus olhos para dentro de casa, implementam políticas internas de fiscalização e apuração, como forma de demonstrar zelo com aquilo que lhe foi confiado pelo cidadão, detentor verdadeiro dos mandatos públicos, obtidos por via eleitoral. É certo que alguns governantes, levados à corda de caprichos de alcova, sucumbem e não passam do discurso. Assim, a incúria, a desídia, a negligência, a fraude e a corrupção campeiam, sob os olhos da conivência ou da ambição desmedida.
É para esses governantes que o Ministério Publico deve voltar as suas atenções. É inconcebível que qualquer desculpa seja aceita; que o arrotar de mágoas políticas e o requentar de denúncias do passado sirvam para justificar os escândalos do presente. Afinal, não se trata de meras fantasias. São casos com quantidades, valores, nomes, endereços e métodos. Indícios de fraudes, constatação de irregularidades gritantes e sérias que não podem ser confundidas com desleixo administrativo ou explicadas sob a luz de chavões do tipo "com outros era assim também". Se cochilar o cachimbo cai da boca. A caixa preta está aberta. O MP terá o trabalho apenas de decifrá-la.
É um trabalho que se espera também do Tribunal de Contas, cujo papel constitucional é, entre outros, realizar nas contas do Governo do Estado inspeções e auditorias por iniciativa própria ou por solicitação da Assembléia Legislativa. Tem o TCE do Maranhão todos os instrumentos legais e técnicos para isso e credibilidade suficiente para fazê-lo. A Constituição lhe determina esse dever e lhe dá esse direito. E a cidadania precisa de sua atuação. São recursos do contribuinte que escorrem pelo ralo, desaparecem sem que nada (ou quase nada) aconteça com os que conduzem o processo, com aqueles que dirigem o Estado e devem zelar pelo dinheiro público, respondendo com honestidade - se possível - quando confrontados com denúncias de corrupção. Se não o fazem de forma espontânea, que seja sob os rigores da lei, que o Tribunal de Contas do Estado deve fiscalizar se está sendo efetivamente cumprida, exigindo punição ao constatar que isso não acontece, de fato.