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Vila Conceição: um lugar esquecido

Fonte: Edição 23
Data de Publicação: 19 de agosto de 2005
 
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Situada numa área supervalorizada, entre o Alto do Calhau e Avenida dos Holandeses e próxima a um bairro de classe média, a Vila Conceição parece um vilarejo de uma cidade perdida no mapa. Ruas de terra, faltam escolas, esgotos expostos, lixo entulhado em vários pontos, animais de grande porte pastando nas ruas e muita insegurança compõem o quadro desalentador em que vivem seus moradores e chamam a atenção para o descaso a que a vila foi relegada pela administração Tadeu Palácio.

A Vila Conceição tem apenas sete anos e é uma das várias ocupações de terras feitas a partir de um loteamento que inicialmente seria reservado para servidores municipais, há 39 anos. As terras pertenciam á antiga Superintendência de Urbanismo da Capital – SURCAP e foram ocupadas de forma desordenada pelos invasores, sendo que alguns ocupantes são proprietários de até três lotes.

Sua população é de aproximadamente seis mil pessoas, sendo que mais de dois mil seriam crianças. Nem esse grande número de meninos e meninas sensibilizou o prefeito Tadeu Palácio para instalar escolas no local. Segundo Francisco das Chagas Martins, no comício de campanha, Tadeu Palácio prometeu muita coisa, mas jamais voltou ao bairro para dar satisfações à comunidade. “Nada do que ele prometeu, ele fez”, lembra, magoado, o morador. Os pais que pretendem matricular seus filhos na escola são obrigados a recorrer ao Colégio Menino Jesus de Praga, que fica distante dois quilômetros do bairro e que não tem capacidade nem para receber as crianças da própria comunidade onde está instalado. “A outra opção é a escola próxima à feira do Vinhais”, revela seu Francisco Martins.

Na chuva e no sol

A exemplo do que acontece na maioria dos bairros da cidade, o drama da falta de transportes é maisumadificuldade na vida da comunidade. Depois das 22 horas não há ônibus, e quando há uma emergência, o único meio de transporte é o serviço de moto-taxi. Os moradores esperam ônibus por horas a fio, dentro do mato ou se espremendo nas paredes da rua sem calçadas. Não há abrigo e nem sinalização. A dona-decasa Maria das Neves Lima, que esperava ônibus se abrigando do chuvisco sob uma árvore, disse que lá é sempre assim, chova ou faça sol. Ela reclamou da situação e se entristece com o descaso em que vivem os moradores da Vila Conceição: “É muito sofrimento viver nesse local”, lamentou.

Não existe pavimentação em nenhuma das ruas do bairro, nem mesmo piçarra. As ruas são de barro ou de terra preta e se transformam em grandes lamaçais que ao se misturar com as águas de esgotos que correm pelas vielas do bairro e que, no período de chuva, se agravam de forma dramática. São os próprios moradores que realizam a limpeza das ruas e, para melhorar o tráfego de veículos no bairro, se socorrem de políticos amigos. “Quando a situação fica muito feia eu peço ao deputado Sarney Filho, que me arranja um trator para aplainar a rua”, diz Francisco Martins.

Inseguro também

A falta de policiamento preventivo torna o bairro um dos mais vulneráveis à ação de marginais. A polícia só aparece na Vila Conceição quando há casos de assassinato. “Eles passam uns dois dias circulando na área e depois voltam a desaparecer”, diz Martins, que trabalha como motorista e é uma espécie de portavoz da comunidade. Ele diz que a vila vem servindo de esconderijo para marginais. “As gangues que cometem crimes na Ilhinha, Areinha e Bairro de Fátima vêm se esconder aqui”, revela.

Iniciativas particulares são os meios que os moabandoradores usam para amenizar alguns dos problemas. Francisco das Chagas Martins diz desanimado que o governo e a prefeitura disputam tanto para ver quem faz mais obra na capital e no final ninguém conclui nada. “Pelo menos a educação deveria ser prioridade aqui bairro”, finalizou.

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