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Temperatura de São Luís está mais alta que em outros anos


Data de Publicação: 19 de agosto de 2005
 
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A arborização deficiente de São Luís está favorecendo uma alta na temperatura média da capital maranhense. De acordo com observações do Laboratório Meteorológico do Núcleo Geoambiental da Uema, os valores da temperatura estariam dois ou três graus acima das médias registradas nos últimos quinze anos. A tendência é o calor aumentar gradativamente nos próximos meses.

Segundo o mestre em Meteorologia da Uema, Carlos Márcio de Aquino Eloi, São Luís hoje está na estação seca, a seqüência das chuvas diminuirá e até novembro a tendência é o clima continuar como agora: muito quente. "Esse aumento na temperatura ocorre porque a cidade tem muita área asfáltica, queimadas que se repetem todos os anos e desmatamento. A tendência é o calor aumentar suavemente a cada ano", explica.

As afirmações do meteorologista têm por base o documento Normais Climatológicas, editado a cada 30 anos e que traz as médias de temperatura dede todo o Brasil. O estudo atesta que vem acontecendo acréscimos ao aquecimento do país. "A cada mês, São Luís tem ultrapassado e até batido as temperaturas máximas absolutas, medidas todo dia e que atingem seu ápice às 14 horas", informa.

Calor excessivo

Durante o dia, os meteorologistas, por meio de computadores sofisticados, tiram as médias e máximas da temperatura. Essas medições são feitas à sombra, livres de vento e outros fenômenos. São essas temperaturas máximas absolutas, ocorridas no período de 30 anos, que as Normais Climatológicas registram.

Carlos Eloi diz que a alta na temperatura é a resposta do clima ao crescimento desordenado de São Luís. Além do calor excessivo oriundo da energia direta dos raios solares, os ludovicenses ainda estaria sendo "bombardeados" com o calor difuso, aquele refletido em asfalto e areia que acaba por aumentar a incidência da energia e consequentemente a temperatura.

"Isso tudo poderia ser amenizado se São Luís tivesse mais árvores. A cidade não conta com uma arborização efetiva, não há projetos e nem políticas públicas para melhorar a qualidade do clima e da vida das pessoas. Se nada for feito, talvez haja um aumento na taxa de mortalidade da população, principalmente por quem sofre de hipertensão e problemas de pele. O aumento na temperatura também favorece um índice alto de violência" afirma o especialista.

A solução para o problema, de acordo com Carlos Eloi, seria a Prefeitura ao invés de plantar mudas e depois castrar as árvores crescidas, planejar a arborização da cidade de forma gradual, com a criação de corredores de árvores nas avenidas e praças da capital. Também serão necessários estudos sobre sombreamento e um trabalho de conscientização junta à população para diminuir as queimadas e o desmatamentos.

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