As novas tecnologias da informação e comunicação, apesar de abrirem grandes e positivas oportunidades para a humanidade, ainda são restritas a um pequeno número de pessoas. Para amenizar essa situação vários programas de inclusão digital foram desenvolvidos por universidades, empresas, ONG’S e o próprio poder público no Brasil. São computadores instalados em lugares públicos, como bibliotecas e telecentros. Em São Luís foram criados postos de Internet para Todos, mas estão abandonados e sem previsão para voltar a funcionar.
O programa, vinculado à Secretaria Municipal da Fazenda, foi suspenso há quase um ano e muitos estudantes, a maioria da rede pública, sentem sua falta, porque era a oportunidade que tinham para fazer pesquisas escolares e outras atividades ligadas à informática. “Fica mais difícil agora”, reclamou a estudante Sheila Silva.
Eram sete postos instalados em vários pontos da cidade que, com o abandono, foram depredados ou viraram dormitórios para moradores de rua, como é o caso dos quiosques da Praça do Pantheon e da Praia Grande, em frente ao Terminal do Integração. Segundo os moto-taxistas da Praia Grande, o local era usado por usuários de drogas, até pouco tempo.
Domingos de Jesus Machado, moto-taxista, disse que o posto demorou muito tempo para ser construído e durou muito pouco. Ele acha que a localização era boa porque rodos podiam utilizar os computadores. “Pena que durou pouco. As pessoas faziam fila para usar. Tinha até turista!”, contou.
Marlene de Sousa Mesquita vende bombom em uma banca no ponto de ônibus da Refesa, onde ficava outro posto. Ela calcula que esteja desativado há quase dois anos. Segundo a ambulante, os monitores reclamavam demais da falta de pagamento. “Tem gente que não recebeu seus salários até hoje”, afirmou.
O quiosque da Refesa chama atenção ainda porque, apesar de se localizar exatamente em frente ao Plantão Central da Polícia Civil e de várias delegacias especializadas, isso não o tornou imune à ação de vândalos que depredaram o local para levar o alumínio que emoldurava portas e janelas.
Exclusão digital
De acordo com o Mapa da Exclusão Digital, lançado em abril, feito pela organização não-governamental Comitê para a Democratização da Informática (CDI) e Fundação Getúlio Vargas (FGV), quanto maior for a renda per capita de uma região ou de uma cidade, maior o acesso da população a esse tipo de benefício. Enquanto no Distrito Federal 23,87% dos moradores têm acesso ao computador, no Maranhão o grau de inclusão digital é de apenas 2,05%.
Os estudantes são os mais prejudicados com a desativação dos postos. Através deles os alunos podiam realizar pequenas pesquisas ou fazer outros tipos de serviços, como mandar e receber e-mails. Cleomar Silva trabalha vendendo bombom ao lado do quiosque na Praça Deodoro e observava a movimentação no local: “Os maiores freqüentadores eram estudantes. Faziam fila na entrada”, destacou Cleomar.
Muitas cidades são disponibilizadas unidades móveis ligadas à internet para levar o acesso digital aos moradores de baixa renda. Em São Luís esses telecentros não existem. “É muita irresponsabilidade de quem deixa um projeto desses largado”, reclamou o estudante Danilo Ferreira.